Por Erick Matheus Nery, especial para o Monitor Mercantil
Estabilidade é uma palavra que não é “sinônimo” de dólar, tanto que a moeda norte-americana é monitorada constantemente pelos analistas do mercado financeiro. E, além dos investimentos, o câmbio também impacta o dia a dia das pessoas, seja no preço dos alimentos ou nas taxas de juros. Assim, torna-se necessário que todos acompanhem essas oscilações.
Porém, entender esse movimento complexo é a maior dificuldade para os investidores, de acordo com os especialistas ouvidos pelo Monitor Mercantil. “Por si só, o dólar tem uma dinâmica que acaba afetando o contexto de inflação e, consequentemente, pode acabar impactando a rentabilidade dos títulos de renda fixa”, aponta Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Dessa forma, o profissional explica que quando ocorre um movimento intenso de alta na moeda norte-americana aparece um “efeito mais nocivo” para a economia nacional, devido a uma elevação dos preços, o que pode gerar impactos nos juros.
“No caso da renda variável, o impacto dessa oscilação é negativo para as empresas que têm boa parte das suas despesas atreladas ao dólar. Então, quando temos a moeda mais elevada, temos um impacto negativo no caixa e a percepção de lucro dos investidores tende a diminuir. Do outro lado, temos empresas que são beneficiadas, pois mantém custos em reais e vendem seus produtos em dólar, como a Suzano e a Klabin”, complementa Lima.
Caio Fasanella, head de Investimentos da Nomad, recorda que os impactos do dólar na nossa economia são diretos devido à ordem de grandeza do investimento internacional no País, tanto na Bolsa como em questões estruturais.
“Esses ciclos macroeconômicos influenciam diretamente no apetite dos investidores. Então, se a gente caminha para um País mais estável, que tem uma situação econômica mais controlada e uma perspectiva econômica de longo prazo, conseguiremos mais investimentos”, projeta.
“Por outro lado, viemos de um cenário recente que era de aversão ao risco, devido à pandemia do Covid-19, quando a inflação ficou mais alta no mundo inteiro e os investidores foram para as economias mais seguras, como a dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, estamos em uma caminhada legal aqui no Brasil, tendo feito essa lição de casa”, acredita Fasanella em alusão aos últimos movimentos econômicos do governo.
Um dólar equivale a quantos reais?
Em meio a essas oscilações constantes, um dólar equivale a cerca de R$ 5 atualmente. Porém, situações como a Guerra em Israel ou a discussão sobre o teto da dívida norte-americana têm potencial de mudar essa cotação para cima ou para baixo.
“O comportamento do dólar em relação à Guerra em Israel pode variar e é influenciado por vários fatores como, por exemplo, questões geopolíticas e de riscos globais, onde os conflitos e tensões em uma região importante geopoliticamente, como o Oriente Médio, podem levar a uma busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar norte-americano”, analisa Fabrício Gonçalves, CEO da Box Asset Management.
O especialista ressalta que a reação da moeda também depende da percepção dos investidores sobre como o conflito pode afetar a economia norte-americana. “No mercado de commodities, o dólar pode ser influenciado pelo impacto do conflito na produção e distribuição destes itens, pois o Oriente Médio é uma importante região produtora de petróleo”, diz Gonçalves.
Fasanella relembra que não existe uma ciência exata em torno do dólar, tanto que em casos como a discussão do teto da dívida norte-americana, o mercado acaba protagonizando um movimento contra intuitivo de fortalecimento da moeda.
Por outro lado, quando ocorre a valorização da moeda norte-americana e, assim, a desvalorização do real, o impacto na economia brasileira é “muito alto”, segundo o líder da área de investimentos do banco digital.
“Quando olhamos a cesta de produtos do IPCA, por exemplo, o impacto do dólar é muito grande em vários itens, direta ou indiretamente. Na cadeia de produtos alimentícios, o impacto é mais indireto, vem dos produtos que estão influenciando o agronegócio que, por vezes, são importados e tem o efeito do dólar. Sofremos aqui no Brasil com os efeitos relacionados à inflação por conta da volatilidade da moeda, que está diretamente associada a panoramas macroeconômicos que estamos vivendo e que encontram-se voláteis”, comenta Fasanella.
Devo comprar dólar?
Graças a esse cenário, todo o custo de vida no Brasil é impactado pelo dólar. Assim, ter ativos dolarizados em uma carteira de investimentos protege o patrimônio do investidor.
“Em um cenário extremo de desvalorização do câmbio, a gente perde o poder de compra e essa parcela protege em dólar protege. Agora, para as pessoas que querem viajar para o exterior ou que desejam se mudar para lá, isso torna-se mais gritante ainda”, reforça Fasanella.
Para quem deseja comprar dólar hoje, um dos indicadores para verificar o melhor momento de adquirir a moeda é acompanhar o Boletim Focus, divulgado toda segunda pelo Banco Central (BC). Ou seja, quando a moeda estiver abaixo do parâmetro do Focus, é um indicativo de que vale a pena comprar dólar naquela ocasião.
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