Eleições mexicanas

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Há razões para curiosa expectativa face às eleições que se travarão no México neste domingo. Pela primeira vez, há 70 anos, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) está ameaçado de perder o controle do governo.
O PRI vinha se mantendo no poder durante este quase ¾ de século, aplicando a técnica perversa de se impor como partido único, através do controle absoluto das lideranças sindicais (indicadas sempre pelo governo) e da máquina empregatícia do Estado.
Nos últimos 10 anos a oposição vem crescendo. Crises econômicas graves e a rebelião da província de Chiapas vem acentuando o desprestigio dos governos e dos “métodos” de sobrevivência do PRI.
O quadro que a pesquisa apresenta para este pleito é de um empate técnico – Francisco Labastida, PRI, situacionista, 42%, e Vicente Fox/, PAN, oposicionista 39%. Há um terceiro candidato, considerado de esquerda radical, índio, Cuauhtemoc Cardenas, com cerca de 15% das expectativas de votos e que, se aceitasse uma aliança com qualquer dos dois, decidiria a sorte eleitoral. Este, entretanto, recusa qualquer composição.
Em face da perspectiva provocada pelo empate técnico, a grande preocupação do candidato oposicionista Fox é a possibilidade de fraude por parte da máquina partidária do PRI. O lema da oposição é – “de olho na fraude”.
Para assegurar o “olho na fraude” já se deslocaram para o México a fim de assistirem as eleições mais de 600 jornalistas, repórteres e observadores credenciados por organizações internacionais. Lidera a enorme equipe de observadores norte-americanos o ex-Presidente Jimmy Carter.
Não se pode menosprezar a importância desta eleição. O México, por sua população (cerca de 85 milhões de habitantes), por sua extensão (cerca de dois milhões de km²), por sua cultura e riqueza (grande produtor de petróleo), ocupa o segundo lugar entre os países latino-americanos, por sua posição geográfica e longa fronteira com os Estados Unidos. As suas relações com o governo de Washington, historicamente, têm sido difíceis. No século XIX, foi vítima do imperialismo norte-americano, perdendo grande parte de seu território. No século XX, além da guerra, invasão e ocupação de sua capital (1916) por tropas do exército norte-americano sob o comando do General Pershing, suportou constante conflito por questões de fronteira e de imigrações ilegais. Numa tentativa aparentemente conciliadora; há cerca de dez anos, os Estados Unidos incluíram o México no projeto de integração econômica Alca (Estados Unidos, Canadá e México). O famoso caudilho mexicano Porfirio Diaz costumava traduzir a problemática relação do México com seu poderoso vizinho com a frase – “Pobre México, longe de Deus e perto dos Estados Unidos”.
O candidato de oposição Francisco Fox é acusado de estar sendo apoiado pelos norte-americanos. O governo de Washington desmente qualquer interferência nas eleições, mas, de parte do capital empresarial há suspeitas cabíveis, pois Fox foi superintendente da Coca Cola para o México.
Agora é só esperar.

Carlos de Meira Mattos
General Reformado do Exército e Conselheiro da ESG.

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