Dois pesos

Enquanto defendem o mercado livre nos outros países, os Estados Unidos continuam sua escalada protecionista. Ontem, foi a vez de o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil de Confecção (Abit), Paulo Skaf, colocar a boca no trombone contra as restrições às exportações de toalhas de banho para os EUA. Segundo Skaf, em apenas seis meses, os empresários brasileiros já atingiram a cota de 38,5 milhões de unidades impostas pelos norte-americanos para todo o ano: “É preciso acabar definitivamente com o protecionismo norte-americano”, cobra Skaf, que, pela amostra no seu setor, deve ter uma noção do que representaria a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Saco sem fundo
Com o país caminhando a passos acelerados para a insolvência, a equipe econômica corre para transformar a prorrogação do acordo FMI num fato consumado a ser empurrado goela abaixo do novo governo, mesmo – e principalmente – se for eleito em oposição aos resultados da aplicação das políticas do fundo. Para fechar as contas deste ano e garantir liquidez para a retirada de dólares do país, já se fala em novo empréstimo de até US$ 20 bilhões.
Mais uma vez, esta coluna repete advertência feita no último dia 19 de junho de que, ano passado, o empréstimo de US$ 4,250 bilhões do FMI virou pó em apenas quatro meses. Esse total praticamente empatou com as perdas das reservas entre outubro e dezembro do ano passado, que fizeram o país esterilizar US$ 4,179 bilhões com pagamento de juros e principal. Além disso, esse número correspondeu a 56,5% da sangria sofrida pelas reservas internacionais do país em 2001, que chegou a US$ 7,382 bilhões.

No ar
Com uma produção de 20 aeronaves por mês e os negócios em expansão, a Embraer vai precisar de 1.400 engenheiros aeronáuticos até 2006. A previsão otimista está no Jornal da Unicamp, de 29 de julho a 4 de agosto (www.unicamp.br). Para conseguir estes profissionais, a empresa quer firmar parcerias com universidades para a formação de engenheiros eletricistas, mecânicos, químicos e civis. A Unicamp já mostrou interesse no assunto.

Sem gás
Estudo do LatinPanel, empresa dos grupos Ibope, Taylor Nelson Sofres e NDP, especializada em pesquisa de consumo, aponta um crescimento de 16%, em volume, do mercado de água engarrafada. Em faturamento o setor movimentou, nos 12 meses encerrados em maio, R$ 385,4 milhões, ante os R$ 304,3 milhões do ano anterior.
A pesquisa mostra que o índice de penetração do produto nos lares brasileiros saltou de 32%, em abril de 2001, para 36,1% em abril passado. A região do Grande Rio de Janeiro foi a de maior incremento, com um salto do índice de penetração de 21,7% para 34,6%. A água sem gás tem domínio total: 99,1%.

Sem tratamento
Ao contrário da maioria dos produtos, o maior mercado de água engarrafada está nas regiões Norte e Nordeste, com 48% de fatia, percentual quase quatro vezes maior que o ocupado pelo segundo colocado, que é a região da Grande São Paulo, com 14%. Fácil de explicar: falta água tratada naquelas regiões.
O perfil da classe econômica que consome água engarrafada no Brasil parece confirmar essa dedução: menos da metade (41%) são das classes A/B; 33% são da classe C e 25% pertencem às classes D/E.

Dossiê latino
Depois das confissões tardias de que Domingo Cavallo e Carlos Menem mantêm contas em paraísos fiscais, e das declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O”Neill, aguarda-se novas revelações em outros países da região. Afinal, o florescimento de dólares no exterior em nome de locais é um dos principais corolários da implementação das “reformas” empreendidas na América Latina.

Hiena
Recordar é viver. Do presidente FH em outubro de 1995: “Quando alguém me fala de recessão, eu tenho vontade de dar uma gargalhada.” Sete anos depois é o país que chora.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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