Dominó Pateta

A crise provocada pelo estouro da “bolha” imobiliária dos Estados chegou à Disney, em Orlando. Com o consumidor norte-americano descapitalizado devido à forte alta dos valores das prestações das suas casas, os parques andam vazios. A redução do número de visitantes também replicou na ocupação de hotéis em cidades próximas, como Miami. Em alguns hotéis, como o Sunshine Resort, dos 120 apartamentos, apenas cerca de 30% estão ocupados.

Brasil espirra…
Segundo brasileiros que trabalham em hotéis em Miami, o problema da pouca ocupação foi agravado pela crise aérea no Brasil, que afastou o brazucas do parques da Disney: “Você não sabe como tem brasileiro por aqui. Isso aqui vivia cheio de brasileiro. Com a crise aérea, eles sumiram”, lamenta a funcionária de um hotel de Miami.

Pane seca
Nos últimos 25 anos, denuncia o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, não foi construída uma única refinaria no país. No primeiro semestre de 2007, o México teve de importar 40% da gasolina consumida, a um custo que, a cada dois meses, equivale ao de uma refinaria nova. Segundo o candidato derrotado nas eleições presidenciais – em um pleito para lá de contestado – se a situação não mudar, “em 2010, o valor das importações de gasolina irá superar o das exportações de petróleo cru”.

Vizinho
Obrador, informa o boletim eletrônico Resenha Estratégica, denuncia que o México se encontra diante de uma crise econômica iminente e prisioneiro de dogmas que o deixaram sem rumo. O ex-prefeito da capital pinta com cores fortes a vulnerabilidade do país diante da instabilidade financeira global e da fragilidade econômica dos Estados Unidos, destino de 90% das exportações do país. Segundo ele, as políticas públicas das últimas duas décadas, mantidas pelo governo de Felipe Calderón, estão prejudicando a competitividade da economia nacional e aprofundando o déficit na balança de pagamentos, principalmente, devido ao enfraquecimento deliberado do setor energético.

Mito revisitado
“Dizer que a Previdência Social teve déficit de R$ 42 bilhões, em 2006, faz tanto sentido quanto dizer que um cidadão com três empregos está no vermelho, porque o salário de um deles não cobre todos os seus gastos.” A comparação, em forma de ironia, é do jornalista, ex-servidor do INSS e pesquisador em Seguridade Social Henrique Júdice Magalhães. Em artigo na página eletrônica do Correio da Cidadania, intitulado “Previdência (1): O déficit que não existe e outras mentiras”, Magalhães observa que o resultado do alegado déficit se restringe à diferença entre a arrecadação das contribuições sobre a folha de salários e o gasto com pagamento de benefícios.
Mas relembra que essas contribuições não são as únicas fontes de financiamento da Previdência. E acrescenta que a Previdência perde arrecadação devido a isenções concedidas pela União a setores como pequenas empresas, entidades filantrópicas e exportadores.

Conta incompleta
Magalhães recorda que, em fevereiro, o próprio Ministério da Previdência e Assistência Social mudou a forma de calcular o resultado previdenciário, passando a incluir como receita do INSS o valor que o instituto deixa de arrecadar com as isenções fiscais: “Por esse critério, o déficit cai pela metade. Mas essa tampouco é a maneira correta de calcular o resultado da Previdência”, salienta o pesquisador.
Ele lembra que, apesar da mudança, o ministério ainda não considera a arrecadação de Cofins, CSLL e CPMF – tributos destinados constitucionalmente à Seguridade Social: “A professora Denise Gentil, do Instituto de Economia da UFRJ, faz a conta considerando essas receitas. O resultado é um superávit de R$ 1,25 bilhão em 2006. O INSS tem, ainda, um crédito de R$ 156 bilhões a receber de empresas sonegadoras, de acordo com estimativas da Advocacia Geral da União (AGU)”, finaliza Magalhães.

A favor de quem?
“Sou favorável a todo reajuste salarial para os trabalhadores” A proclamação de princípios foi feita pela líder do PT na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputada Inês Pandeló. A declaração, no entanto, não engaja a petista na defesa de um aumento menos magro para o funcionalismo do que os 4% oferecidos pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), à categoria. Antes, serve como uma tentativa de justificar o voto favorável à proposta de Cabral e contra o funcionalismo, antiga base do PT pré-Lula no poder. Na oposição, o PT tinha retórica menos enviesada.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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