Dívida pública sobe com remuneração de sobra de bancos

Auditoria Cidadã mostra que o aumento do débito é transferência de riqueza, não financiamento do combate à Covid-19.

Fatos e Comentários / 17:46 - 5 de ago de 2020

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Na primeira metade do ano, a dívida pública cresceu mais de R$ 600 bilhões. A grande mídia diz que a causa foram os gastos para enfrentar a pandemia. “Na verdade o crescimento se deve principalmente ao aumento das operações compromissadas (operações de remuneração da sobra de caixa dos bancos, cujo estoque aumentou R$ 434 bilhões), incidência de juros sobre a dívida (R$ 112 bilhões) e o aumento da dívida externa medida em reais (R$ 64 bilhões), principalmente devido à desvalorização do real, conforme pode ser visto na tabela 20 do arquivo disponível na página do Banco Central”, explica a Auditoria Cidadã da Dívida.

A entidade diz que se tenta criar a narrativa de que os grandes bancos e investidores é estariam financiando o combate à pandemia, quando na realidade estes gastos estão sendo feitos principalmente com a utilização da Conta Única do Tesouro, que dispõe de cerca de R$ 1 trilhão. “Os bancos, na realidade, estão sendo privilegiados, pois receberam R$ 1,2 trilhão para emprestar a pessoas e empresas, mas preferiram dificultar os empréstimos e destinar sua sobra de caixa para o Banco Central, que lhes premia remunerando esta montanha de dinheiro.”

O aumento da dívida pública (e a sua remuneração pelo Estado com juros) devido a estes mecanismos financeiros – e não para a realização de investimentos sociais – significa a transferência de dinheiro (e consequentemente, riqueza) da população que trabalha para os capitalistas rentistas”, ensina a Auditoria Cidadã.

 

Ao vivo

Para o recém-eleito presidente da Associação Nacional dos Desembargadores (Andes), Marcelo Buhatem, as audiências virtuais não podem ser a solução para o “novo normal” do Judiciário. Ele defende que há um lado humanizado nos julgamentos que se perde com a tecnologia. Buhatem cita como exemplo a empatia e tranquilidade que um magistrado pode transmitir no “olho no olho”, mas que não é captada por uma tela de computador.

 

Cestas verdes

O Centro Educacional José de Paiva Netto recebeu, do parceiro Mesa Brasil Sesc RJ, 2,2 toneladas em cestas verdes para serem entregues às famílias residentes nas comunidades no entorno da Escola da LBV, no rio de Janeiro. A iniciativa também beneficiou moradores atendidos por projetos nas Comunidades do Complexo de Manguinhos.

O Mesa Brasil é um programa de segurança alimentar e de combate à fome e o desperdício. A gente tira de onde está sobrando e doa para quem está precisando. Nós doamos para as instituições cadastradas, que, no caso, uma delas é a Legião da Boa Vontade. Essas doações vieram de parceiros como Unacoop, o Mesa do Campo, um projeto de Nova Friburgo”, declara Cristine Ravizzini, nutricionista do Mesa Brasil Sesc RJ.

 

Bom negócio?

O BNDES vendeu papéis da Vale, o maior bloco de ações já ofertado na América Latina, por R$ 60,26 cada. Dois dias após, valia R$ 62,19, alta de 3,2%. Bolsas sobem e caem, mas a tendência das mineradoras é de alta: o minério subiu 7% em 2 dias e ruma para alta de 10%.

 

Rápidas

O Projeto Inovação no Metal Mecânico Fluminense, promovido pelo Sebrae Rio com o apoio do SIMME, recebe inscrições até esta sexta-feira *** Alexandre Silva, presidente do Conselho de Administração da Embraer, é o convidado especial do Mesa ao Vivo deste mês, nesta quinta, 17h, no Youtube *** Nesta quinta, às 18h, o arquiteto e urbanista Roberto Anderson, ativista social do Coletivo A Liga, conversa com Eduardo Ávila, economista e diretor executivo do projeto Revolusolar, sobre energia solar nas favelas. No Facebook @roberto.anderson.9 *** O projeto “Quintas Filosóficas”, do escritório Rubens Naves Santos Jr. Advogados, realizará nesta quinta, a partir das 14h, debate sobre o que podemos aprender com a pandemia, com o advogado e professor de Filosofia Gabriel Chalita e o advogado Guilherme Amorim. Pelo Youtube ou Facebook *** Faleceu na manhã desta quarta-feira Leila, esposa de Antonio Pietrobelli, titular da coluna Negócios Internacionais no Monitor Mercantil. Toda a equipe do jornal se solidariza com Pietro neste momento difícil.

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