Dívidas em dia

     
          Preocupado com o esgotamento do modelo adotado por Lula, de crescimento a partir do consumo, o economista Roberto Messenberg ressalva que não será a inadimplência que determinará esse esgotamento. “O aumento da renda este ano vai fazer a inadimplência estabilizar ou até cair”, garante Messenberg, que coordena o Grupo de Análises e Previsões do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea).

Lobby do álcool
Entidades dos usineiros empreendem campanha para aumentar o preço da gasolina, com o argumento de que o valor está artificialmente baixo em relação ao mercado mundial e, com isso, o etanol não consegue ser comercializado. Típico de um setor que sempre viveu de benesses de diferentes governos, e para o qual a palavra “mercado” só é pronunciada quando justifica a alta de preços.
Além de o custo da gasolina no Brasil ser mais alto que em todos os demais Brics e superior ao da maioria dos países latinos, os representantes dos usineiros e os consultores sempre pronto a ajudá-los – e de quebra também beneficiar as multinacionais de petróleo – devem saber que nos EUA o combustível custa em torno de US$ 3,80 por galão, ou pouco mais de R$ 1,90 por litro – preço que, no Brasil, provocaria filas tão extensas quanto os latifúndios produtores de cana-de-açúcar.

Frankstein
Durante a cerimônia de posse da nova diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, a presidente Dilma Rousseff tratou o governador fluminense Sérgio Cabral, como “parceiro estratégico” e acrescentou que Cabral “mudou a cara do Rio”. Resta saber se a cara do estado mudou por maquiagem, plástica feita em alguma UPA ou esmagamento em vagões de trem ou metrô.

Luluzinha
Dilma ressaltou a participação de Magda no grupo que elaborou a proposta do governo para o marco regulatório para exploração do pré-sal. “Convivi por quase um ano com Magda discutindo o pré-sal e conheço a sua competência. É bom também ver a ANP e a Petrobras presididas por mulheres”, completou a presidente.

Menos, menos
No mesmo evento, causou sussurros e discretas risadas o tom bajulador do ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, em seu discurso.

Dúvida
Ao classificar como exemplar o serviço público de saúde no Rio de Janeiro, a presidente Dilma Rousseff não foi exatamente clara: exemplo a ser seguido ou evitado?

Sem família
Além de ocupar as últimas posições no ranking de qualidade divulgado pelo Ministério da Saúde, estado e município do Rio de Janeiro vêm suas gestões na área da Saúde envoltas em sucessivas denúncias. E pelo menos o programa Clínica de Família, da prefeitura carioca, é algo a ser conhecido e evitado pelos demais municípios. Enquanto outras cidades, como a vizinha Niterói, adotaram programas baseados em experiências internacionais de médicos de família, no Rio postos de saúde foram transformados em clínicas nas quais estão médicos que não visitam as residências das famílias, base do sucesso dos programas em todo mundo.

Desbotado
A cruzada da imprensa estadunidense para tentar minimizar a responsabilidade da Chevron na sequência de vazamentos que provocou no Brasil confirma que o conceito de economia verde defendido por esses setores é bastante desbotado e adaptável às necessidades de marketing do momento.

Mordomo
Aliás, pelo histórico dos casos envolvendo poderosos interesses econômicos em terras tupiniquins, a conta da lambança da Chevron ainda acaba sendo empurrada para o colo da Petrobras, minoritária no consórcio dominando pela multinacional estadunidense e dona de padrões de segurança bem superiores aos das suas concorrentes globais que aportam aqui para explorar as riquezas do país.
     
     

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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