Dívida deve ser empregada na retomada econômica

Governo tem cerca de R$ 4 trilhões em caixa: no Tesouro, no BC e em reservas internacionais para pagar gastos financeiros.

O governo dispõe de mais de R$ 1 trilhão no caixa único do Tesouro, além de vários outros recursos que se encontram reservados apenas para o pagamento de uma questionável dívida que nunca foi integralmente auditada. Estes recursos deveriam ser direcionados para combater a epidemia do coronavírus e reanimar a economia, defende a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, Maria Lucia Fattorelli.

O Brasil pode dispor de alguns trilhões de reais para combater o avanço do coronavírus, utilizando recursos do pagamento de juro da dívida pública para financiar medidas de suporte às áreas de assistência social, saúde, educação, e fazer frente à epidemia do Covid19, contabiliza Fattorelli em entrevista à RBA.

A auditora fiscal aposentada da Receita Federal explica que o governo gastou R$ 1 trilhão em dez anos para remunerar bancos diariamente. “E ainda tem cerca de R$ 4 trilhões em caixa: no Tesouro, no Banco Central, em reservas internacionais, mas tudo isso está reservado mais uma vez para os privilegiados gastos financeiros com a dívida pública”, afirma. “Deveria destinar parte dessa montanha de recursos para minorar as consequências da pandemia do coronavírus”, disse Fattorelli, que defende uma auditoria imediata da dívida pública, conforme determinou a Constituição de 1988, mas que nunca foi feita.

A auditora aponta também para os contratos de swap cambial: “São dezenas de bilhões de reais de prejuízos do Banco Central com contratos de swap, que são pagos com recursos orçamentários ou nova dívida. E todos esses recursos também poderiam destinar-se ao atendimento das necessidades sociais”.

Redução dos juros a zero é outra medida cobrada por Fattorelli. “Até o banco central norte-americano (Fed) já reduziu os juros a zero e injetou US$1,5 trilhão na economia dos EUA. Aqui estamos enfrentando recessão há anos, e é preciso adotar medidas drásticas em relação ao privilégio do capital financeiro.”

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