Economia mundial encolherá quase uma China

Dívida pública vai superar níveis das 2 Guerras e da crise de 2007-08.

Internacional / 22:04 - 24 de jun de 2020

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O Fundo Monetário Internacional projeta uma recessão mais profunda em 2020 e uma recuperação mais lenta em 2021. A produção global deverá diminuir em 4,9% este ano, 1,9 ponto percentual abaixo da previsão de abril, seguida por uma recuperação parcial, com crescimento de 5,4% em 2021.

Essas projeções implicam uma perda acumulada para a economia global em dois anos (2020–21) de mais de US$ 12 trilhões nesta crise”, calcula a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath. O valor é pouco inferior ao Produto Interno Bruto (PIB) da China, que somou cerca de US$ 14 trilhões em 2019.

A perda na economia mundial ocorre mesmo com o apoio fiscal de todos os países, que supera US$ 10 trilhões. “Em muitos países, essas medidas [política monetária através de cortes nas taxas de juros, injeções de liquidez e compras de ativos] conseguiram apoiar os meios de subsistência e evitar falências em larga escala, ajudando assim a reduzir cicatrizes duradouras e ajudando a uma recuperação”, escreve Gita em artigo no blog do Fundo.

A crise também gerará desafios de médio prazo, alerta a economista. “Prevê-se que a dívida pública atinja este ano o nível mais alto da história em relação ao PIB, tanto nas economias avançadas quanto nas emergentes e nas em desenvolvimento.” O nível superará os cerca de 140% do PIB após as duas Grandes Guerras e na crise econômica e financeira de 2007-2008.

Gita salienta que a forma sem precedentes dessa crise dificulta as perspectivas de recuperação para economias dependentes de exportação e põe em risco as perspectivas de convergência de renda entre economias em desenvolvimento e avançadas.

Estamos projetando uma desaceleração profunda sincronizada em 2020 para as economias avançadas (queda de 8%) e os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento (retração de 3%, ou de 5% se excluir a China), e projeta-se para mais de 95% dos países queda na renda per capita em 2020. Para o Brasil, o FMI revisou a projeção de recessão este ano para 9,1%, com crescimento de 3,6% em 2021.

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