

O candidato Javier Milei obteve 55,69% dos votos contra 44,3% de Sergio Massa e foi eleito novo presidente da Argentina. O vencedor assumirá em 10 de dezembro. A eleição de Milei e as ações da B3 que podem ser impactadas influenciam investimentos.
A vitória do candidato ultraneoliberal é vista de forma positiva pelo mercado financeiro brasileiro. “A chegada dele à presidência oferece ao país uma guinada em um modelo econômico e político que não estava funcionando”, afirma o economista Volnei Eyng, CEO da Multiplike, para quem a boa expectativa sobre Milei não chega a ser suficiente, dado os imensos desafios que a Argentina tem pela frente.
“Em um país cuja inflação está em 140% ao ano, certamente alguma coisa está errada. A Argentina precisa de um choque e de um novo viés. Vale lembrar que, atualmente, tem um dos maiores riscos país do mundo, e isso encarece o custo do dinheiro”, explica, ressaltando que há especulações de mercado que apontam a probabilidade de 95% de o país não pagar o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Vale mencionar que a Argentina tem vários títulos a vencer no curtíssimo prazo. O país sempre gastou mais do que arrecada, e isso indica um desarranjo na administração. Por lá, já ocorreram nove moratórias, sendo duas em 1827 e 1890, respectivamente, além de quatro no século passado e três neste século. E olha que a gente não avançou nem um quarto do século, e isso eleva o risco país para incríveis 4.177 pontos. Então, o risco já parte de 41% de juros ao ano”, frisa Eyng.
Eleição de Milei e as ações na B3
A expectativa do fator Milei sobre a Bolsa brasileira é positiva por parte do empresariado, justamente por entender que o perfil ultraneoliberal, em termos econômicos, tem por premissa mais empresa e menos Estado. Inclusive, ele já declarou a intenção de diminuir o número de ministérios e fechar algumas autarquias.
A aprovação do futuro presidente mostra que o discurso de combate às elites e privilégios não amedronta as elites. O ônus da crise deverá recair sobre a classe média.
“Embora ele seja o oposto do que se vê hoje na Administração Federal brasileira, em termos ideológicos, ninguém acredita que haverá qualquer problema no setor empresarial, pelo contrário, a expectativa é de que a parceria comercial entre os dois países aumente”, diz Eyng, lembrando que o país vizinho já foi o principal parceiro comercial do Brasil e hoje ocupa a terceira posição.
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Possíveis ministros de Milei, porém, apontam na direção contrária. Falam em congelar as relações com Brasil e com a China, segundo maior parceiro comercial da Argentina e que ajudou as contas externas nos últimos meses com empréstimos.
Vale lembrar que em 2019, por conta das eleições daquele ano, algumas empresas foram afetadas, quando o candidato Mauricio Macri foi derrotado nas primárias. Ele era o nome do “mercado” e, ao perder, os bancos de investimentos soltaram relatório elencando empresas que sentiriam o impacto, na ocasião.
Por enquanto, nenhuma corretora soltou relatório tratando disso, mas, indiretamente, a expectativa é que as empresas que sofreram “ontem”, possam “sorrir” hoje. São elas:
- CVC (CVCB3)
- Marcopolo (POMO4)
- Mahle Metal Leve
- Fras-le (FRAS3)
- Randon (RAPT4)
- Marfrig (MRFG3)
- Minerva (BEEF3)
- Banco do Brasil (BBAS3)
- Usiminas (USIM5)
- Grupo Pão de Açúcar (PCAR3)
- Alpargatas (ALPA4)
- Ambev (ABEV3)
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