E eles revogaram

Como alertou na véspera esta coluna, se a revogação do aumento do preço do ônibus em São Paulo era inevitável, era melhor que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o fizesse o mais rapidamente possível, ainda que políticos em geral detestem tomar decisões sobre pressão. Muito pior, porém, seria ser obrigado a recuar sob humilhação, quando o radicalismo do petista transformasse a maior cidade da América Latina numa mistura de Praça Tahrir com Carandiru. Mesmo que tardio, prevaleceu o bom senso do prefeito, no que foi seguido pelos também constrangidos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), bem como o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
 
Segundo turno
O Movimento Passe Livre (MPL) precisa, agora, ficar de olhos abertos para evitar que os donos de ônibus das duas cidades não reduzam suas frotas, principalmente, nas áreas mais carentes.
 
Do contra
Definido pela verve genial de Jaguar como “o único rebelde a favor”, o porta-voz mais desabrido dos interesses dos Marinho, Arnaldo Jabor, confirmou antiga tese: existem pessoas que mobilizam mais pela resistência que provocam do que pelas teses que circulam. Depois da irrelevante repercussão do seu A suprema felicidade, que marcou sua volta à telona depois de 20 anos, Jabor serviu de forte catalisador para os protestos de jovens indignados com seus comentários subalternos, que tentaram reduzir a R$ 0,20 a razão dos protestos. O que parece natural para os que têm piso de seis dígitos para abraçarem causas alheias enfureceu a garotada, que respondeu: “Não é por R$ 0,20; é por direitos.”
 
Em manutenção
A homenagem aos ex-jogadores Edu e Zico, que seria realizada terça-feira, na Alerj, foi adiada por motivos óbvios.
 
Passeio
Manifestantes foram detidos segunda-feira por subirem a rampa do Congresso Nacional, cujo acesso é proibido, por se tratar de área de segurança (assim como o pátio do Palácio do Planalto). Há 25 anos, em tempos de abertura, um jovem, então com 14 anos, hoje integrante da Redação deste MM, passeou tranquilamente pelo local, com direito a fotografias, assim como outros turistas.
 
Baixa velocidade
A japonesa Honda anunciou recall para substituição do servo freio dos veículos modelo Civic, ano 2006. Só levou sete anos para descobrir que, “devido a uma falha de vedação do servo freio, há possibilidade de perda da eficácia do freio, com risco de acidentes com possíveis danos físicos e materiais aos ocupantes e/ou terceiros”.
 
Domínio
Os cartões de crédito e débito se consolidam como principal meio de pagamento no comércio, o que vem levantando preocupações entre os lojistas sobre os impactos financeiros, operacionais e tributários na lucratividade do varejo. Com maior acesso da classe C ao sistema financeiro, e a possibilidade de parcelar as compras, o dinheiro de plástico reina. Em 1999, o percentual de cartões de crédito e débito correspondia a 22% dos meios de pagamento no comércio, enquanto o cheque representava 62%. Em 2009 estes percentuais passaram a 62% e 15%, respectivamente.
Atualmente, mais de 1 milhão de estabelecimentos em todo o país são credenciados à rede de cartões, gerando mais de 1,5 bilhão de transações por ano. Só no Rio de Janeiro são R$ 800 milhões anualmente. Dinheiro que vem descontado de uma taxa que varia de 2% a 6%, pagos pelo comerciante às administradoras de cartões.
 
Futuro
Para discutir o crescimento do cartão e mostrar alternativas, o Smarter Credit, com apoio do CDLRio, Sindilojas-Rio e ACRJ, realiza o seminário Cartões de Crédito e o Futuro do Varejo: Medidas para Aumentar a sua Eficiência, nesta sexta-feira, a partir de 9h30m, às 12h, no auditório da Associação Comercial. Entre os palestrantes, Roberto Medeiros, ex-presidente da Redecard; Antonio Castillo, presidente da Elavon; e Aldo Gonçalves, presidente do CDLRio.
 
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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