Eleições concentram atenções este ano e povo quer futuro justo

Fazer compra on line é uma prática que deve ser mantida

O brasileiro está resiliente frente às dificuldades impostas pela crise atual, mas cauteloso sobre o futuro próximo. A interpretação foi feita com dados apurados na 9ª edição do Observatório Febraban – Pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), divulgada nesta segunda-feira.

O levantamento — realizado entre os dias 19 a 27 de novembro, com três mil pessoas nas cinco regiões do país — reuniu as percepções e expectativas para 2022 e os 200 anos da Independência política brasileira.

Conforme a pesquisa, mais da metade dos entrevistados (58%) se dizem satisfeitos com a vida no país particularmente ao ver a si e sua família com boa saúde após a grave e longa crise sanitária. Também mais da metade (53%) apresenta esperança de tempos melhores em longo prazo, acreditando que o Brasil estará melhor daqui a 10 anos.

“Ao mesmo tempo que mostra a população preocupada com seu cotidiano, a pesquisa revela que o brasileiro tem esperança no futuro e espera, para os próximos anos, um país mais justo e com menos desigualdade social e, em segundo lugar, deseja um país sem corrupção”, diz Isaac Sidney, presidente da Febraban. “A pesquisa comprova também que o brasileiro gosta de ser brasileiro e que a melhoria nas condições de saúde, seja pública seja da família, é motivo de grande satisfação”.

Para traçar um paralelo com o que o mercado financeiro pensa sobre o país, dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), mostram que diminuiu mais uma vez a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2022. As projeções constam do segundo boletim Focus de 2022, que aponta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,28%, ante os 0,36% projetado na primeira semana do ano.

O boletim reúne a projeção do mercado para os principais indicadores econômicos do país. Na última semana de 2021, a previsão do mercado era de um crescimento de 0,42% e, há quatro semanas, a previsão era de 0,50%. O mercado também reduziu a previsão de crescimento do PIB – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – para 2023, de 1,8% para 1,7%. Há quatro semanas, a projeção era de crescimento de 1,9%.

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, destaca ainda que, olhando adiante, boa parte dos entrevistados acredita que muitos dos hábitos que foram adquiridos ao longo da pandemia devem ser mantidos e até ampliados.

“Nessa relação está o trabalho remoto, as compras online e a maior presença junto à família, além do uso de serviços de streaming para filmes e música, e a comunicação através de redes sociais e chamadas de vídeo”, diz Lavareda.

De acordo com o levantamento, às vésperas do aniversário de 200 anos da Independência de Portugal, 59% dos brasileiros não sabem dessa comemoração. Mas, depois de tomarem conhecimento desse evento, 53% declaram que o Brasil tem o que comemorar. Nessa perspectiva histórica, os fatos mais lembrados pelos brasileiros em 500 anos são abolição da escravidão, a própria Independência do Brasil, seguida pela Proclamação da República e a redemocratização, iniciada em 1985.

Quando perguntados qual melhor símbolo para traduzir o Brasil, a natureza é tida como a definição mais precisa do país para 60% das pessoas, seguida pelo seu povo (31%) e pela dimensão continental do território (21%). A opinião pública em 2022 deverá ser mais mobilizada pelas eleições, juntamente com a agenda econômica (desemprego e inflação). Cerca de um quinto dos entrevistados citou a Copa do Mundo e a pandemia do coronavírus. A crise hídrica e racionamento de energia também foram destacados.

Quase seis em cada dez entrevistados (59%) não têm conhecimento de que em 2022 o Brasil completará dois séculos de independência em relação a Portugal. O desconhecimento é maior entre as mulheres, que pontuaram 66% contra 49% dos homens. Destaque também para quem tem renda até dois salários mínimos (70%) e com idade entre 25 e 44 anos (69%).

Os 200 anos da independência são motivo de comemoração para 53% das pessoas ouvidas, ao contrário de 42% que acham que o Brasil não tem razões para comemorar – percentual maior entre quem tem de 45 a 59 anos (48%). Os grupos que aderem mais fortemente à ideia de comemoração são os jovens de 18 a 24 anos e quem tem nível superior (63% em ambos os casos).

A abolição da escravatura no país é apontada como o acontecimento mais importante da história do Brasil por 44% dos entrevistados quando apresentado a vários fatos históricos. Em seguida, 30% mencionaram a independência do país, em 1822, e 18% a Proclamação da República, em 1889. A redemocratização a partir do fim do governo militar, em 1985, foi citada por 16% das pessoas ouvidas.

Numa projeção para os próximos dez anos, mais da metade da população entrevistada (53%) acham que o Brasil estará melhor do que hoje em dia. Para 22% dos entrevistados, o país estará pior no período de uma década. Outros 14% não acreditam em mudança, acham que vai continuar igual – percentual maior na faixa etária de 25 a 44 anos (19%).

As eleições, assim como questões econômicas a exemplo de desemprego e inflação, foram apontadas por 42% dos entrevistados como temas que mais irão mobilizar a população no ano que vem. Problemas sociais, como fome, pobreza e desigualdade, foram mencionados por 35% das pessoas.

Cerca de um quinto dos entrevistados (22%) acha que a Copa do Mundo será o tema que mais vai movimentar 2022, assim como a continuidade da questão da pandemia da Covid-19 (21%). Menos de um décimo citam outros temas que irão mobilizar as pessoas ano que vem; meio ambiente e preservação das florestas (9%) e crise hídrica e racionamento de energia (7%).

Depois de quase dois anos de pandemia, muita coisa mudou na vida das pessoas e alguns aprendizados deverão reverberar em 2022. Para 46% o trabalho remoto será mantido no pós-pandemia. Para 31% os hábitos de fazer compras online e ficar mais em casa com a família devem ser mantidos ou até ampliados.

Para 19% a comunicação pelas redes sociais e chamadas de vídeo são outros hábitos que foram intensificados na pandemia e deve continuar em 2022. Outros 15% apontam o estudo online ou à distância, 13% apontam o uso de serviços digitais de bancos e 6% citam a prática de esportes e atividades físicas, assim como o entretenimento online com uso de serviços de streaming para filmes e música, e a redução de uso de carro particular.

 

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