Economia: previsões que mudam com o vento

O certo é que o abandono da ortodoxia salvou país do pior, e não vingou a ameaça da ‘perda da credibilidade’.

Uma discussão que cresceu nos últimos dias foi sobre o grau de recuperação da economia brasileira. Os palpites, agora como antes da pandemia, trazem um grau de incerteza que beira o embuste. Há, em primeiro lugar, que se levar em conta que o Brasil já vinha patinando desde o final de 2019. Portanto, uma recuperação aos níveis do início do ano não chega a ser uma notícia animadora.

Outro ponto é conseguir determinar até que ponto a produção está sendo retomada ou somente atendendo a uma demanda que ficou reprimida durante os meses de isolamento social. O caso da indústria, por exemplo. A quebra da cadeia de fornecedores internacionais deixou boa parte das empresas brasileiras, que hoje viraram grandes aplicadoras de adesivos em produtos importados, sem itens. Basta ver que, ainda em junho, houve uma queda de 22,5% nas importações de bens industriais, segundo o Ipea.

O correto é que o pagamento da renda emergencial impediu uma catástrofe na economia. Auxiliou, também, o apoio à manutenção da folha de pagamentos dos trabalhadores com carteira. Contrariando o que defendem os ortodoxos, a inflação não explodiu (ainda que tenham ocorrido aumentos especulativos em produtos essenciais) e a “credibilidade” do governo não naufragou com o pesado déficit a que foi obrigado fazer para dar conta das medidas necessárias. Prova é que os juros foram a 2% sem que a colocação da dívida ficasse muito pressionada. Ou seja, tudo que os heterodoxos afirmavam. A crise na economia, ao menos, serviu para derrubar mitos.

 

Saúde sem médicos e enfermeiros?

Segundo estudo do Instituto Millenium divulgado nesta segunda-feira e badalado pela mídia conservadora, o Brasil gastou com servidores públicos federais, estaduais e municipais 13,7% do PIB, 3,5 vezes mais do que com despesas com saúde. Seria interessante o Instituto explicar como oferecer saúde sem funcionários. Melhor seria se tivesse comparado com as despesas de juros e amortização da dívida pública, que consumiram 11% mais que o pagamento dos servidores – e isto apenas a dívida federal.

Caberia à entidade apontar também onde cortar: demitir médicos? Policiais federais? Professores?

Para a organização sem fins lucrativos Students For Liberty Brasil, os alvos devem ser os pagamentos acima do teto constitucional para a elite do funcionalismo. Eficaz e justo. Principalmente, incluir no teto todos os penduricalhos, especialmente os atrasados a que a elite sempre consegue se dar o direito de receber.

Uma proposta poderia ser uma forte taxação do Imposto de Renda sobre esses que um dia já foram chamados de marajás.

 

Isto a Globo mostra

Quem já pensava em lançar Bonner candidato da oposição à presidência, com o apoio da Globo, tomou um banho de realidade com a longa matéria no Jornal Nacional em que os servidores públicos foram culpados de tirar dinheiro da saúde e colocar 100 milhões sem tratamento de esgoto.

 

Rápidas

ACRJ fará apresentação do Projeto de Redução do Custo Brasil, nesta quinta-feira, às 16h, com Jorge Luiz de Lima, CEO do Projeto *** Nesta quarta, às 19h, Roberto Anderson, arquiteto e urbanista do coletivo A Liga, conversa com Tiago Leitman sobre ciclovias e uso da bicicleta como transporte após pandemia, no Facebook @roberto.anderson.9 *** Também nesta quarta, Aasp promove, às 17h, o webinar “Produtividade em tempos de pandemia: gestão do tempo para a advocacia moderna”. Inscrições: mla.bs/db9ce745 *** A DFL produziu e doou mais de 2 mil frascos de álcool em gel para Polícia Civil e Rotary Club do Rio de Janeiro e 1 tonelada de cestas básicas e produtos de higiene para o Projeto Dom de Amar, além de 780kg de alimentos para o Retiro dos Artistas *** Nesta quarta, Bernardo Schucman, fundador e CEO da FastBlock, participará do webinar “O Pilar do Bitcoin: A Mineração”, junto a Thiago Cesar, Carlos Russo e Julian Lanzadera, da Transfero Swiss. Em youtube.com/watch?v=lcBNRPGnc3g *** Julian Tonioli, sócio da Auddas, proferirá a palestra “Como tornar seu negócio atrativo para investidores?”, nesta quarta, às 17h, dentro da start up Hilo-moda, pelo Instagram @hilomoda *** A Casa de Saúde São José participará do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Rio (Socerj), entre 16 e 19 de setembro, com 12 trabalhos científicos elaborados por profissionais da cardiologia e medicina esportiva e reabilitação do hospital.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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