E se nós vence essa demanda?

Empresários dizem ter entrado com ação pedindo indenização à China.

Empresa Cidadã / 17:14 - 22 de abr de 2020

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A Associação Comercial Industrial e Turística de Cabo Frio (Acia), município do estado do Rio de Janeiro distante 153km da capital, por rodovia, na pessoa da sua presidenta, Patricia Cardinot, anunciou na terça-feira passada, 22 de abril, que está processando a China, pelos danos materiais e morais causados ao povo brasileiro pelo coronavírus. A demanda foi orçada em R$ 420 bilhões.

Segundo a presidenta Cardinot, em entrevista ao programa de rádio Viva Bem (FM 97,7), em 20 de abril, entre 18h e 19h, a Acia ingressou com a ação em 9 de abril, através de um grupo de profissionais portugueses, especializados em Direito Internacional.

Esta notícia trouxe à lembrança uma história engraçada que ouvi há um bom tempo, piada da época da Guerra Fria. O cenário é de um município bem pequeno, O município era uma relação de carências. Saneamento, escolas, postos de saúde, lazer etc. Nada disso havia. O prefeito então reuniu as lideranças do município e anunciou: vamos declarar guerra aos EUA. Eles então vão jogar bombas aqui, destruir tudo. Em seguida, vão entrar para reconstruir. E aí vamos ter saneamento, escolas, hospitais, áreas de lazer, praças, etc. Foi então que um vereador perguntou: e se nós vence essa demanda?

 

Perigo! Perigo! Bomba de nêutrons!

Criada em 1958, pelo físico norte-americano Samuel Cohen, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore. É um conceito tão destrutivo de arma, que chegou a ter a resistência de presidentes (John Kennedy e Jimmy Carter) na sua elaboração. Foi finalmente concluída na gestão Ronald Reagan.

 

Perigo! Perigo! PL de nêutrons!

O Planalto encaminha ao Congresso mais um “PL de nêutrons”, capaz de acabar com a vida, para permitir o acesso às riquezas materiais. É o caso do PL 191/2020 que, desde o dia 6 de fevereiro, repousa na mesa diretora da Câmara, aguardando as indicações para constituir a Comissão temporária que irá apreciá-lo.

O PL 191/2020, enviado ao Congresso Nacional pelo Executivo, escancara as portas dos territórios indígenas, a pretexto de regulamentar atividades de mineração e hidrelétricas. Os objetivos expressos na mensagem são “estabelecer as condições específicas para a realização da pesquisa e da lavra de recursos minerais e hidrocarbonetos e para o aproveitamento de recursos hídricos para geração de energia elétrica em terras indígenas e institui a indenização pela restrição do usufruto de terras indígenas”.

O PL, já conhecido como “PL da devastação”, faz todo o serviço sujo, incluídos aspectos ambientais. Nas disposições transitórias, o PL 191/2020 modifica o artigo da Lei 11.460/2007 que vedava a pesquisa ou o cultivo de transgênicos (ODMs) em Unidades de Conservação e Terras Indígenas, com exceção das Áreas de Proteção Ambiental, agora proibindo os transgênicos apenas nas Unidades de Conservação.

A liberação do cultivo dos transgênicos nas Terras Indígenas é uma agressão à cultura desses povos que, tendo costumes distintos de manejo agrícola, poderão assistir as suas produções rapidamente contaminadas pelos OGMs e ter que comer nas mãos de poderosas corporações multinacionais.

Comer? Eu disse comer?

 

#fiqueemcasa

Você é banqueiro? Você é industrial? Você é comerciante? Você é politicopata? Você tá nem aí pra sua vida ou para a saúde dos outros? Você acha que Deus não tem mais o que fazer? Não? Então, #fique em casa, oh, pá!

 

Paulo Márcio de Mello é professor servidor público aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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