Diário de Mercado

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Expectativas do mercado para 2012 mostraram poucas alterações na última semana, conforme apontado pelo Relatório Focus

Com a maioria dos indicadores de 2011 já conhecidos, julgamos importante monitorar, a partir de agora, as expectativas do mercado para as principais variáveis macroeconômicas para 2012, que mostraram poucas alterações na última semana, sugerindo uma inflação menos pressionada e continuação da queda da taxa de juros neste ano, segundo apontado pelo último Relatório Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, com estimativas coletadas até o dia 6 de janeiro. A projeção para o IPCA deste ano passou de 5,32% para 5,31%. As expectativas de crescimento do PIB de 2011 e 2012 ficaram estáveis em 2,87% e 3,30%, respectivamente. A projeção para a taxa de câmbio, por sua vez, mostrou leve ajuste de R$/US$ 1,75 para R$/US$ 1,77 para 2012, ao passo que a expectativa para a taxa Selic em 2012 se manteve em 9,5% na última semana.

Destaques da semana – Pequena expansão esperada para as vendas do comércio varejista de novembro não deverá alterar de forma importante as expectativas acerca do quarto trimestre do ano passado.
Em semana mais tranqüila, os indicadores de atividade seguirão como destaque da agenda doméstica, ainda mais quando as dúvidas do mercado continuam concentradas no ritmo de recuperação da atividade. As vendas do comércio varejista, para a qual esperamos alta de 0,3% na margem em novembro, a serem conhecidas nesta quinta-feira, nos ajudarão a calibrar as expectativas para o IBC-Br também de novembro – indicador que mede o PIB mensal, que poderá também ser divulgado ao final da semana, ainda sem data definida -, sinalizando para o ritmo de recuperação da economia brasileira no quarto trimestre de 2011 – para o qual esperamos expansão de 0,3% na comparação com o terceiro trimestre. Vale também chamar atenção para a divulgação dos seguintes indicadores: (i) os antecedentes para a indústria em dezembro como o índice ABCR de atividade e as vendas de papelão ondulado pela ABPO, ambos na terça-feira; (ii) o 4º Levantamento da safra de grãos 2011/12 pela Conab, também na terça-feira; e (iii) o emprego industrial em novembro, na Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário na sexta-feira. No cenário internacional, a semana se inicia com as repercussões da reunião de líderes dos bancos centrais em Basileia, na Suíça, ao mesmo tempo em que os eventos na Europa seguirão no radar do mercado, como o encontro bilateral entre as autoridades da França e Alemanha hoje pela manhã. Já na agenda de indicadores, o foco se voltará para a reunião de política monetária do Banco Central Europeu na quinta-feira, cujas expectativas do mercado indicam a manutenção dos juros em 1,0% ao ano, após dois cortes seguidos no ano passado. Será importante também acompanhar, para a Alemanha, a divulgação do PIB de 2011 na quarta-feira assim como do índice de preços ao consumidor de dezembro na quinta-feira. Para os EUA, destaque para a divulgação do Livro Bege na quarta-feira, com a avaliação da economia norte-americana no último mês e as vendas no varejo de dezembro na quinta-feira. Por fim, alguns indicadores da China deverão ser monitorados: os índices de preços ao consumidor e ao produtor de dezembro na quarta-feira, além dos dados de balança comercial e concessões de crédito do mesmo período, embora ainda sem data definida de divulgação.

Inflação
IBGE: IPCA encerrou 2011 com alta de 6,5%, mas perspectivas são de importante descompressão neste ano
O IPCA registrou alta de 6,5% em 2011, frente a 2010, quando havia se elevado 5,91%, conforme divulgou o IBGE na última sexta-feira. Especificamente em dezembro, o IPCA registrou elevação de 0,50% e mostrou leve descompressão em relação ao resultado de novembro, de 0,52%. Na abertura, o índice mostrou aceleração do componente de alimentação e bebidas, que passou de 1,09% em novembro para 1,23%, assim como o grupo vestuário, seguindo a sazonalidade para o período, passando de 0,58% para 0,80%. O grupo de transportes, por sua vez, registrou variação nula, assim como no mês anterior, e foi beneficiado pela deflação do item de passagens aéreas (-2,05%) e automóveis usados (-0,32%). As medidas de núcleos, por sua vez, apontaram desaceleração frente a novembro: o núcleo por expurgo, por exemplo, passou de 0,53% para alta de 0,49%. Dentre os itens que afetam os núcleos, a deflação de preços de bens duráveis (-0,50%) e a descompressão de serviços (+0,51%) contribuíram para esses resultados. Para 2012, esperamos um resultado mais ameno, ainda que a inflação continue em patamar acima da meta. A pressão do grupo dos serviços e dos preços de alimentos e a inércia gerada pela inflação elevada de 2010 foram os principais motivos para a alta inflação em 2011. Neste ano, esperamos que os efeitos defasados do arrefecimento da atividade doméstica, verificado na segunda metade do ano passado, a queda dos preços das commodities e a mudanças na ponderação da composição do índice favoreçam a inflação do ano corrente, especialmente no primeiro semestre.  Não devemos tirar do radar o fato de que a atividade doméstica irá reacelerar ao longo desse ano, respondendo à melhora das perspectivas para a economia global, aos estímulos já colocados em prática e ao ciclo de redução dos juros em curso. Somando-se a isso, destacamos nossa expectativa de alguma recuperação dos preços de commodities no segundo semestre, o que deverá fazer com que a inflação pare de ceder no meio do ano. De fato, nossa expectativa contempla alguma aceleração do IPCA de julho a dezembro, considerando a variação acumulada dos últimos 12 meses. Dessa maneira, ao contrário do observado em 2011, esperamos que o primeiro semestre seja mais tranquilo para a inflação, com importante desaceleração, ao passo que o segundo semestre deverá voltar a mostrar alguma aceleração, levando o IPCA a encerrar 2012 com elevação de 5,3%.

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Atividade
Anac: demanda por vôos domésticos seguiu em desaceleração em novembro do ano passado
A demanda por vôos domésticos apresentou crescimento de 9,6% em novembro do ano passado, em relação ao mesmo mês de 2010, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Mesmo tendo registrado crescimento nesta base de comparação, o ritmo de alta já vem sofrendo desaceleração, principalmente quando comparamos com o crescimento de dois dígitos observado entre março e agosto de 2011, refletindo a desaceleração da atividade doméstica a partir da segunda meta de ano. A oferta de vôos domésticos, por sua vez, cresceu em ritmo um pouco mais, com alta de 10,4% no período.  Para os vôos internacionais, a demanda apresentou expansão de 4,4%, enquanto a oferta de vôos expandiu-se 3,4% ante novembro de 2010.

Internacional
EUA: bom resultado da geração líquida de empregos em dezembro veio em linha com a melhora dos indicadores divulgados nas últimas semanas
O resultado da geração líquida de vagas da economia americana, divulgado na última sexta-feira, ajudou a fortalecer a visão mais favorável para a economia norte-americana, com bons sinais vindos principalmente do mercado de trabalho. No último mês do ano passado, foram geradas 200 mil vagas, superando os 100 mil postos de trabalhos criados em novembro, sendo que o destaque ficou para o comportamento do setor privado, com aceleração na geração líquida de postos de trabalho para 212 mil vagas em dezembro frente a 120 mil no mês anterior. Na mesma direção, a taxa de desemprego recuou 0,2 p.p. para o patamar de 8,7%, mas com ressalva de que a população economicamente ativa vem se reduzindo bastante nos últimos meses.

Europa: reunião de bancos centrais mundiais mostra esforço de autoridades em regular o sistema bancário mundial; possibilidade de criação de taxa sobre operações financeiras na União Européia será defendida pela França em encontro bilateral em Berlim
Diante dos problemas enfrentados pelo sistema bancário europeu, como conseqüência da crise soberana em alguns dos membros da Zona do Euro, líderes de bancos centrais de todo o mundo, reunidos ontem em reunião na Basileia, na Suíça, anunciaram novas regras de liquidez para os bancos centrais. A principal dela é a obrigação dos bancos centrais em manter reservas mínimas de ativos de alta liquidez, a partir de 2015; além disso, considerou-se como uma prioridade a monitoração da implementação da regulação bancária. As medidas visam aumentar a resiliência do sistema bancário no mundo, assim como restaurar a confiança do mercado. Ademais, ainda hoje, as atenções deverão se voltar para o encontro bilateral entre os presidentes da França e Alemanha, nesta manhã em Berlim, com a finalidade de discutir a introdução de uma taxa sobre transações financeiras para a União Européia, o que permitiria um aumento de receitas para o bloco. As autoridades ainda deverão preparar-se para a reunião de líderes europeus, que ocorrerá dia 30 de janeiro, e discutir a implementação das medidas tomadas na última reunião de cúpula, ocorrida em dezembro passado.

China: concessões de crédito mostraram aceleração em dezembro
As concessões de empréstimos bancários somaram RMB 640,5 bilhões em dezembro, encerrando 2011 com RMB 7,480 trilhões de novos empréstimos, levemente abaixo do total de RMB 7,926 trilhões concedido em 2010. Além disso, a oferta monetária, medida pelo agregado M2, mostrou alta de 13,6% no último mês do ano passado, acelerando em relação à média dos últimos meses e superando as expectativas de crescimento de 12,9%. De forma geral, esses resultados sugerem uma melhora das condições de liquidez, em linha com o afrouxamento iniciado desde novembro, que deverá se manter de forma gradual ao longo dos próximos meses.

Alemanha: saldo em conta corrente de novembro surpreendeu positivamente, influenciado principalmente pelo aumento mais forte das exportações na balança comercial

O saldo em conta corrente da Alemanha avançou para 14,3 bilhões de euros em novembro em comparação aos 10,3 bilhões verificados em outubro, acima das expectativas do mercado (11,0 bilhões). Para o resultado, a principal influência veio da balança comercial, que registrou saldo positivo de 16,2 bilhões de euros ante 11,5 bilhões em outubro, resultado influenciado fortemente pelo desempenho mais favorável das exportações, que totalizaram 90,7 bilhões ante 88,5 no mês anterior, enquanto as importações somaram € 75,7 bilhões ante os € 76,0 bilhões em outubro. Dentre os parceiros comerciais, os países de fora da Zona do Euro continuam com maior contribuição no crescimento das exportações, apresentando alta interanual de 9,8%, contra 7,7% dos países pertencentes ao bloco, em linha com a atividade econômica menos aquecida da região relativamente aos outros países.

Tendências de mercado
Os índices futuros da bolsa norte-americana (S&P) e de grande parte das bolsas européias operam em alta nesta manhã, enquanto o dólar perde valor frente às demais moedas. Ao longo da semana passada, observamos diversos indicadores favoráveis relacionados à economia norte-americana, como o índice ISM da indústria e os dados do mercado de trabalho. Com isso, houve melhora da percepção de risco do mercado, o que se refletiu também nos preços de commodities e indicadores de volatilidade. Embora ainda a situação dos países europeus siga preocupando, acreditamos que o mercado continue se comportando de maneira positiva ao longo do dia. Assim, esperamos que o real se aprecie frente ao dólar enquanto a bolsa apresente estabilidade no pregão de hoje. Em relação às curvas de juros futuros, esperamos estabilidade ao longo de todos os vencimentos.

Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos – Bradesco
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

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