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quinta-feira, janeiro 21, 2021

Distribuição a jato

Em 2008, a Embraer pagou R$ 125.609.528,20 em dividendos e R$ 229.283.519,94 em juros sobre capital próprio a seus acionistas. No total, quase R$ 355 milhões foram distribuídos aos donos de ações da companhia, que acaba de mandar para rua mais de 4 mil trabalhadores, 20% de seus “colaboradores”. Em 2007, a folha de pagamento total da Embraer montou a R$ 195,6 milhões, número que pouco se alterou – se mudou, foi para menos – em 2008. A matemática mostra que, para cada R$ 1 pago de salários, mais encargos, a fabricante de jatos pagou R$ 1,8 a seus felizes acionistas.
Quem são os felizardos? Cerca de 45% são estrangeiros, proprietários das ADRs (papéis negociados nos Estados Unidos) da Embraer. Assim, quase R$ 160 milhões voaram para o exterior só em 2008 – pouco menos do que a folha de pagamento total da empresa.

Manda quem pode
Com o dinheiro pago em apenas um ano aos acionistas, a Embraer poderia manter por nove anos os funcionários demitidos. Entre os detentores de ações, Previ, BNDES e União têm quase 25% da empresa, mas por enquanto o Governo Federal apenas esperneia e não exerce seu poder para deter as demissões. Será isso a tal estatização parcial, como no caso do Citi nos EUA?

Indignação&ação
Embora dificilmente vá ser mantida em última instância, a decisão da Justiça de suspender temporariamente as demissões de 20% dos funcionários da Embraer tem caráter emblemático, ao mesmo tempo que serve como divisor de águas em relação à omissão do Governo Lula. Enquanto empresários aleguem que demissões são questões de ordem privada, tal argumento não revoga o fato de que toda companhia tem um caráter social, característica ainda mais acentuada quando trata-se de empresa privatizada com uso de dinheiro público e em condições extremamente favoráveis, como a Embraer.
Benefício que se estende ao fato de ter na sua administração o fundo de pensão do Banco do Brasil, sem cuja presença o financiamento da companhia se veria ameaçado, salvo se alguém acredita que a Embraer poderia “se capitalizar no mercado”.
Por isso, a decisão da Justiça de sustar as demissões para melhor avaliação do seu impacto expõe ainda mais abertamente a omissão do presidente Lula, depois de fazer circular sua suposta indignação com o fato. Como depois de seis anos já deveria saber, opositores ficam indignados; presidentes agem.

Indignação seletiva
Já que começou a defender leis promulgadas na época em que participava do Governo FH, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, também poderia destilar sua indignação com os prejuízos causados aos cofres públicos pelas privatizações empreendidas na mesma administração. Com valores na ordem de oito dígitos, as privatizações tucanas deveriam encaminhar qualquer dúvida sobre os R$ 50 milhões que teriam sido liberados para o MST  e incomodaram Mendes a juizados de pequenas causas.

Deterioração
Deslizamento de terra na BR 040, alagamento na Dutra… quando será que as concessionárias que administram as rodovias federais vão fazer obras realmente necessárias nas estradas?

Falha
Na Ponte Rio-Niterói, também entregue à administração privada, há um ressalto entre as pistas que pode causar acidentes, especialmente em dias de chuva, quando acumula água e pode causar aquaplanagem, algo inimaginável em uma estrada sobre o mar. A fiscalização da ANTT parece desatenta ou muito compreensiva.

Bagaço
Conversão de bagaço de cana-de-açúcar em álcool combustível com boa relação custo-benefício até 2010 é a meta da empresa dinamarquesa Novozymes Latin America, que receberá 1,6 milhão de euros da União Européia para pesquisa e desenvolvimento de bioetanol de segunda geração em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. O projeto une a Universidade de Lund (Suécia) o Centro de Tecnologia Canavieira (de Piracicaba, SP) e a Universidade Federal do Paraná. A utilização do derivado de bagaço pode aumentar o rendimento por acre em cerca de 50%.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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