Economia dá mais motivos para preocupação

Ritmo está pior do que na fraca Era Temer, e rendimentos do trabalho seguem em queda.

Há alguns dias, a economista Laura Carvalho escreveu um artigo em que pedia desculpas pelo excesso de otimismo quando, em ocasiões anteriores, discutiu se o copo da economia brasileira estava meio cheio ou meio vazio. Os resultados divulgados pelo IBGE, quinta e sexta, para PIB e desemprego, corroboram a mais recente análise da economista.

Os dados provocaram contida euforia no mercado, mas uma análise fria dos números permite concluir que a notícia boa é que os resultados poderiam ter sido piores. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,7% no primeiro semestre do ano comparado ao mesmo período de 2018. No ano passado, vinha crescendo à taxa de 1,1%. O mesmo ocorreu com os últimos quatro trimestres sobre os quatro trimestres imediatamente anteriores: a alta de 1,4% foi reduzida para 1%.

Assim, se a economia patinou uma vez mais em 2018, repetindo o magro 1,1% de 2017, a perspectiva é de que o resultado seja ainda um pouco mais fraco em 2019, como espera a maioria dos economistas. Se “são FGTS” ajudar, talvez algo como crescimento de 0,8%.

Os números da desocupação também são preocupantes. A queda no desemprego se deu com trabalho informal ou por conta própria. O rendimento real habitual caiu 1% em relação aos R$ 2.311 do primeiro trimestre de 2019. Quando se junta a isso a pesquisa da CNT, que mostrou que metade dos brasileiros que ainda têm emprego teme perdê-lo, têm-se um quadro ruim para a retomada do consumo.

Pior de tudo é ficar discutindo entre o resultado medíocre e o muito medíocre, enquanto se deixa de lado um plano nacional de retomada econômica.

 

Pela culatra

Muito se falou na camisa de força que o Teto dos Gastos exerceria sobre o orçamento da União e, consequentemente, sobre o desempenho da economia e o atendimento das demandas sociais. Agora, o governo ameaça suspender, por período não definido, novas contratações do Minha Casa Minha Vida (MCMV) em 2020, visando economizar R$ 2 bilhões para enfrentar despesas obrigatórias.

O setor de construção, que apoiou o Teto dos Gastos, as reformas Trabalhista e da Previdência e outros mitos, veio a público protestar, ao ver – desculpem o inevitável trocadilho – a casa cair.

O Secovi-SP, o Sindicato da Habitação, lembra que, graças ao desempenho do setor imobiliário, a construção civil cresceu 2% no segundo trimestre de 2019, na comparação com igual período do ano anterior, rompendo um ciclo de cinco anos consecutivos de queda.

Os lançamentos imobiliários cresceram 11,8%, e as vendas, 16% em âmbito nacional. Na capital paulista, a Pesquisa Secovi-SP de junho registra recorde, com incremento de 176% nas vendas e quase 219% nos lançamentos, em relação ao mesmo mês do exercício anterior.

Faz sentido? Qual a lógica em paralisar uma atividade que pode gerar em impostos, renda, consumo muito mais do que a economia pretendida?”, questiona o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet. O Sindicato adiciona que “o maior programa habitacional do planeta” é conquista “da sociedade e uma política de Estado, não de governos”.

Neutralizar o segmento que mais impactos positivos traz para o desenvolvimento e que mais movimenta inúmeros outros setores produtivos é o que podemos definir como um autêntico tiro pela culatra”, afirma Jafet.

(Será o “tiro pela culatra” trocadilho com o presidente que adora ser fotografado fazendo arminha com a mão?)

 

Onde está?

Uma revista semanal encontrou Queiroz, “escondido” bem no coração de São Paulo. O próximo passo é descobrir, em meio à crise econômica que se agrava: alguém viu Paulo Geudes por aí?

 

Rápidas

O governador João Doria, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, e a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Célia Leão, lançam nesta segunda-feira, às 9h30, no Palácio dos Bandeirantes, o programa Meu Emprego – Trabalho Inclusivo, que visa beneficiar pessoas com deficiência *** O economista Marcos Ferrari assumirá 9 de setembro a presidência executiva do SindiTelebrasil, entidade que reúne as prestadoras de serviços de telecomunicações *** Feira de Produtos cultivados sem agrotóxicos neste domingo no Caxias Shopping *** Também neste domingo, o Instituto Expo Religião reúne líderes religiosos e suas comunidades para doar sangue no Hemorio, no Centro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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