Dura lex

As instituições financeiras estão sendo processadas na Justiça na base de uma ação por minuto. Levantamento feito pela revista Consultor Jurídico no fórum cível central de São Paulo, que não abrange fóruns regionais, mostra que foram ajuizadas 5.773 ações nos últimos 12 meses contra sete bancos. Em todo o País o número de conflitos bancários submetidos ao judiciário a cada ano pode atingir a marca de 116 mil. Os campeões de reclamação em São Paulo, no levantamento feito pela revista, são: Itaú (1.640 processos), Bradesco (1.405), Banco do Brasil (1.072), Unibanco (727), Real (420), Banespa (366) e HSBC Bamerindus (142). A maioria das ações são pedidos de indenização por danos morais e materiais. Nelas, alega-se, dentre outros motivos, as perdas financeiras com desvalorização da moeda como conseqüência de planos econômicos; inclusão indevida de nome de correntista no Serasa; e até mesmo retenção na porta giratória de entrada dos bancos. Essas ações, segundo a revista especializada em assuntos forenses, podem durar de dois a cinco anos, se não terminarem em acordo.

Tiroteio
O tempo fechou ontem, durante o seminário que debatia a modernização do futebol brasileiro, organizado pela Fundação Getúlio Vargas e a CBF, no Hotel Glória. De um lado, os polêmicos deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), vice-presidente de futebol do Vasco da Gama, e Eduardo Vianna, manda-chuva da Federação de Futebol do Rio de Janeiro. De outro, a baronesa das privatizações e atual consultora de clubes Elena Landau.
Tudo por conta de declaração da economista de que o futebol brasileiro acabou e os clubes estão falidos. No tiroteio verbal que se instalou no plenário, Caixa D”Água, em tom sarcástico, sugeriu que a debatedora fosse “apresentada a uma bola”. “Os economistas não têm nada a ensinar ao futebol, ao contrário têm é de aprender conosco”. E desafiou: “Falidos? Só se forem os clubes que a Elena administra.”
Coitados
Elena Landau defende uma CVM no futebol. Segundo ela, os torcedores necessitam de um mecanismo de defesa atuante, a exemplo de como a Comissão de Valores Mobiliários cuida dos interesses dos acionistas minoritários…
Modernidade
Do presidente do Fluminense, David Fischel, no seminário de modernização do futebol: ” É claro que os clubes necessitam se modernizar. Tudo se moderniza, até mesmo, de vez em quando, a nossa vida conjugal”.

Pré-história
Maior biblioteca da América Latina e oitava maior do mundo, como ostenta, com justo orgulho, sua propaganda, a Biblioteca Nacional está na idade da pedra lascada no atendimento ao público. Quem quiser cópias de microfilmes do acervo tem de esperar dez dias úteis: cinco dias, para receber o orçamento do serviço, e mais cinco pela pesquisa. Os amigos dos professores FH e Weffort devem ter melhor sorte.

Águas turvas
A motivação para o protesto de pescadores, ontem, em frente à sede da Petrobras para exigir a continuidade do pagamento das indenizações pela impossibilidade de pescar na Baía de Guanabara, pode não passar de história de pescador. Segundo a empresa, desde o último dia 18 a área afetada pelo vazamento de óleo está liberada pelo Ibama para pesca. A empresa assegura ainda que a liberação foi atestada em laudos monitorados por Inmetro, Ministério da Agricultura, universidades e representantes dos pescadores. Diante disso, ou os interessados desmentem os laudos ou se estará confundindo direito inalienável à indenização com carona no faturamento da empresa e de seus acionistas para resolver problemas sociais que têm origem em causas bem mais profundas e barrentas que o óleo derramado na baía.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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