Efeito urna

O convite do presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, ao presidente Lula – torcedor do clube – para comemorar em São Januário os 60 anos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), cujo lançamento foi feito no Estádio de São Januário por Getúlio Vargas, outro vascaíno, é uma jogada, no mínimo, incoerente. Afinal, o cartola vascaíno deve, em grande medida, a sua condição de ex-deputado ao seu voto pela redução dos mesmos direitos trabalhistas consolidados pela CLT agora homenageada por ele. Em futebol, isso se chama virar a casaca. Em política, é demagogia, mesmo.

Mudez perigosa
A tentativa do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo (PT-SP), de transferir o ônus das conseqüências da manutenção dos juros em 26,5% ao ano pelo Banco Central para os “tagarelas” que cobraram, e continuam cobrando, a redução dos juros para níveis civilizados, fornece argumento extra para os que se insurgem contra a “independência” do Banco Central. Para além da esquizofrenia política de atribuir às vítimas do monetarismo mais tacanho a razão da sua existência, JP revela que suas convicções sobre a “independência” do BC não resistem aos seus próprios argumentos. Afinal, a insegurança provocada por um BC que eleva juros apenas para não ceder a pressões dos tagarelas é razão suficiente para desconfiar que se está diante de uma quimera.
Até porque, enquanto os tagarelas fazem suas reivindicações às claras e publicamente, os defensores dos juros elevados costumam exibir seus argumentos, sem alaridos, nas sombras e nas futuras diretorias a serem ocupadas pelos oráculos contemporâneos. É o típico caso de mudez perigosa.

É vosso!
A tucanização do governo Lula estimula as agências ditas reguladoras, como a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a adotarem postura olímpica em relação ao recado das urnas contra as políticas neoliberais. O presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, denuncia que, antes mesmo de concluir a quinta licitação para exploração de poços de petróleo, a ANP já prepara a sexta: “O coordenador das licitações é Milton Franke, que, após deixar a Petrobras, foi ser consultor da Shell. Franke escreveu um livro, distribuído entre parlamentares, cujo título é Nem Deus é brasileiro, nem o petróleo é nosso”.

Conflito milenar
Discutir as causas e a origem do conflito entre árabes e israelenses é o objetivo do seminário sobre Oriente Médio que o Ibmec Cultura promove nesta segunda-feira, às 17h30m. O debate será conduzido pelo historiador Márcio Scalercio, autor do livro Oriente Médio – Uma análise reveladora de dois povos condenados. Os interessados em participar devem confirmar presença pelo telefone (11) 3175 – 2300 ou pelo e-mail [email protected]

Agasalho
Os 17 terminais rodoviários administrados pela Socicam no Brasil iniciaram a campanha de doação de agasalhos, da qual participam desde 1999. No Rio, ela conta com o apoio da Barcas S/A, que oferecerá, neste domingo, um passeio turístico gratuito pela Baía de Guanabara para todos que participarem da campanha. A barca sai às 9h30m, da Estação de Niterói, e às 10h, da Estação Praça XV (Rio). O movimento anual nos terminais gerenciados pela Socicam é de 100 milhões de passageiros.

Trabalhadora
A presença feminina na construção do Rio de Janeiro é o tema do livro Um Rio de Mulheres – A Participação das Mulheres Fluminense na História do Estado do Rio de Janeiro, de Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil. O lançamento será dia 28, às 18h, no auditório do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (Av. Presidente Vargas 502/21º andar, Centro), com direito a atividades culturais promovidas pela Comissão Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT/RJ.

Óleo da discórdia
Os prefeitos filiados à Associação Brasileira de Municípios com Terminais Marítimos e Fluviais de Petróleo e Gás Natural (Abramt) vão recorrer, nos próximos dias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar que municípios que recebiam indevidamente royalties relativos à exploração de petróleo voltem a receber os repasses. Essas cidades tiveram os royalties cancelados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) após auditoria. Sete deles, porém, conseguiram liminares para  voltar a receber os benefícios.
A lei 7.990 estabelecia que apenas as cidades com estrutura de operação, embarque e desembarque de petróleo (terminais marítimos e fluviais) tinham direito aos royalties. Mas, de acordo com a Abramt, uma nova interpretação da lei acabou beneficiando cerca de 150 municípios, reduzindo os repasses para as cidades originalmente contempladas.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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