Dois para trás

     
          Os dados sobre o emprego industrial de novembro permitem uma visão do impacto da crise neste setor. “Para se ter uma idéia, mesmo que daqui para a frente o emprego industrial reproduza mês a mês o forte desempenho de novembro (1,1%), o nível de ocupação do período pré-crise (setembro de 2008) somente será alcançado em abril de 2010, 19 meses após a crise ter se apresentado na indústria brasileira. É como se o setor operasse quase dois anos tentando ir à frente, mas voltando ao mesmo lugar”, lamenta o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Quem teme a Argentina?
Em 2001, com o país quebrado pela aventura neoliberal, a Argentina decretou a moratória de uma dívida externa de US$ 81 bilhões com credores privados. Desse total, US$ 62 bilhões foram renegociados, com forte deságio que reduziu o valor para US$ 35 bilhões. O afrouxamento do garrote imposto pelo pagamento da dívida e dos juros permitiu à Argentina, para incômodo dos defensores de países submissos às políticas do FMI, ganhar fôlego para voltar a crescer, mantendo um longo período de avanço do PIB na casa de dois dígitos.
Com a retomada do crescimento, o país, agora, pode se permitir abrir a renegociação com o pequeno grupo de credores que se excluíra das negociações de 2001. Nesse sentido, sinalizou com o pagamento de parte do débito, recorrendo para isso a uma pequena fatia das suas reservas internacionais. Emblematicamente, porém, os mesmos que se mostraram incomodados com a moratória, agora, criticam a destituição do sublevado presidente do Banco Central da Argentina, Martín Redrado, pela presidente Cristina Kirchner, justamente por querer impedir que, ao voltar a pagar o débito, a Argentina volte a ter acesso a mecanismos de crédito internacional.
Ou seja, não se trata apenas da defesa de princípios ortodoxos, mas de mal disfarçada tentativa de inviabilizar um governo que ousou romper com as políticas que capturaram os projetos de desenvolvimento da região. Nessa empreitada, agrupam-se oposição partidária conservadora, mídia financista e setores mais reacionários do Judiciário.

Novidades
“O Simples Nacional” é tema da palestra que o secretário-executivo do Comitê do Gestor do Simples, Silas Santiago, fará no Rio nesta quinta-feira. Organizado pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon-RJ), o evento abordará as perspectivas para 2010, alterações na legislação e as novas atividades que se enquadram no Simples. Inscrições, gratuitas, pelo site www.sescon-rj.org.br

Ausentes
Mais de 75% dos jovens com menos de 30 anos não votam no Chile. Foram 1,8 milhão que não se inscreveram para votar quando a atual presidente, Michelle Bachelet, foi eleita em 2005, além dos 260 mil eleitores de 18 a 24 anos que votaram em branco ou anularam seus votos. “É algo mais do que desinteresse generalizado: é um afastamento drástico e massivo do sistema político”, teoriza o ex-prefeito do Rio e ex-exilado no Chile Cesar Maia. “A transição foi uma transação, um acordo de cima, entre as elites. Isso causou uma enorme alienação da juventude chilena”, diz Maia, sobre a transição da ditadura para uma democracia limitada.

Sem mídia
A dengue matou somente na Bahia, ano passado, mais do que a gripe A em todo ao país.
     
     

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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