Donna Summer, Rita Lee e a 34ª Bienal, imperdíveis

Por Paulo Alonso.

Depois de estrondoso sucesso de crítica e de público na Broadway, “Donna Summer Musical” está em cartaz no Teatro Santander, em São Paulo, com direção irretocável de Miguel Falabella e estrelado por Karin Hils, Jeniffer Nascimento e Amanda Souza, que vivem a cantora norte-americana em três fases da sua vida, na pré-adolescência, no auge do sucesso e nos seus 50 anos.

Com texto original de Colman Domingo, Robert Cary e Des McAnuff, o musical narra vários períodos da eletrizante vida de Donna, os amores tempestuosos e os sucessos que marcaram a história da música mundial.

“I feel love”, “Love to love you baby”, “MacArthur Park”, “On the Radio”, “Bad Girls”, “She works hard for the money”, “Hot Stuff” e “Last Dance” são alguns dos hits que empolgam a plateia durante a apresentação desse espetáculo, rico em cores, movimentos, cenários e talento dos atores. Todas essas canções ainda tratam de temas como racismo, igualdade de gênero e empoderamento feminino. Um musical atualíssimo e simplesmente imperdível, pela qualidade cênica e, sobretudo, pela oportunidade que se tem de conhecer, por meio das interpretações, a vida dessa artista, falecida de câncer, em 2012.

Três belas atrizes dão vida a essa lenda da música disco. Jeniffer Nascimento interpreta Donna Summer no auge da carreira. Talentosa, venceu o reality show musical Popstar, apresentou o The Voice Brasil e fez várias novelas na TV Globo, como “Malhação”, “Êta Mundo Bom” e “Pega Pega”. Desempenha com brilhantismo Donna Summer, além de ser uma notável cantora, com potencial de voz muito próximo, inclusive, ao da homenageada. Já a atriz e cantora Karin Hills, conhecida por ter integrado a banda Rouge, interpreta Donna nos seus 50 anos, ainda no topo das paradas de sucesso. E a atriz-revelação Amanda Souza encarna Donna em sua juventude, com grande desenvoltura. As três, juntas ou separadas, apresentam um domínio de palco espetacular e encarnam Donna Summer de forma sublime.

O musical traz à cena outros números espetaculares. São três atrizes principais e 23 atores e bailarinos no elenco, um cenário de 260m² cheio de espelhos e muitas luzes e um figurino com mais de 50 perucas e 200 peças.

Uma das maiores e mais carismáticas artistas da história da música contemporânea, com uma voz de alcance invejável, Donna Summer foi uma cantora respeitada em todo o mundo por sua história e enorme talento, tendo recebido os títulos de “Rainha da Disco Music” e “Rainha da Dance Music”. Em toda sua carreira, ganhou 5 prêmios Grammy, vendeu mais de 200 milhões de discos e foi a primeira artista a ter três álbuns duplos consecutivos a atingir o primeiro lugar nas paradas da Billboard, nos Estados Unidos. Em 1978, a artista ainda ganhou um Oscar de Melhor Canção Original com o single “Last Dance”, da trilha sonora de “Até que Enfim é Sexta-Feira”.

Dona de uma voz única, Donna Arian Gaines nasceu, em 1948, em Boston. Seu talento começou aos 10 anos, quando cantou pela primeira vez em público em um coral de igreja. Aos 19 anos, foi morar na Alemanha e participou da montagem do musical “Hair”.

Em 1974, casou-se com o autor austríaco Helmuth Sommer, e mesmo depois do divórcio manteve o sobrenome dele, modificando-o para Summer. O primeiro grande sucesso da diva nos Estados Unidos foi “Love to Love You Baby”, que ela lançou com os produtores Giorgio Moroder e Pete Bellotte, com quem já tinha gravado vários sucessos na Europa.

Conhecida por sua voz versátil, Donna passeou por várias sonoridades, como rock, pop, new age, funk, R&B e dance music eletrônica.

Ela faleceu em 2012 e, um ano mais tarde, conquistou seu espaço no Hall da Fama do Rock and Roll.

Outra grande atração está sendo exibida no Museu da Imagem e do Som, na mesma São Paulo. Trata-se de uma homenagem a Rita Lee, que festeja seus 50 anos de carreira. A exposição reúne preciosidades da vida de Rita Lee, um dos maiores nomes do rock nacional, hoje com 73 anos. A cantora é capricorniana acumuladora e, justamente por essa razão, permite que o público possa conhecer uma quantidade enorme de objetos que integra o acervo dessa exposição. No passeio pelas alas da mostra, os fãs vão tendo contato com a história da artista, observando seus óculos; seus figurinos vibrantes e ousados; assistindo a vários clipes; lendo os rascunhos das letras das músicas que compunha; se confrontando com seus instrumentos, inclusive o piano que era na mãe e no qual teve lições com a pianista Magdalena Tagliaferro; guitarras; vendo fotos, muitas delas bizarras e na companhia do marido Roberto de Carvalho e de outros grandes da música, como Gilberto Gil; exemplares dos vários livros publicados, dentre outros objetos. Nos caderninhos expostos, estão as criações de grandes músicas como “Cor de rosa” e “Doce vampiro”. Tem também figurinos icônicos, como o usado na capa do disco “Lança-perfume”, em 1980.

Essa exposição histórica sobre Rita Lee teve todo o material original selecionado pela própria artista e por João Lee, seu filho e curador da exposição. Essa mostra apresenta um panorama da carreira e da vida de Rita, uma das artistas mais relevantes e plurais do Brasil. Composta por centenas de itens originais, a exposição percorre a história da Rainha do Rock, em 18 áreas temáticas, com cenografia assinada por Chico Spinosa e direção artística de Guilherme Samora, estudioso do legado cultural de Rita.

Um cantinho especial da exposição marca a transição de Rita, de loira, na época dos Mutantes, para a ruiva, que a gente conhece até os dias atuais. Essa transformação aconteceu em Londres, no início dos anos 1970. Rita pintou o cabelo, foi até uma loja, colocou umas botas, experimentou, amou, inclusive as botas são superimportantes para ela até hoje, e de lá saiu para conquistar o mundo. Essas botas prateadas e de salto altíssimo também estão na expo, protegidas por uma moldura de acrílico e iluminadas.

O público pode – e Rita Lee pede – deixar bilhetes ou cartinhas para ela em uma urna, com a promessa da artista de ler tudo, pois “adora cartas de amor”. E é assim que ela entende a relação do seu fiel público com ela, no decorrer de cinco décadas de estrada.

A cantora está isolada, em tratamento contra um câncer de pulmão e não foi à exposição, mas acompanha o seu desenrolar. Ainda assim, Rita Lee fez questão de participar de todas as etapas da exposição.

Pensando a obra de arte como algo permeável às relações que estabelece com aquilo que a circunda, e não como algo cristalizado, a 34ª Bienal de São Paulo está sendo apresentada no Parque do Ibirapuera, e foi concebida para se expandir no espaço – estendendo-se por meio de parcerias com 25 instituições culturais da cidade – e no tempo – com a realização, no Pavilhão da Bienal, de exposições individuais e performances que antecederiam a mostra coletiva. Com curadoria geral de Jacopo Crivelli Visconti e equipe curatorial composta por Paulo Miyada (curador adjunto) e Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez (curadores convidados), a 34ª Bienal de São Paulo é intitulada Faz escuro, mas eu canto, verso do poeta amazonense Thiago de Mello, publicado em livro homônimo do autor, em 1965. Em sua obra, o poeta fala de maneira clara dos problemas e das esperanças de milhões de homens e mulheres ao redor do mundo: “A esperança é universal, as desigualdades sociais são universais também (…). Estamos num momento em que o apocalipse está ganhando da utopia. Faz tempo que fiz a opção: entre o apocalipse e a utopia, eu fico com a utopia”, afirma o escritor.

Pelos cinco andares da Bienal, podem ser observadas obras de artistas como Paulo Kapela, Juraci Dórea, Antonio Dias, Lygia Pape, Lazar Segall e Frederick Douglas, dentre outros igualmente talentosos e sempre surpreendentes.

O musical em homenagem a Donna Summer, a exposição sobre Rita Lee, que comemora meio século de carreira, e a 34ª Bienal de São Paulo são algumas das muitas atrações que a Cidade está oferecendo aos amantes da cultura.

São Paulo está voltando aos poucos à normalidade, mas observando as restrições sanitárias, depois de quase dois anos no enfrentamento da pandemia. O público, com máscaras, álcool gel e certificado de vacina, já está circulando pela cidade e, assim, ampliando seus horizontes culturais, visitando exposições e mostras, divertindo-se.

Paulo Alonso, jornalista, é reitor da Universidade Santa Úrsula

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