Dívida eterna

Até a agência de rating Fitch – que hoje distribuiu sua claissficação sobre o Estado de São Paulo (BBB), classifica como onerosos os juros que incidem sobre o refinanciamento da dívida do estado (são reajustados pelo Índice Geral de Preços – IGP-DI, acrescidos de 6% ao ano). “A capacidade de atender ao serviço da dívida é afetada pela inflação e pelos estritos limites de comprometimento de receita, os quais se traduzem na manutenção do elevado estoque de dívida. Adicionalmente, parte do pagamento de juros é capitalizada todos os anos, levando ao aumento no estoque da dívida”, diz a agência.

Sobrecarga
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) quer mudar de sede, saindo do prédio alugado, pela Eletros, a preços módicos – entre R$ 40 e R$ 50 por metro quadrado – para um edifício no Centro cujo valor do aluguel é mais ou menos o dobro.
Não se trata do único problema nos gastos do ONS. A agência que cuida do setor (Aneel), responsável por aprovar o orçamento do Operador, fez uma série de restrições e perguntas para entender por que as despesas terão incremento real de 27,79% nos próximos 12 meses, atingindo R$ 499,5 milhões. Só os gastos com a transferência para novas instalações somarão perto de R$ 36 milhões. A Aneel propôs uma redução do orçamento de 10%, ficando em R$ 445,5 milhões.
Os efeitos do veto recaíram sobre o seu elo mais fraco, que são os seus experientes profissionais, reclamam os trabalhadores, que esperavam melhorias no plano de cargos e salários e nos benefícios como previdência privada. Não houve nenhum corte nas verbas da alta administração.
O diretor-geral mais os quatro diretores recebem, conjuntamente, R$ 200 mil por mês. Os membros do Conselho de Administração ficam com R$ 90 mil mensais e os do Fiscal, com R$ 12,4 mil. Incluindo encargos e benefícios, a diretoria custa cerca de R$ 3,6 milhões por ano. Os 760 funcionários representam gasto de R$ 180 milhões/ano.

Falha ou ficção
O parecer da comissão da Aneel que analisou o orçamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico estranha que, na execução dos 12 meses anteriores, houve concentração de gastos no último mês do ciclo (junho), “o que indica a possibilidade de previsão superestimada no período em execução e a necessidade de maiores gastos para que não haja saldo em disponibilidades a ser utilizado no próximo ciclo. O Operador não apresentou justificativas para a execução a menor (sic) do orçamento nem sobre o gasto discrepante do último mês”.
Em outro trecho, diz o documento da comissão da Aneel: “É necessária uma fiscalização mais próxima da execução orçamentária, pois há indícios que o ONS superestima o orçamento no que diz respeito aos custos relacionados a serviços (…) ou planeja mal a previsão.”

Boca para fora
Os bancos movimentam seus analistas, travestidos de economistas, para criticar a indexação de preços e alertar para o aumento da inflação. Por indexação deve-se entender que eles querem apenas limitar os reajustes de salários e de serviços – a maior parte de autônomos, ou seja, salários de quem não tem carteira. Já as tarifas dos próprios bancos ficam fora dessa cruzada, até porque sobem muito acima da inflação. O Itaú acaba de anunciar a seus clientes correção de quase 15% na tabela de tarifas, ou duas vezes e meia acima da inflação em 12 meses.

Hora de desembarcar
A julgar pelo entusiasmo com que as consultorias, através dos sites da mídia hegemônica, estão indicando o ouro como aplicação segura e promissora, talvez seja o momento de não seguir o conselho dos “especialistas” e dar um tempo nas compras do metal. Afinal, o impasse entre o Congresso dos EUA e o presidente Barak Obama pode acabar nesta quarta-feira, tempo suficiente para grandes investidores se desfazerem do ouro para, em seguida, fazerem a recompra, por um preço de ocasião.

Táxi
Nos tempos em que o dólar era encarado como investimento, dizia-se que, quando o motorista de táxi perguntava se valia a pena comprar a moeda norte-americana, era hora de vender. Talvez o conselho devesse ser atualizado hoje para ouro, ou ações. De qualquer forma, a médio prazo, o ouro deve continuar entre as principais compras dos especuladores mundiais.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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