Diversidade e inclusão

O que não pode faltar na candidatura a um edital de pesquisa apresentado pelo Estado.

Felipe Lobo Mendes Soares (3 de julho de 1984) é uma dessas mentes brilhantes da ciência brasileira, cuja preservação incentivada em laboratórios do país é fartamente negligenciada. Formado em Oceanografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com mestrado em Engenharia Civil, com ênfase em meio ambiente, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele foi admitido no grupo de pesquisa liderado pela Dra. Samantha Siedlecki, na State University of Connecticut (Departamento de Ciências do Mar).

Em entrevista concedida a esta coluna, Felipe declarou que o Estado é conhecido como o mais importante financiador da pesquisa em universidades públicas. Perguntamos então o que não pode faltar na candidatura a um edital de pesquisa apresentado pelo Estado.

“Diversidade e inclusão, sem prejuízo de qualquer outro requisito consagrado de qualidade e rigor metodológicos.” Foi a imediata resposta. Poderia exemplificar?, pedimos. “Sim, tais como pesquisadores qualificados no estabelecimento de hipóteses, indicadores de resultados, métricas e softwares de pesquisa atualizados, entre outros.”

É possível declinar o tema da pesquisa de que você participa?, perguntamos. Resposta imediata: “Sim, o tema é ‘Impacto das mudanças climáticas na pesca e cultivo de frutos do mar’.” Tem a ver com acidificação dos oceanos? “Tudo a ver, são objetos convergentes”, disse ele, no encerramento desta entrevista.

 

Há 10 anos: a carta da Amazônia

Há pouco mais de 10 anos, lideranças, em sua maior parte patronais, reuniram-se em Manaus para discutir cenários potenciais da Amazônia. De lá, a coluna Empresa-Cidadã, de 28/3/2012, bateu tudo. Trechos essenciais do documento final são transcritos a seguir. Para que cada qual possa fazer o exercício de separar o líquido da espuma:

– De 22 a 24 de março, realizou-se o 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus, que teve como tema “Economia Verde e Desenvolvimento Sustentável”. Trata-se de uma iniciativa do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), presidido pelo empresário João Doria Jr, e da XYZ LIVE.

– O fórum “superstar” teve a presença de nomes como o da ex-primeira-ministra da Noruega e ex-presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, Gro Harlen Brundtland, da ativista Bianca Jagger, do diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, e do coordenador executivo da RIO+20, Brice Lalonde.

– Participaram ainda o diretor da marca Osklen, Oskar Metsavaht, o presidente da ONG SOS Mata Atlântica e do LIDE Sustentabilidade, Roberto Klabin, o presidente da Comissão de meio ambiente e desenvolvimento sustentável da Câmara Federal, José Sarney Filho, e o ex-presidente da República FHC.

– O evento teve o patrocínio da Ambev, Bradesco e Coca-Cola e o apoio da Goodyear, Natura, Videolar, Grupo Fleury, Honda Motos, Mapfre, Tetrapak, Yamaha, Banco da Amazônia, EDP, Faber Castell, Fundação Carlos Chagas, Hospital Albert Einstein, Fundação Carlos Chagas, JBSFriboi, Johnson&Johnson, Atento, AVIS, Azul Cargo, Azul Linhas Aéreas, CDN, Central de Eventos, Hotel Tropical de Manaus, Prosegur, TAM Viagens, Wizard, as redes Record e Record News, os portais R7 e Terra, os jornais A Crítica, Brasil Econômico e Prop&Mark, as rádios Band e Band News, a revista América Economia, Editora Spring, Grupo Pão de Açúcar, Nossa Caixa Desenvolvimento e Sabesp.

– Na edição anterior do fórum, em 2011, o tema foi “Sustentabilidade Econômica, Ambiental e Social da Amazônia e do Planeta”, reunindo convidados como o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, o ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, e o diretor de cinema James Cameron. Em 2010, debatendo o tema da “Preservação da Floresta Amazônica e as Mudanças Climáticas”, na primeira edição do fórum, estiveram presentes o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, e o cineasta James Cameron, diretor de “Avatar”.

 

Carta do Amazonas

Ao final do fórum, resultou a Carta do Amazonas, com o seguinte teor:

“Neste ano de 2012, em que a atenção do planeta está focada no Brasil devido à Rio+20, o LIDE firma o compromisso de mobilizar a sociedade brasileira pela aprovação de uma legislação nacional de pagamentos por serviços ambientais, reconhecendo este mecanismo como fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável. Destacamos também, através do Fórum Mundial de Sustentabilidade, outros temas que merecem especial atenção da sociedade brasileira e mundial. São eles:

 

1 – A aprovação de um acordo internacional para implementar o REDD+ como mecanismo de conservação das florestas nativas.

(…)

6 – O reconhecimento de que a atmosfera é um bem comum, compartilhado por todos, e cuja contaminação por gases do efeito estufa e outros poluentes precisa ser drasticamente reduzida, através de um cronograma mundial de metas firmes e compatíveis com a ciência.

7 – O desenvolvimento de uma plataforma ambiental a nível municipal como prioridade, que explicite compromissos a serem assumidos por governantes locais, com especial atenção à universalização do saneamento básico, ao incentivo à construção sustentável e à promoção da educação ambiental e do consumo consciente.

8 – A regulamentação e efetivo cumprimento do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, dando atenção à possibilidade de geração de empregos, através da valorização da cadeia de reciclagem do PET.

9 – O uso das cadeias de valor de produtos da floresta para promover o comércio justo e o desenvolvimento sustentável na base da economia.

10 – A incorporação clara e explícita nas metas de desenvolvimento e respeito aos direitos de futuras gerações a um meio ambiente mais limpo e sadio.

 

Manaus, 24 de março de 2012.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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