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sexta-feira, janeiro 15, 2021

Efeitos colaterais

Com o país em pleno luto pelo assassinato de 12 crianças e adolescentes, impressiona e choca a falta de cerimônia com que ONGs e seus replicadores buscam se apropriar do acontecido. Aproveitam o momento de forte emoção da população para  passar contrabandos como o seu desejo, amplamente derrotado em plebiscito, de varrer do Brasil a indústria bélica nacional, que, claro, seria substituída pela das nações boazinhas, aquelas que exterminaram seus índios e têm na prática da invasão imperialista sua marca registrada.

Volta o desarmamento
Recentemente a imprensa publicou dados apresentados por uma ONG e pelo governo com a conclusão de que o desarmamento da população brasileira, realizado em 2003, trouxe como consequência a queda no número de assassinatos no Brasil. Contudo, um amigo desta coluna, analisando os números, chegou a conclusão oposta.
Os números totais de homicídios no Brasil e os de homicídios com armas de fogo foram, respectivamente: em 2003, 51.043 e 36.081 (70,6% dos assassinatos foram cometidos com armas de fogo); em 2004, 48.374 e 34.117 (70,6%); em 2005, 47.578 e 33.419 (70,2%); em 2006, 46.660 e 33.214 (71,3%). Ou seja, houve um leve aumento, de 70,6% para 71,3%, na participação dos homicídios com arma de fogo em relação ao total.
É curioso que a pesquisa apresentada pelo governo mostra percentuais diferentes: 2003, 77,9%; 2004, 76,2%; 2005, 74,4%; e 2006, 74,4% – como esta coluna mostrou em 30 de janeiro de 2008.
Independentemente da divergência, uma conclusão óbvia é que a violência é um problema muito complexo para ser tratado apenas como uma questão de desarmamento. Tal qual a Lei da Ficha Limpa, soluções simples para problemas complexos normalmente estão… erradas.

Antecipada
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou nesta segunda-feira que vai antecipar a campanha de desarmamento, que começaria em junho, para 6 de maio deste ano. Segundo o ministro, no orçamento da União há cerca de R$ 10 milhões reservados para pagamentos de indenizações de diferentes modalidades.

O autor
A propósito, o economista Marcos Coimbra, colaborador da página de opinião do MM, lembra ser da autoria do então senador José Roberto Arruda (DEM-DF), ex-líder do governo FH no Senado, o anteprojeto que proibiu o comércio e a posse de armas de fogo por cidadãos do país. Claro que bandidos e os exércitos de milicianos que protegem a turma do Bolsa Juros e os artistas que participaram da campanha  contra “o desarmamento” não são alcançáveis por essa restrição.

Castigo
Arruda, aliás, teve seus próprios problemas com a polícia, mas a Federal, no escândalo do mensalão do DEM. Ele perdeu o mandato de governador do distrito Federal.

Blindados
Emblematicamente, até agora, não apareceu ninguém para criticar a indústria de games violentíssimos, muitos dos quais ininterruptos, o que leva adolescentes a jogá-los durante até três dias sem dormir. A milionária indústria do setor – amplamente dominadas por multinacionais – parece ter blindagem cinco.

Fumo
Após ser condenada em uma ação em primeira instância no Rio, a indústria do cigarro se apressou a mostrar que tem ampla vantagem na Justiça. De acordo com a Souza Cruz, até o momento, do total de 628 ações indenizatórias ajuizadas contra a companhia desde 1995, em todo o país, mais de 460 foram rejeitadas (343 definitivas) e 11 aceitas (todas pendentes de recurso). Em linhas gerais, segundo a fabricante, os autores dessas ações pleiteiam indenização por danos morais e materiais atribuídos ao consumo de cigarros.

Espinhoso
“A razão de se explorar energia nuclear e o aprendizado adquirido com os recentes incidentes no Japão”. Este é o difícil tema que o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, irá abordar em almoço-palestra no próximo dia 27, no Ibef-Rio (Av. Rio Branco, 156/4º andar – Ala C – Centro – RJ).

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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