Dores do cartão de crédito

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Os cartões de crédito fidelidade prometem bônus com troca de brindes, prêmios e milhagens, mas podem prejudicar financeiramente os clientes se não forem tomadas determinadas cautelas na administração dos recursos.
A febre por cartões de crédito no Brasil em virtude das facilidades propostas por instituições financeiras, que vão desde a redução até a isenção das taxas de administração, estão crescendo significativamente. Só que, junto com isso, também aumentou a inadimplência nos últimos anos.
O pagamento da parcela mínima em uma prestação, refinanciando o restante, é uma política que deve ser abolida pelo cliente, pois as taxas de juros são altas em virtude da facilidade e do risco da instituição financeira deixar de receber o crédito.
O fato limitador, que poderia ser o limite de crédito no cartão a cada operação que o cliente faz e, dependendo da postura, em pagar em dia suas parcelas, é aumentado sem mesmo autorização do próprio cliente.
As taxas de juros vinculadas às instituições financeiras estão, em média, em 237,9% ao ano e 10,68% ao mês. Se for analisado com o rendimento da caderneta de poupança, que paga na média 0,7% ao mês, representaria a remuneração mínima de 14 meses. Ou seja, pagamos pela facilidade juros absurdos no crédito rotativo.
Em uma compra parcelada de R$ 1 mil, em dez parcelas de R$ 100, se o cliente, no primeiro mês, pagar a parcela mínima de R$ 20 e quiser parcelar o resto em dez vezes, pagará o valor de R$ 13,40 por mês e o total de R$ 134. Ou seja, pagará somente sobre o valor de R$ 80 juros de R$ 54.
A situação que ainda é pior é o famoso cartão de crédito fidelidade, que é feito em lojas e que a sua concessão não requer tanta rigidez na aprovação do crédito. Os juros são bem agressivos no crédito rotativo e variam de 600% a 1.045% ao ano, representando taxas mensais de 17,6% e 22,53%, respectivamente.
Nessa situação, se houver uma aplicação na poupança, precisaria ter o dinheiro investido, com taxa mensal de 0,7% pelo prazo entre 23 a 29 meses em média, respectivamente.
O aumento da inadimplência para 21,5% em 2011, sendo o maior desde 2002, em parte deve-se às taxas absurdas cobradas pelas instituições financeiras e pelas lojas com cartão fidelidade, facilitando o crédito para aqueles que muitas vezes não têm condições de pagamento, mas vêem nessa modalidade a busca de novas alternativas de compra. Só que, com isso, simplesmente se enforca e compromete todo o salário recebido do mês.
Precisa haver uma limitação nessa forma de crédito para não haver, posteriormente, dificuldade das instituições financeiras na busca de capital mais barato para, assim, continuar fomentando o financiamento nessa modalidade em que o bom pagador acaba financiando o mau pagador.

Reginaldo Gonçalves
Coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina.

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