Educação é o setor mais atacado por hackers

Índia, Itália e Israel são os países mais visados no setor.

Estudo da Check Point Research (CPR), divisão de Inteligência em Ameaças da Check Point Software Technologies Ltd. apontou que, desde meados de 2020, foi verificado um aumento constante no número semanal de ciberataques por organização no mundo referente ao setor de educação e pesquisas, com impacto em uma taxa mais elevada em comparação a outros setores. De acordo com a análise, globalmente, o setor de educação e pesquisas experimentou o maior volume de ataques em julho de 2021, com uma média de 1.739 ataques semanais por organização. Este foi um aumento de 29% em relação ao primeiro semestre de 2021. Em mais da metade dos países avaliados, educação é o setor mais atacado em 94% deles, posicionado entre os três setores mais atacados (os outros dois setores são governo/militar e comunicações, respectivamente).

No Brasil, durante o mês de julho, o número de ataques semanais por organização aumentou 19%, totalizando uma média de 377 ataques; é o 17° país mais visado por esta tendência de ataque ao setor de educação.

O modelo híbrido de educação a distância e volta às aulas presenciais despertou grande interesse no mundo do cibercrime. Dados de julho da Check Point Research demonstram que os cibercriminosos têm tirado proveito da incerteza perante o futuro dos modelos educativos – duas realidades impulsionadas pela pandemia e, mais recentemente, pela variante Delta. Escolas, universidades e centros de pesquisas estão entre as instituições visadas. Pessoas que fazem login em plataformas remotas utilizando os seus dispositivos pessoais e partindo de localizações muitas vezes desprotegidas são as principais vítimas.

Em particular, as organizações do setor de educação e pesquisa têm se engajado em uma batalha de segurança cibernética como nunca vista antes. Mais recentemente, o Departamento de Educação da Nova Gales do Sul da Austrália relatou que sofreu um ciberataque que resultou no desligamento de muitas de suas plataformas online, poucos dias antes do início do ensino online no novo período escolar.

Por país, em julho de 2021, as organizações do setor de educação e pesquisas na Índia experimentaram o maior volume de ataques, com uma média de 5.196 ataques semanais por organização. Isso representa um aumento de 22% em relação ao primeiro semestre de 2021. Em seguida vem a Itália, que teve uma média de 5.016 ataques semanais por organização (aumento de 70%); Israel, com 4.011 ataques semanais (aumento de 51%); Austrália, com 3.934 ataques semanais (aumento de 17%); o Brasil aparece em 17° lugar.

Por região, as organizações do setor de educação e pesquisas no Sul da Ásia enfrentam atualmente o maior volume de ataques com uma média de 5.084 ataques semanais por organização. Isso representa um aumento de 23% em relação ao primeiro semestre do ano. A América Latina ocupa o 11° lugar com uma média de 790 ataques por semana e por organização, representando um aumento de 9% comparado com a primeira metade deste ano.

Já estudo da Serasa Experian, intitulado Indicador de Tentativas de Fraude, mostra que o primeiro semestre teve uma movimentação possivelmente fraudulenta a cada 8 segundos. Foram 1,9 milhão de ataques ao longo dos seis primeiros meses deste ano, um aumento de 15,6% com relação ao mesmo período de 2020 e o maior volume já registrado no semestre desde o início do índice, em 2011. O levantamento traz a visão inédita sobre a idade das pessoas que sofreram os ataques, identificando que esta alta foi puxada principalmente pelas ações contra pessoas de até 25 anos, cujo crescimento foi de 19,3%.

As ocorrências de movimentações suspeitas ocorreram principalmente no setor financeiro nestes primeiros seis meses de 2021: bancos e cartões tiveram 1,2 milhão de tentativas e as financeiras, 205 mil, com variação acumulada de 59,2% e -40,7%. O setor que teve maior crescimento no comparativo entre semestres deste ano e 2020 foi o varejo, com alta de 89,5% e 167 mil. Telefonia (-49,0%) e serviços (-19,5%) apresentaram queda, registrando 79 mil e 258 mil tentativas, respectivamente.

Segundo o estudo, apesar de o Sudeste ter o maior acumulado do semestre, foi o Nordeste que registrou maior variação no período. O Sudeste teve pouco mais de 1 milhão de tentativas, seguido pelo Nordeste (347 mil), Sudeste (300 mil), Centro-oeste (176 mil) e Norte (120 mil). O aumento no Nordeste pode ser um indicativo do maior número de empresas atuando na região. Outro fator importante é que muitos donos de empreendimentos estão utilizando sites e redes sociais para comercializar produtos, canais suscetíveis a atividades de fraudadores.

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