Bolsas – Em 06/02, a agenda esvaziada no mercado externo e o sinal negativo das bolsas internacionais fizeram a Bovespa operar em queda a maior parte da sessão. A realização de lucros da bolsa brasileira, no entanto, foi perdendo força no final do dia. As ações da Petrobras, em alta quase o pregão todo, e a melhora de Vale nos últimos minutos garantiram um final estável. O Ibovespa terminou a segunda-feira com variação positiva de apenas 0,01%, aos 65.224 pontos. No mês, sobe 3,41% e, no ano, 14,92%. O giro financeiro encolheu para R$ 5,2 bilhões, bem menos do que a média de R$ 9,0 bilhões dos três pregões anteriores. O mercado continua na expectativa sobre um acordo da Grécia sobre sua dívida. Em 07/02, o presidente do Fed, Ben Bernanke, discursa e a expectativa pode conter o desempenho dos mercados até o início da tarde.
Câmbio/juros – O mercado de juros futuros repercutiu o que foi apresentado na Pesquisa Focus: espera-se um afrouxamento monetário com redução da taxa de juros no curto prazo, porém a aposta é de que isso causará um processo de reversão no futuro, necessário para segurar a inflação. Além disso, o impasse na Europa continua com a negociação da dívida grega e com a apreensão gerada pela crise em Portugal. Tal cenário justifica a cautela dos investidores frente à crise internacional. Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 fechou em 9,50%, nivelado ao ajuste anterior; o DI janeiro de 2014 indicou 9,98%, de 9,95% na sexta-feira; e entre os vencimentos mais longos, o DI janeiro de 2017 subiu para 10,93%, de 10,84% no fechamento anterior.
No início desta segunda feira, o fluxo cambial positivo voltou a direcionar a valorização do real frente ao dólar, favorecido pela entrada de dólares gerada por captações coorporativas no mercado externo. Porém, com a intervenção do Banco Central através da compra de dólar no mercado à vista, a tendência de queda foi revertida. Assim, o dólar fechou em alta de 0,49%, cotado a R$ 1,737.
Economia – pesquisa Focus: otimismo contagiante
A última semana foi marcada pelo forte otimismo sobre o cenário econômico, em resposta aos bons indicadores internacionais e domésticos, além disso, a empolgação no mercado financeiro também contagiou as previsões dos economistas. Desta forma, as expectativas do mercado para o crescimento do PIB em 2012 e 2013 foram revisadas para cima, para 3,30% (aumento de 3 pontos base (pb)) e 4,3% (+5 pb) respectivamente, revertendo o movimento de queda da última semana.
O Banco Central ainda sugere que a taxa Selic deve cair a um dígito em 2012, e assim, o mercado mantém o consenso de que a taxa encerrará o ano em 9,5%. Apesar do maior crescimento econômico esperado e do afrouxamento da política monetária, a projeção para o IPCA para 2012 foi ajustada em apenas 1 pb, para 5,29%, e a projeção do IPCA para 2013 foi mantida em 5,0%. Esse fato reflete o preço internacional das commodities e as pesquisas de inflação no Brasil, que continuam bem comportadas, sugerindo que o índice de preços deve permanecer relativamente controlado nos próximos meses.
Contudo, os economistas aumentaram as previsões para a Selic ao final de 2013 em 37pbs, para taxa de 10,75%. A expectativa de expansão do crescimento econômico e taxas de juros mais baixas no curto prazo explicam a necessidade de um aperto mais agressivo no próximo ano.
A visão relativamente benigna da inflação pode ser explicada também pela forte apreciação do real no mercado à vista. O câmbio projetado para 2012 ficou em R$ 1,75/US$ 1 (de R$ 1,80/US$ 1), e para o final de 2013 permaneceu estável em R$ 1,75/US$ 1.
Fonte: Ágora Corretora de Valores e Bradesco Corretora de Valores
José Francisco Cataldo Ferreira, estrategista
















