Elefante sujo

A opção do governo pela energia a gás implica três grandes problemas para o país. O alerta é do presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira. Ele critica, inicialmente, a troca de uma matriz energética limpa (95% hidrelétrica) por outra que queima combustível fóssil, gerador de gás carbônico. Siqueira destaca ainda que o país se torna dependente de energia externa, controlada por empresas estrangeiras que têm como principal objetivo o lucro, facilitado pelo monopólio natural do gasoduto.
Por fim, o presidente da Aepet observa que a mudança de matriz resulta no pagamento em dólar, cuja variação o governo já ameaça repassar aos consumidores: “A energia a gás seria a sexta opção energética, após a hidrelétrica, a nuclear, o carvão nacional, o carvão importado e o óleo combustível”, argumenta Siqueira.

Mulheres uni-vos
No próximo dia 17, as mulheres brasileiros vão às ruas, se integrando à Marcha Mundial das Mulheres Contra a Pobreza e a Violência, que será realizada em todo o mundo. No Rio, haverá uma marcha da Candelária à Cinelândia, que culminará com um showmício. O objetivo da manifestação é sensibilizar os povos de todo o mundo em relação às injustiças contra as mulheres e pressionar os governos e as instituições internacionais a tomarem providências para resolver o problema.

Custos
Interessado em agradar ao investidor europeu, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, disse, em Londres, que o governo quer reduzir o ICMS que incide sobre a telefonia. Maneira fácil de fazer cortesia com o chapéu dos outros – no caso, os governos estaduais, que não mostram interesse em abrir mão de uma receita que pode representar até 30% do que arrecadam. Se o objetivo de Pimenta da Veiga é reduzir os custos das ligações, poderia negociar com as empresas de telefonia o repasse dos ganhos que elas vêm tendo com a redução dos custos.

Na Europa
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem a empresários holandeses que “não há mais sem-terra no Brasil, mas sem-crédito”. A afirmação vai ao encontro do que o MST vem defendendo, ou seja, a necessidade de crédito mais barato para assentar o pequeno produtor rural. E que o governo federal vem negando sistematicamente. O que parece comprovar que FH usa, no exterior, discurso alheio à realidade do país.

Factóide
A promessa de pagar a diferença do FGTS para todos os trabalhadores ajudou a reduzir a avaliação negativa do presidente Fernando Henrique Cardoso na pesquisa da Confederação Nacional do Transporte de 39,3% para 38%. O factóide também contribuiu para aumentar de 18,8%, em agosto, para 23,4%, em setembro a avaliação positiva do presidente. Resta saber como ficarão os números quando as pessoas descobrirem que são escassas as possibilidades da promessa virar realidade.

Tremendão
Escolhido para fazer a palestra de abertura da XII Convenção da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais (Confam), na próxima sexta-feira, o senador tucano Arthur da Távola caprichou na escolha do tema: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.

Inflando
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Ilan Goldfajn, confirmou que está sendo realizado estudo para mudança do deflator do PIB. Ele não adiantou detalhes. Hoje, o deflator utilizado pelo BC é o IGP-DI, da FGV, mas especulações do mercado avaliam que o índice deverá ser trocado pelo IPCA, do IBGE. A mudança confirma denúncia feita por esta coluna.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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