Dois executivos chineses resolveram aplicar um golpe no mercado norte-americano vendendo papéis de uma empresa do tipo classificado como concha vazia, enquanto os investidores acreditavam que estavam participando da exploração de carvão na China.
A Securities and Exchange Comission, no entanto, descobriu que Zhao Ming, presidente da Puda Coal Inc. planejou com Liping Zhu, ex-CEO da empresa, um esquema para roubar e vender ativos para uma empresa de mineração de carvão chamado Shanxi Coal Group. E secretamente, Zhao transferiu o controle acionário da Puda na Shanxi Coal para si mesmo e, em seguida, vendeu uma parcela substancial para um fundo controlado pela maior da instituição estatal financeira da China.
A SEC alega que Zhao e Zhu não divulgaram tais transações nos relatórios periódicos da Puda e continuaram a captar recursos junto aos investidores norte-americanos através da realização de duas ofertas públicas que tinham como suposto objetivo o de levantar o capital para permitir que a Shanxi Coal pudesse adquirir mais minas de carvão, embora a empresa, sem o conhecimento de investidores, não tivesse mais participação acionária na subsidiária.
Apesar do início das investigações, a dupla ainda tentou enganar uma maior quantidade de investidores com uma carta forjada de uma companhia chinesa, supostamente financeira, para informar que os investidores da Puda não foram prejudicados pelas transferências de ativos, mas sem a menor referência que se tratava de uma empresa de fachada, sem realizar operações ou negócios.
De acordo com os levantamentos do regulador norte-americano, a Puda entrou no mercado de capitais dos Estados Unidos através de uma fusão reversa, em julho de 2005 e suas ações ordinárias foram listadas e negociadas na Bolsa de Nova York a partir de setembro de 2009 até agosto de 2011.
Zhao se associou a Zhu em setembro de 2009, com o objetivo de enriquecerem à custa dos acionistas da Puda. Algumas semanas antes, anunciaram que a Shanxi Coal tinha recebido uma concessão altamente lucrativa por parte das autoridades do governo provincial para se tornar um aglutinador de pequenas empresas de mineração de carvão. Zhao discretamente transferiu para si uma participação de 90% da Puda na Shanxi Coal. Em julho de 2010, Zhao vendeu 49% dessa posição para a CITIC Confiança Co Ltd., um fundo privado de investimento, administrado pela estatal CITIC Group. Além disso, Zhao conseguiu um empréstimo de US$ 516 milhões e apresentou como garantia 1,21 bilhão de ações preferenciais, ou seja, os seus 51% na Shanxi.
Agora, Zhao e Zhu são acusados da violação de diversos artigos.
Classe média fora do sistema bancário
A partir de 2007, Meredith Whitney ficou famosa, pois previu que o Citigroup teria de reduzir os seus dividendos devido às perdas do crédito hipotecário. Nesta quarta-feira, numa entrevista à televisão CNBC, previu que a excessiva regulação das instituições financeiras acabará por pressionar os consumidores da classe média, que em breve se verão excluídos do sistema bancário.
Para a fundadora e presidente do grupo de consultoria Meredith Whitney Advisory Group, essa tendência já se manifesta e os últimos dados sobre o consumo nos EUA podem ser enganadores, pois os gastos estão a ser promovidos pelos compradores nos dois extremos opostos do espectro. Isso significa, que a classe média têm mais dificuldade em ser consumidora ativa. Os mais recentes apontam para um aumento de 0,4% nas vendas de varejo depois do Natal. Para a analista, no entanto, este é, de alguma forma, um indicador falso do consumo, pois induz que todos os consumidores norte-americanos estão a gastar mais, sublinhou a analista, acrescentando que a classe média não tem observado crescimento nos salários e que a contração do crédito continua a ser uma realidade para a maioria dos norte-americanos.
Bancos temem aperto do BCE
De acordo com a análise do Deutsche Bank, a segunda rodada do Banco Central Europeu para empréstimos aos bancos com prazo de três anos, marcará o fim desta generosa provisão de financiamento de longo prazo. Apesar dos mercados esperarem a continuação do programa durante todo este ano, tudo indica que somente haverá mais uma grande operação de refinanciamento de longo prazo.
No dia 28 de Fevereiro, o BCE vai disponibilizar aos bancos uma segunda tranche de crédito a três anos. No dia seguinte, anunciará a destinação do dinheiro para as instituições que apresentarem sólidas garantias. Na primeira operação de concessão de crédito a três anos, o regulador europeu emprestou 489 mil milhões de euros, um valor recorde.














