Diário de mercado

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Mercado volta a elevar expectativa de inflação para 2013, de acordo com Boletim Focus do Banco Central

O mercado elevou a expectativa de inflação para 2013, segundo apontado pelo último Relatório Focus, divulgado nessa manhã pelo Banco Central, com estimativas coletadas até o dia 24 de fevereiro. A projeção para o IPCA deste ano permaneceu estável em 5,24%. Ao mesmo tempo, a expectativa de inflação para 2013 sofreu novo ajuste, passando de 5,02% para 5,11%. As expectativas de crescimento do PIB para 2012 e 2013 permaneceram constantes em 3,30% e 4,10% respectivamente. A projeção para a taxa de câmbio manteve-se estável em R$/US$ 1,75  para este e o próximo ano. Adicionalmente, as expectativas para a taxa Selic também se mantiveram inalteradas em relação à última semana, permanecendo em 9,50% e 10,50% para 2012 e 2013.

Destaques da semana
Destaques domésticos serão as divulgações dos dados sobre as contas públicas e sobre as contas do setor externo em janeiro; no front internacional, semana será determinante no que diz respeito à evolução da crise na Grécia
Destacamos nessa semana a divulgação dos dados fiscais do governo no mês de janeiro, sendo na terça-feira o resultado primário do governo central e na quarta-feira a nota para imprensa sobre política fiscal do Banco Central. Os resultados das contas públicas deverão trazer superávits elevados tanto para o Governo Central quanto para o setor público como um todo, favorecidos por receitas fortes no período. Além disso, destacamos também a divulgação do resultado da balança comercial de fevereiro na quinta-feira, onde esperamos por uma recuperação do saldo comercial (US$ 2,3 bilhões), após observarmos déficit em janeiro por conta dos problemas com as exportações de minério de ferro, em virtude das chuvas em estados produtores. Na agenda de indicadores, destacamos também: (i) a nota para imprensa sobre operações de crédito no mês de janeiro, divulgada na terça-feira pelo Banco Central; (ii) os resultados da Sondagem Industrial da FGV em fevereiro, onde as atenções deverão estar voltadas para o comportamento do indicador de estoques, que pode sinalizar sobre a trajetória da produção industrial nos próximos meses e, por fim, destacamos (iii) a divulgação pela Fenabrave do número de emplacamentos de veículos em fevereiro, que também trará informações relevantes sobre a produção industrial no mês. No cenário internacional, destacamos que na Europa a semana será determinante no que diz respeito à crise na Grécia, com destaque para a aprovação no parlamento alemão do segundo pacote de ajuda à Grécia na segunda-feira, e pelo FMI nos primeiros dias de março. Também deverá estar no radar: (i) a segunda operação de refinanciamento de longo prazo do Banco Central Europeu (BCE) nesta quarta-feira, visando prover liquidez aos bancos; e (ii) as decisões sobre os aportes de recursos ao Fundo de Estabilidade Europeu (EFSF), a ser discutido na Cúpula da União Européia, prevista para ocorrer também entre os dias 1 e 2 de março. Na agenda de indicadores europeus, destacamos: (i) a divulgação na terça-feira de indicadores de confiança e sentimento econômico em fevereiro; (ii) a taxa de desemprego na Alemanha em fevereiro, a ser divulgada na quarta-feira; e (iii) os resultados finais dos PMI”s da região para o mês de fevereiro, a serem conhecidos na quinta-feira. Já a agenda de indicadores dos EUA tem como destaque: (i) o resultado sobre a confiança do consumidor em fevereiro, divulgada na terça-feira; (ii) a segunda prévia do resultado do PIB no quarto trimestre, divulgado na quarta; e (iii) os dados sobre rendimento e gastos pessoais em janeiro, conhecidos na quinta-feira. Por fim, destacamos a publicação dos PMIs do setor manufatureiro (quarta-feira) e de serviços (sexta-feira) na China.

Inflação: IGP-M desacelerou em fevereiro
O IGP-M  de fevereiro registrou queda de 0,06% (nossa expectativa: -0,06%; mercado: -0,09), desacelerando em relação ao observado em janeiro, 0,25%. Destacamos nessa divulgação: (i) o resultado do IPA Agrícola (-0,28%), em linha com o esperado, mostrando recuo expressivo das altas sazonais de in natura; (ii) IPA Industrial (-0,25%), onde destacamos a alta de químicos e veículos, mas o principal destaque foi a deflação bem menos intensa de produtos alimentícios, contribuindo para nossa expectativa de IPCA mais fraco no primeiro trimestre. Para o IGP-M de março esperamos alta de 0,20%, com alguma recuperação dos preços agrícolas, fazendo com que o IPA agrícola saia da deflação.

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Fiscal
Arrecadação de tributos federais atingiu novo recorde em janeiro, mas ritmo de alta deve seguir moderado
A arrecadação federal totalizou R$ 102,6 bilhões em janeiro, bem acima da nossa expectativa para o resultado (R$ 95 bilhões), conforme divulgado pela Receita Federal na última sexta-feira. O valor representou um recorde para a série histórica e apresentou crescimento real de 6,0% em relação a janeiro do ano passado, mostrando um ritmo mais moderado de expansão desde o final do ano passado. Apesar disso, vale pontuar que este crescimento se deu sobre uma base de comparação também bastante forte. Na abertura, a arrecadação do mês se deveu a fatores sazonais, como a arrecadação de Imposto de Renda à Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – com altas de 5,3% e 4,4%, respectivamente, após queda em dezembro – e do resultado mais forte de royalties de petróleo no primeiro mês de cada trimestre, mas também refletiu uma antecipação não esperada do pagamento do ajuste de IRPJ e CSLL referentes ao exercício de 2011 por algumas empresas, cujo prazo limite é março de cada ano. Além disso, também contribuíram as maiores receitas de IOF sobre derivativos, que acrescentaram R$ 280 milhões em janeiro, assim como R$ 1,6 bilhão de receitas do programa Refis da Crise, embora este tenha se mantido nesse patamar desde a metade do ano passado. Para o resultado primário do governo central, a ser conhecido nesta semana, o forte resultado de receitas deverá abrir espaço para um saldo positivo bastante forte, entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões. Para o restante do ano, esperamos que a arrecadação se mantenha em ritmo moderado de expansão.

Internacional
Europa: G-20 pressiona para decisão acerca dos fundos de ajuda financeira europeus no último final de semana
A crise na Europa foi um dos principais temas da reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20, ocorrida ao longo do último final de semana. O G-20 definiu um prazo para que os países europeus acordem sobre o volume total do Mecanismo de Estabilização Europeu (ESM), 31 de março. Também deverá ser definido o montante que será destinado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), por países fora da União Européia inclusive, para reforçar o mecanismo de ajuda aos países endividados da Europa, com a finalidade de evitar o colapso dos países europeus e do sistema financeiro. A posição da Alemanha no processo, como maior contribuinte para os fundos de ajuda, será bastante relevante. Nesse sentido, o país concordou em unir o ESM ao Fundo de Estabilização Financeira (EFSF), fazendo com que o total de recursos disponíveis alcançasse 750 bilhões de euros, mas o valor de novos aportes ainda não foi definido. Com essas repercussões, se inicia uma semana de decisões importantes na Europa, principalmente em relação à aprovação do parlamento da Alemanha e pelo FMI do segundo pacote de ajuda à Grécia, anunciado na semana passada.

EUA: Confiança do consumidor contrariou prévia e subiu, sinalizando recuperação; mercado imobiliário permanece desaquecido
O índice de confiança do consumidor divulgado pela Universidade de Michigan foi revisado para cima em fevereiro, de 72,5 (no dado preliminar) para 75,3, superando muito as expectativas do mercado, que apontavam para 73,0 pontos. Esse resultado sugere uma retomada do consumo no início do ano, considerando o resultado de janeiro (75,0 pontos). Para tal, verificamos queda na abertura de situação atual, que passou de 84,2 para 83 (revisado de 79,6), enquanto o índice de expectativas subiu de 69,1 para 70,3 (revisado de 68,0). As expectativas de inflação mantiveram-se estáveis no período. Adicionalmente, as vendas de imóveis novos somaram 321 mil unidades em janeiro, resultado acima das expectativas de 315 mil. O dado de dezembro foi revisado positivamente: de 307 mil para 324 mil unidades, assim, em janeiro houve recuo de 0,9% na margem (ante elevação de 1,9% em dezembro) e alta de 3,5% na comparação interanual (ante queda anterior de -2,1%). Esse resultado corrobora o cenário de estagnação do setor imobiliário, que ainda não recuperou o dinamismo pré-crise.

Tendências de mercado
Nesta manhã os principais índices dos mercados acionários mundiais operam em queda, influenciados por dúvidas quanto à resolução da crise da dívida européia, que passará por uma importante etapa no leilão do Banco Central Europeu nesta quarta-feira. Dessa maneira, acreditamos que o mercado acionário local também responda a este pessimismo, obtendo variação negativa. No mercado de câmbio, o dólar ganha valor frente às demais moedas como resultado dessa maior aversão a risco, o que deve resultar internamente em um pregão com depreciação do real. Por fim, no mercado doméstico de juros futuros, esperamos que os vencimentos mais curtos obtenham ligeiro fechamento, assim como os mais longos, que obtiveram forte correção para cima na sexta-feira, em resposta a declarações do presidente do Banco Central sobre a probabilidade da taxa de juros no Brasil atingirem patamar de um dígito.

Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos – Bradesco
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

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