E outubro está chegando…

Por Paulo Alonso.

País merece ter um terceiro candidato que faça a diferença para os brasileiros

 

Estamos chegando ao mês de outubro, quando o povo brasileiro irá às urnas sufragar o seu voto, escolhendo os novos deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o presidente da República. Pelo menos, é o que se espera que aconteça, uma vez que o Brasil vive em um regime democrático, ou seja, um governo do povo, pelo povo e para o povo.

Todavia, as urnas eletrônicas, que estão sendo usadas há 30 anos, estão sendo, dia após dia, questionadas pelo mandatário da nação, que, sem base ou qualquer convicção, insiste em desacreditá-las. O mais incrível que é esse mesmo cidadão foi eleito e reeleito para a Câmara dos Deputados, por sete mandatos, e eleito presidente da República, dessa forma, sem, em todas essas ocasiões, questionar o êxito desse sistema eleitoral, aplaudido, pela sua eficácia e eficiência, em todo o mundo.

Esta semana, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, novamente deu declarações enfáticas sobre a lisura desse sistema, ao lado do ministro Alexandre de Moraes – que o sucederá na presidência do TSE e estará no seu comando durante as eleições gerais – e ainda mandou que fossem feitos novos testes dos mais detalhados, nas urnas e no próprio sistema, a fim de, uma vez mais, provar que o voto eletrônico é fidedigno.

Mas, mesmo diante de tantas comprovações e de veementes discursos do presidente do TSE, do presidente do Senado da República, senador Rodrigo Pacheco, de uma enxurrada de parlamentares das duas Casas do Legislativo, de ministros do TSE, do STF e de organizações civis, Bolsonaro continua, com seu jeito rude de ser, ameaçando o sistema e colocando em dúvida a sua credibilidade, o que nenhum sentido faz.

Aos berros, de forma exaltada e com discurso recheado de palavrões, ele afirmou, na última segunda-feira, dia 16, na abertura da 36ª Edição da Apas Show, em São Paulo, um evento do setor de supermercado, que as eleições podem “ser conturbadas”.

Deixando perplexa a plateia de empresários, ele exclamou a todo vapor: “Se a gente se entregar, vocês [empresários] vão levar 50 anos ou mais para voltar à situação que está hoje em dia. Não sou fodão, não, mas creio que já dei provas mais que suficientes a todos que a gente tem que conduzir com pulso firme o destino do Brasil”. Ele, batendo sempre na mesma cantilena, voltou a questionar a segurança e a legalidade das eleições de outubro. “Poderemos ter outra crise. Imagine acabarmos as eleições e pairar para um lado, ou para o outro, a suspeição de que elas não foram limpas? Não queremos isso”, disse ele, em tom ameaçador, como habitual.

Descontrolado, o presidente ainda fez menção às coligações que a oposição vem fazendo: “Agora estão todos unidos, trazendo mais gente”, afirmou. “Mas mais gente que é responsável pelo processo eleitoral, gente que bateu na mesa e disse que tava certo, e o candidato que duvidar eu casso registro e mando prender. Que porra é essa? Que Brasil é este? Que democracia é esta?”. E ainda acrescentou: “Vejo uns falando que, se eu perder a eleição, vou perder minha família toda. Tá achando que vai me intimidar, pô, dando recado? Ou nós decidimos no voto, pra valer, contabilizado, auditado, ou a gente se entrega”.

E é dessa forma que a Nação brasileira vive hoje, sob ameaças e sempre com a pregação da antidemocracia, com a contestação do Estado Democrático de Direito, em um enfrentamento nocivo ao Supremo Tribunal Federal e uma humilhação ao Congresso Nacional, além de pregar, por vezes, a saída dos militares dos quarteis e fazerem menções à ditadura, como algo legítimo e bem-vinda. O pior é que vários dos integrantes da Câmara Federal ou do Senado, por medo, pavor ou por quererem se beneficiar simplesmente desse caos pelo qual passamos, ainda têm a coragem de defender atos selvagens como os que vem sendo praticados, anunciados e defendidos.

Essa corrida presidencial apresenta poucas surpresas, lamentavelmente. Pela primeira vez na história, desde a redemocratização após a Ditadura Militar (1964–1985), com a sucessão de dois marechais, Castelo Branco e Costa e Silva, e de três generais de Exército, todos eles quatro estrelas, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo, no Planalto, dois candidatos que ocuparam o cargo de presidente da República se enfrentam pelo posto de chefe do executivo nacional. Bolsonaro (PL), do conhecido Valdemar da Costa Neto, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizam a liderança das pesquisas eleitorais nesses primeiros cinco meses de 2022, com uma polarização impressionante.

Nos discursos, claro, ofensas, xingamentos e ausência de propostas reais para o desenvolvimento do país, em áreas dramáticas, como educação, saúde, segurança pública, habilitação, meio ambiente, economia e cultura.

A nova pesquisa XP/Ipespe divulgada sexta-feira (13) mostra o ex-presidente Lula (PT), com 44% das intenções de voto, seguido pelo presidente Bolsonaro (PL), com 32%. Lula se manteve com o mesmo patamar de intenção de votos em relação à pesquisa do dia 6 de maio, enquanto Bolsonaro oscilou um ponto para mais, dentro da margem de erro de 3,2 pontos percentuais.

A seguir, aparecem o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com 8%, e o ex-governador de São Paulo João Dória (PSDB), com 3%. O deputado federal André Janones (Avante) registrou 2%, e a senadora Simone Tebet (MDB), 1%. Os candidatos Luciano Bivar (União Brasil), Felipe d’Avila (Novo), Vera Lúcia (PSTU) e Eymael (DC) não pontuaram.

A terceira via, que deveria vir forte e unida e seria positiva para o país, naufragou. Ciro Gomes, João Doria, Simone Tebet, André Janones e Luciano Bivar têm nomes consolidados. Mas dentro de uma eleição polarizada, entre Bolsonaro e Lula, todos eles somados não alcançam sequer aos 15% das intenções de voto nas principais pesquisas eleitorais do Brasil. Um verdadeiro fracasso. Todos eles deveriam renunciar às suas candidaturas, talvez a exceção dessa renúncia excluísse o candidato do PDT. Os demais se organizariam entre Ciro, Lula e Bolsonaro, para tornar a disputa mais atraente.

Faz-se, contudo, mister ressaltar que, mesmo que esses candidatos apresentando no momento poucas chances de vencer a eleição, os eventuais eleitores da terceira via podem representar um fator decisivo dentro da corrida presidencial se os votos que atualmente estão com eles migrarem para os dois candidatos que hoje lideram as pesquisas, o chamado voto útil. Quase 70% dos que não pretendem votar em Lula e em Bolsonaro dizem que podem mudar o voto. Dependendo do rearranjo, a eleição poderia ser decidida já no primeiro turno. Triste quadro.

De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, realizada na segunda semana de maio, 34% dos eleitores da terceira via aceitavam votar em Lula no primeiro turno, em caso de chance de vitória do candidato petista. O percentual desses eleitores que utilizaria o voto útil para Bolsonaro cai para 23%, nesse mesmo levantamento. Brancos, nulos ou que não votariam em nenhum dos candidatos somam 7%. Indecisos representam 3% dos entrevistados.

E assim vamos nos aproximando de outubro, com o Brasil polarizado, entre um ex e um atual presidente da República, ambos com deslizes graves em seus comportamentos, ações e discursos. O País merece ter um terceiro candidato que possa fazer a diferença para os brasileiros, que vivem a sua pior fase, com o desempregado avassalador em todo o país, sem comida à mesa, sem saúde, sem educação, sem habitação e sem segurança pública.

Daí a importância da discussão política, da observação das propostas e plataformas políticas e atenção redobrada nas escolhas que serão feitas. Esse momento político, grave e turbulento da vida nacional, não pode continuar assim, como uma afronta à democracia, à constituição e com desprezo à diversidade e aos valores humanos.

 

Paulo Alonso é jornalista.

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