Do ponto aonde chegamos, dá para prosseguir?

A burguesia norte-americana não cabe inteira em Marte.

A introdução de práticas de responsabilidade socioambiental (RSA) no ambiente empresarial corporativo foi responsável por algumas mudanças na papelaria das empresas e no credo corporativo de algumas delas.

A expectativa de representarem essas novas práticas (nem sempre tão novas assim), saudadas por muitos, como se fossem a redenção do modo capital industrialista de produção no que tem de mais perverso – a exclusão e a concentração da renda e da riqueza – além da contenção das mudanças climáticas, colocou um bloco de otimistas na rua nos primeiros dias desse pré-carnaval, tão logo se fizeram ouvir os primeiros sons da batida dos surdos de marcação e os primeiros roncos da cuíca.

Alguns reveses também foram sentidos (e como…), a exemplo da matéria “The Good Company”, publicada na revista inglesa com circulação mundial no meio dos negócios The Economist, de 22 de janeiro de 1984, umas das primeiras pitadas de ceticismo em relação ao alcance das (novas) práticas empresariais, compensados por sucessos impactantes, como os documentários Super size me (dirigido por Morgan Spurlock) e The story of stuff (produzido, dirigido e apresentado por Anne Leonard).

As práticas da RSA tiraram-nas da relação das maravilhas curativas e as recolheram à caixa de ferramentas da Administração de empresas, assim como aquelas propostas por F. W, Taylor (Administração científica; Tempos e movimentos), referenciada por W. Fayol (Clássicos e controle), H. Ford (linha de produção), F. Gilbreth (estruturação), M. Weber (Organização Burocrática), R. E. Olds (linha de produção), Bares (Organização burocrática) E Deming (Qualidade, garantia de repetição do sucesso) e muitos mais,

A RSA deixou-se encantar. Pelo marketing, pelas vendas, pelo faturamento e por outros. Precisa retomar a sua órbita original, muito mais do que fazer pequenas correções de curso.

Nos debates da campanha presidencial de 1982, com bom humor, Leonel Brizola disse certa vez que a burguesia brasileira não cabia em Miami. Portanto, era preciso resolver as questões daqui, já que esta rota de fuga não existia.

A sonda espacial Perseverance, enviada pela Nasa a Marte, que pousou suavemente no Planeta Vermelho, em 18 de fevereiro deste ano, começou recentemente a enviar sinais que significam a possibilidade de que haja água abundante em Marte. Parodiando o Leonel Brizola de 1982, diria que, mesmo com toda esta água, a burguesia norte-americana não cabe inteira em Marte. É preciso resolver as questões socioambientais daqui.

Feliz Natal.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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