Década

Em greve há quase 20 dias, os professores da rede municipal de São Paulo reclamam estar sem receber aumento real (acima da inflação) de salário há dez anos. O último foi em 1996. Hoje, na principal cidade da América Latina, um professor com nível superior ganha por 20 horas semanais de trabalho R$ 615, ou 1,7 salário mínimo. Como diria um marqueteiro tucano, é tempo para chuchu. Sucessor do tucano José Serra na Prefeitura de São Paulo, o pefelista Gilberto Kassab (PFL) se limita a acenar com uma gratificação de R$ 350 em julho. Ano passado, o reajuste da categoria ficou em 1,17%, contra uma inflação de cerca de 6%.

Caminhos
Principal álibi para a manutenção dos juros mastodônticos do país, a tese acadêmica-financeira das metas de inflação continua a ser tratada como dogma pelo governo Lula e por candidatos afins, como Geraldo Alckmin (PSDB), apesar dos efeitos catastróficos sobre o crescimento. Curiosamente, muitos dos países apontados como paradigmas a serem alcançados pelo Brasil desprezaram essa tese para alcançarem os padrões atuais de desenvolvimento.
Em recente passagem pelo país, o economista sul-coreano Ha-Joon Chang, diretor-assistente de Estudos sobre Desenvolvimento da Universidade de Cambridge, lembrou que seu país conviveu com inflação acima de dois dígitos para crescer em maior velocidade: “Pode parecer difícil de acreditar, mas nos anos 60 e 70 a  taxa de inflação na Coréia do Sul era 20% e a economia crescia entre 7%  e 10%”, recordou Chang, em inglês, língua com maior credibilidade junto aos ouvidos dos financistas tupiniquins.

Sem Brindeiro
A dura condenação ao mensalão e a seus mentores encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando da Silva, acrescenta mais um item ao autismo recorrente do presidente Lula. Pelo visto, Lula, mais uma vez, não sabia que não nomeara um engavetador-geral.

Exames parados
A greve dos fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), iniciada em fevereiro em diversos portos e aeroportos do país, já bloqueou US$ 28 milhões em importações feitas pelo setor de saúde, revela pesquisa organizada pela Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed). São em torno de 2 mil clientes prejudicados, entre distribuidores, hospitais, clínicas e laboratórios.
De acordo com Edson Lúcio de Oliveira, diretor-executivo de uma das principais empresas fornecedoras de equipamentos e suprimentos para diversos laboratórios, o setor está deixando de atender mais de 100 mil pacientes, diariamente, por falta de material, exclusivamente importado. “Serão necessários, no mínimo, 60 dias para que se restabeleça a regularidade do setor”, conclui.

A todo gás
Em março cresceu em 33% a procura por instalações de kits do Gás Natural Veicular (GNV) no Rio Grande do Sul, na comparação com o mês anterior. Na avaliação do secretário estadual de Energia, José Carlos Brack, os sucessivos aumentos dos preços do álcool combustível levaram ao aumento das conversões. Em 2005, as instalações de kits de GNV cresceram 33,4% no estado, na comparação com 2004.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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