Elas também bebem

As mulheres já representam 33% do consumo brasileiro de cerveja , segundo levantamento do Ibope. Ainda de acordo com o Ibope, das mulheres cervejeiras, 81% se mostram muito preocupadas com a imagem pessoal, contra 74% das mulheres em geral: “É um grande engano pensar que somente os homens bebem cerveja regularmente. Nós estamos vendendo para as mulheres cada vez mais. Acontece que elas são mais exigentes, mais requintadas, assim acabam preferindo cervejas que também possuam estas características”, afirma Jeroen de Winter, gerente geral da Boxer do Brasil, importadora das principais marcas de cervejas européias para o mercado nacional. Segundo Winter, entre a cervejas importadas pela Boxer, Wexford Irish Cream e IPA são algumas das preferidas do público feminino”, Winter

Vôo Vivo
Quem pensa que o apagão aéreo é o único tipo de transtorno imposto a quem tenta viajar pelos ares brasileiros não passou ainda pela experiência indelével de estar se relacionando com a Vivo. Esta coluna viveu e, solidária aos clientes que não têm tribunas públicas, a reproduz como emblemática do tratamento destinado por operadoras aos seus usuários. O motivo da ligação era a divergência sobre uma cobrança considerada indevida e, ao menos, saber a razão do débito. Atendido, inicialmente, por uma funcionária de São Paulo, o cliente foi informado, depois de cerca de 20 minutos, de que teria voltar a ligar. Motivo: o sistema estaria sendo reinicializado; a terceira vez durante o período que durou a chamada.
Na nova tentativa, a atendente, agora da Bahia, avisou logo que não poderia estar atendendo o cliente, porque ele era… do Rio. Na terceira vez, como a funcionária era do Paraná, o cliente, precavido, perguntou se ela tinha restrições aos cariocas. Para seu alívio, foi informado que, diferentemente do que informara a colega baiana da mesma empresa, clientes do Rio podem ser atendidos por funcionários de outros estados.
No entanto, disse não poder informar o motivo da cobrança extra e que o cliente só poderia estar se queixando depois de pagar a conta. Algo como ir a um restaurante, pedir um churrasco e ser informado pelo garçom que a nota ia registrar uma feijoada não-consumida, mas só poderá reclamar depois de pagar a conta com a cobrança indevida. Além disso, a operadora se recusou a receber uma queixa formal do cliente.
Resultado, depois das escalas por Sudeste, Nordeste e Sul sem solução, a viagem acabou em Brasília: na Anatel, à qual o cliente, insatisfeito pelo atendimento da Vivo, recorreu para se queixar. O pouso final, porém, também enfrentou turbulências. Foram necessários cerca de dez minutos para a funcionária da Anatel aceitar a queixa contra a Vivo. Ela alegava que, como a operadora se recusara a abrir um procedimento interno, não havia um processo a ser acompanhado pela agência que, teoricamente, deveria atender os usuários. Mais kafkniano impossível!

Porto escancarado
A Medida Provisória 320/2006, que estabelece novas regras para concessão dos portos-secos no Brasil, traz sérios riscos, alerta a presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) do Rio de Janeiro, Vera Teresa Balieiro. A MP caminha na contramão do que propõe a CPI do Tráfico de Armas, que sugere a intensificação da fiscalização e controle aduaneiro em portos, aeroportos e travessias de fronteira. Segundo Vera Teresa, se for aprovada como está, ao privatizar a fiscalização, a MP entregará aos mercados a política aduaneira do país e irá tolher a fiscalização, ou seja, não haverá a presença de fiscal. A medida já tranca a pauta do Senado.

Memória
O Centro Celso Furtado promove, nesta quinta, às 14h, o seminário “Presidente João Goulart: entre a memória e a história”, no BNDES. Entre os participantes, Almino Afonso, ministro do Trabalho e da Previdência Social do Governo Jango, e Maria da Conceição Tavares. Às 18h será lançado o livro João Goulart: entre a memória e a  história.

Fio do bigode
A nomeação de Carlos Pareja para presidente da Petroecuador – a Petrobras do Equador – é uma amostra de que, diferentemente de muitos dos seus sucessores, o presidente eleito daquele país, Rafael Correa, pretende, no governo, cumprir as promessas de campanha. A análise é de Pietro Lora Alarcón, professor de Direito Internacional da PUC-SP. Em artigo na edição eletrônica do Correio da Cidadania, Alarcón lembra que Pareja foi o responsável pelo cancelamento da exploração de petróleo pela Occidental Company, bem como pela desapropriação da empresa. A ação levou à interrupção das negociações do Tratado de Livre Comércio (TLC) Equador-Estados Unidos e a nova gestão dos recursos naturais, em particular do petróleo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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