Economia brasileira vive uma depressão

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O que a retração de 0,2% no PIB no primeiro trimestre revela é que a economia brasileira não corre o risco apenas de entrar novamente em recessão. O quadro, muito mais grave, pode ser de depressão econômica, como ocorreu nos Estados Unidos na década de 1930, depois do crash da Bolsa de Valores de Nova York. É o que afirma o economista João Sicsú, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A economia brasileira vive uma depressão. Não sou só eu que estou falando isso. Nas últimas semanas vi os economistas Afonso Celso Pastore e Luiz Gonzaga Belluzo também utilizando o mesmo termo”, destacou Sicsú, em entrevista aos jornalistas Marilú Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual nesta sexta-feira.

Recessão técnica é quando a economia de um país registra dois trimestres seguidos de crescimento negativo. Já a depressão, segundo Sicsú, é definida por um longo período de movimentos de baixa magnitude, para cima ou para baixo, sem o impulso necessário para sair do fundo do poço, retomando os níveis de investimento e crescimento do período anterior à eclosão da crise que origina a depressão.

O Brasil mergulhou profundamente numa recessão que começou a dar sinais em 2014. Entre 2015 e 2016, foi o mergulho propriamente. Em 2017, 2018 e 2019, estamos no fundo do poço. Subimos um pouquinho, caímos um pouquinho. Essa é a característica: ficar caminhando no fundo do poço. Às vezes para cima, às vezes para baixo, mas jamais dando um salto para sair dessa situação”, explica o economista.

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Diagnóstico e saída

 

Assim como o governo faz atualmente no Brasil, medidas de contenção de gastos, com cortes em políticas sociais, também foram tentadas pelos norte-americanos após a eclosão da crise. “Cada vez que cortava, as receitas caiam cada vez mais, e o déficit aumentava. A miséria social se espalhou pelos Estados Unidos.” Eles só conseguiram efetivamente sair dessa situação quando o presidente Franklin D. Roosevelt lançou o New Deal, um amplo plano de obras públicas e programas sociais com o objetivo de estimular a reativação da economia.

O caminho para sair da depressão não é esperar os consumidores começarem a consumir, porque os trabalhadores estão desempregados ou com expectativa de desemprego. Não é de se esperar que os empresários invistam, porque também estão com dificuldades e expectativas pessimistas sobre o futuro”, destaca Sicsú. Cabe ao governo intervir nesse cenário de incertezas. “Temos que aprender com as lições da história e com a teoria econômica para poder tomarmos as decisões corretas.”

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