Dois pontos

Otimista com a evolução da exportação de manufaturados em 2000 – crescimento de 22,1% no primeiro semestre sobre igual período de 99, contra alta de 17,5% nas vendas externas brasileiras de modo geral – o analista Eduardo Freitas, do Unibanco, aponta, porém, um fato que recomenda cautela: as 40 maiores empresas exportadoras são responsáveis por 60% do total das vendas. Esta coluna acrescenta dois outros fatos preocupantes. Um é que, das 14 maiores empresas exportadoras, pelo menos sete são multinacionais ou têm seu centro de decisões no exterior; ou seja, se for mais lucrativo produzir e exportar de outro país, a mudança se dá independentemente da necessidade do Brasil. Segundo fato a se pesquisar é o aumento de importações que possibilitam a produção e posterior venda de manufaturados.

Sem opinião
As pesquisas para prefeito divulgadas até agora escondem fatos interessantes: mais de 60% do eleitorado não sabem em quem votaria ou votaria em branco. E 40% dos que aceitam indicar um nome, a partir de uma lista apresentada pelo instituto de pesquisa, admitem que sua escolha não é definitiva. Em resumo, muito água vai rolar até as eleições, apesar de alguns setores da mídia divulgarem as pesquisas como tendência definitiva.
Nem cheira
No Rio de Janeiro, outro ponto interessante é que 48% dos entrevistados pelo Ibope avaliam a administração Conde como regular.

Miçangas
A missão comercial da Flórida que esteve em São Paulo em julho foi a mais bem sucedida já realizada por empresários do estado norte-americano ao exterior, noticiou o jornal The Sun Sentinel. Eles prevêem um aumento de US$ 65 milhões nas vendas do estado ao Brasil no próximo ano. O país é o maior parceiro comercial da Flórida. O intercâmbio já representa US$ 8 bilhões por ano e cerca de 50 empresas brasileiras, desde bancos a fabricantes de suco de laranja, operam na capital latino-americana nos EUA.

Nova tentativa
Após esbarrar em resistências do público brasileiro, a América Online (AOL) está tentando levantar dinheiro no mercado para financiar seus gastos para atrair assinantes no Brasil e entrar no México e Argentina, segundo a Bloomberg News. O jornal americano The Boston Globe publicou na quarta-feira que a AOL Latin America reduziu o preço de sua oferta pública de ações quase pela metade para persuadir investidores céticos a comprarem papéis que combinam a volatilidade da Internet com os riscos dos mercados emergentes.

Fantasma
Quem assistiu quarta-feira à noite à entrevista do ex-presidente Fernando Collor a Marília Gabriela, na Rede TV!, ficou com a nítida impressão de que, após tanto repetir a desculpa de que sofreu impeachment porque, com seu programa de escancarar o país aos importados,  contrariou as elites, elle passou a acreditar nisso. Aliás, ouvindo o envelhecido Collor falar, parece até que foi elle quem “inventou” a Internet.

Desastre
A pandemia de Aids na África Subsaariana já matou 3,2 milhões de crianças e adolescentes até 15 anos e a previsão é de que, se nada for feito, até 2010 as atuais taxas de mortalidade infantil nos países afetados aumentarão 75%. A expectativa de vida poderá cair para 30 anos. Outro números estarrecedores, publicados pelo boletim Solidariedade Ibero-americana: na Zâmbia, a distribuição de coquetéis contra a doença a toda população infectada representaria um custo equivalente a 76% do PIB do país; mensalmente nascem 5 mil bebês com vírus HIV na África do Sul; no Zimbabwe a Aids mata 1,2 mil pessoas por semana; até 2005, o PIB dos países da região Subsaariana da África cairá 14% devido à pandemia. O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela classificou a situação de “uma tragédia de proporções sem precedentes” e “uma das maiores ameaças já enfrentadas pela humanidade, certamente a maior depois das grandes guerras deste século”.

Herança
Desde 1994 o passivo externo líquido brasileiro cresceu pelo menos em US$ 136 bilhões. A um custo médio de 10% ao ano, representa um aumento de US$ 14 bilhões anuais na conta de serviços brasileira. Se antes de FH, Malan & Cia. o país precisava de um superávit na balança comercial de US$ 10 bilhões para zerar o déficit em conta corrente, hoje precisaria de US$ 24 bilhões. Os dados são de Eduardo Freitas, em análise para o Panorama Econômico do Unibanco.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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