Drenagem

A ligeira melhora da situação das contas externas do País nos 12 meses terminados em outubro, quando o déficit foi de 4,36%, contra 4,7%, nos 12 meses encerrados em outubro, foi provocada, além de efeitos estatísticos, principalmente, pela desvalorização do real. O fim do irresponsável congelamento do câmbio – apesar da sua desastrosa execução - ajudou a melhorar o desempenho do comércio exterior (queda de 89,3% no déficit de janeiro a outubro, sobre o mesmo período de 1998), do turismo (redução de 67,97%), da remessa de lucros (queda de 52,56%).
Pelo lado da gastança, o principal vilão foram os juros, cujo pagamento ao exterior cresceu 29,71% em outubro, devido à expansão do endividamento do País. Ou seja, não basta ao Brasil tapar o buraco das dívidas externas pelo lado da balança comercial, é preciso suturar o rombo causado pelos gastos financeiros.

Banco do povo
Ao comentar sexta-feira, da tribuna do Senado, em Brasília, o relatório apresentado pela Comissão Mista criada no Congresso para definir políticas de combate à pobreza, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou a falta de sensibilidade do país para os problemas sociais. “O presidente Fernando Henrique Cardoso se cercou de banqueiros, quando deveria ter dispensado à agricultura familiar a mesma atenção que deu aos bancos fraudulentos através do Proer”, afirmou o senador. Simon considerou o relatório da comissão “tímido”, por se limitar à sugestão de criação de um fundo de combate à pobreza, “quando há tantos projetos e propostas excelentes no Congresso sobre o assunto”. O senador anunciou que vai propor “a criação de um Banco Popular, nos moldes do Banco do Povo de Bangladesch, para apoiar iniciativas de pessoas que hoje vivem à margem da sociedade, mas têm potencial para produzir e desenvolver, criando empregos e gerando renda”.

Ameaçados
A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) denunciou que jornalistas do Correio Popular (de Campinas/SP) estão sofrendo ameaças de morte, tanto que não estão assinando matérias sobre a CPI do Narcotráfico para não revelar suas identidades. O presidente da ANJ, Paulo Cabral, e o vice-presidente responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão, Renato Simões, enviaram sexta-feira correspondência ao secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Marco Vinicio Petrelluzzi, manifestando a preocupação da entidade com o fato.

Aos berros
A subprefeitura do Flamengo resolveu berrar contra a cultura. Usando dinheiro do contribuinte, o subprefeito, Marcelo Maywald,  instalou uma caixa de som voltada na direção das barracas da Feira do Livro, brindando os ouvidos de livreiros e leitores com as últimas notícias da sua administração berradas a todo volume. Livreiros que ousaram reclamar do excesso de barulho ouviram como resposta que “a praça é pública”. Pode ser, mas a boa educação também deveria ser.

Internas
O destino do desastroso Governo, que já faz água antes de terminar o primeiro ano do segundo mandato, preocupa até amigos íntimos do presidente FH. Conhecido intelectual ligado a FH enviou extensa correspondência, com mais de 15 páginas, a um conhecido economista da oposição, num pungente, embora retardatário, desabafo contra a falta de perspectivas a que o País foi levado.

Em obras
A empresa Águas de Niterói, que assumiu o papel da Cedae na cidade vizinha ao Rio, está disposta a mostrar serviço. Operários já estão na Região Oceânica, iniciando as obras para levar água e esgoto aos bairros da localidade que  mais cresce em Niterói.

Transferência milionária
Da série privatizar é… Proprietária de duas linhas telefônicas assustou-se ao saber que a Telemar lhe cobraria R$ 206 pela transferência das linhas do Flamengo para Ipanema. Como a mudança gorou na última hora, pediu à Telemar para cancelar a transferência, sendo informada, então, de que teria de pagar mais R$ 206 para ter as linhas, que ainda não tinham deixado sua casa, reinstaladas. No total, uma “mordida” de R$ 412, ou mais de cinco vezes o custo de uma linha telefônica, cujo preço está em cerca de R$ 80. É como se o consumidor que comprou um carro pagasse mais pelo aluguel da garagem do que desembolsara pelo veículo.

Atual
Além do desfalque incalculável à cultura nacional, a perda de Plínio Marcos coincidiu com cruel ironia registrada pelo próprio dramaturgo, que, pouco antes de morrer, lamentava que seu raio X sobre a tragédia social do País continuava, incomodamente, mais atual do que nunca.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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