Diário de mercado

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Bolsas – A Bovespa garantiu mais uma alta e encerrou com valorização de 1,06%, aos 65.917 pontos, atingindo sua maior pontuação desde Abril de 2011, com volume financeiro de R$ 8,0 bilhões. No mercado internacional, as bolsas subiram levemente, refletindo as expectativas em torno do acordo que vai garantir o segundo pacote de resgate financeiro à Grécia. No Brasil, a ausência de indicadores econômicos, a forte alta das ações da Redecard, e o ganho consistente com as ações da Petrobras ajudaram a conduzir o Ibovespa. Além disso, o fluxo contínuo de capital externo na bolsa compõe o momento favorável.

Câmbio/juros – O mercado de juros futuros ameaçou retomar a devolução de prêmios de forma mais consistente, mas ficou limitado pelos rumores de que o governo estuda um corte do Orçamento inferior a R$ 50 bilhões, o que poderia dificultar o cumprimento do superávit primário e o controle da inflação. Como o Banco Central parece disposto a colocar a Selic no patamar de um dígito, as taxas projetadas pelos vencimentos curtos seguiram com leve queda, enquanto os contratos mais longos retomaram o patamar de ajuste, numa clara aposta de que o afrouxamento monetário atual poderá pressionar a inflação mais adiante. Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 cedeu a 9,45%, de 9,50% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 recuou para 9,94%, de
9,98% na véspera. Entre os vencimentos longos, o DI janeiro de 2017, ficou em 10,94%, de 10,93% ontem, e o DI janeiro de 2021 indicou máxima de 11,39%, ante 11,37% no ajuste.
Sem a atuação do Banco Central no câmbio hoje, o dólar retomou a queda no mercado local em meio a notícias ainda não confirmadas de que um acordo definitivo para a dívida da Grécia poderia ser anunciado no curtíssimo prazo. A possibilidade resgatou o otimismo nos mercados e teve reflexos no Brasil. Na BM&F, o dólar à vista encerrou com recuo de 0,12%, a R$ 1,7207. O recuo da moeda no mercado local também reflete a precificação de que a qualquer momento o BC pode realizar um novo leilão no mercado de câmbio, a fim de absorver algum ingresso pontual de recursos e conter a valorização do real.

Economia: CNI – indicadores industriais de dezembro
Os dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre a atividade industrial brasileira, divulgados nesta segunda feira, não foram animadores. Os resultados referentes a dezembro, quando comparados a novembro, decepcionaram, visto que dentre quatro indicadores (faturamento real, horas trabalhadas, emprego e utilização da capacidade instalada), em 3 houve declínio. No acumulado do ano, os dados também não foram bons, com destaque apenas para a expansão do faturamento real, de 5,2%. A utilização da capacidade instalada da indústria, com dados dessazonalizados, recuou 0,1 ponto percentual (pp) frente ao mês anterior (após o número de novembro ser revisado para 81,4%), atingindo 81,3% do total, abaixo do consenso de mercado que apontava um aumento para 81,7%. Se comparado com o percentual de dezembro de 2010 (82,5%), o recuo foi maior: 1,2pp.

José Francisco Cataldo Ferreira, estrategista

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