Eletrobras fez exigências e Cemig ofereceu pouco: perderam a EDP

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As propostas brasileiras da Eletrobras e da Cemig não convenceram os representantes dos acionistas da Energias de Portugal. Além disso, o Conselho Geral e de Supervisão da EDP, após a reunião desta terça-feira, chegou à conclusão de que as ofertas feitas pelos alemães da E.On e da chinesa Three Gorges são as melhoras das quatro para a compra de 21,4% da participação estatal portuguesa que foi colocada à venda. A conclusão foi consequência da solicitação ao Conselho Geral feita pela Parpública – Participações Públicas (Sociedade Gestora de Participações Sociais-SGPS) para a avaliação de todas as propostas em função dos maiores benefícios para a empresa portuguesa de energia.
As propostas foram analisadas levando em consideração apenas os benefícios da EDP, sendo deixado de lado o preço de compra, que é importante para quem vende mas irrelevante para a empresa. Também foram examinados o pacote para o financiamento das atividades e as características técnicas que serão aplicadas. Daí a conclusão que a proposta chinesa e a alemã são as que possuem as melhores condições.
O Conselho Geral e de Supervisão é o órgão que assegura “o acompanhamento e a supervisão da atividade da administração da EDP, cooperando com o Conselho de Administração, com a Diretoria Executiva e demais órgãos. Embora a maioria dos seus membros sejam independentes, é visto como uma estrutura de cúpula dos principais acionistas.
Os que desconsideraram as propostas da Eletrobras e da Cemig foram: Antônio de Almeida, presidente do Conselho Geral e de Supervisão, Alberto de Castro, vice-presidente, Carlos Santos Ferreira, do Banco Comercial Português, Eduardo Catroga, José Maria Ricciardi, do Banco Espírito Santo e Luís Filipe Pereira, do Grupo Mello.
O resultado da privatização será anunciado no final na próxima semana. Das quatro propostas, o preço proposto em três delas ficou muito próximo, sendo o maior o dos chineses que ofereceram 2,7 bilhões de euros, seguido pelo dos brasileiros da Eletrobras e dos alemães da E.On. A da Cemig ficou distantes das demais.
Outra coisa que enfraqueceu a proposta da Eletrobras foi a exigência para aumentar o limite dos direitos de voto dos atuais 20% para 32%. O decreto-lei desta privatização, porém, impunha que os concorrentes não colocassem condições à compra da participação.

E.ON terá redução na capacidade de produção
A E.ON terá, nos próximos três anos, uma redução de seis gigawatts na sua capacidade de produção de energia elétrica, pois algumas das suas unidades chegaram ao final do seu período de vida útil e também devido ao encerramento acelerado de algumas centrais nucleares. Por causa do acidente na central atômica de Fukushima, que resultou de um terramoto, seguido de tsunami, houve uma onda de contestação, principalmente na Alemanha, à produção de energia nuclear levando a chanceler alemã Angela Merkel estabelecer o prazo de 2022 para que a maior economia da Europa abandone esse tipo de produção de energia. Em consequência, neste ano, o consumo de energia produzida com este recurso caiu 21% e, no mês de março, foram desativados oito reatores. Caso vença o leilão em Portugal, a companhia energética alemã compensará parte dessas perdas.
Nesse período, a receita da empresa deverá ter perda de 3 bilhões de euros, os quais 2,1 bilhões de euros nos ativos na Itália e na Espanha e os demais na Hungria e na Eslováquia. O resultado previsto para este ano oscila entre 2,3 bilhões de euros e 2,5 bilhões de euros. Os resultados da elétrica caíram 64% nos primeiros nove meses deste ano para 1,6 bilhão de euros.
O pitoresco é que, enquanto participa do leilão português, a alemã continua com seu plano de venda de ativos no montante de 15 bilhões de euros até o final de 2013. No momento, negocia com a Allianz a venda da sua rede de distribuição de gás na Alemanha, que 12 mil quilômetros de extensão.

Venda não vai alterar rating
Para a Fitch Rating, a classificação da EDP está três níveis acima de Portugal, que já está abaixo de grau de investimento, não incorpora o fato da empresa ser ainda detida em parte pelo estado português. Por isso, a venda dessa participação não terá efeito para a notação do crédito da companhia. A agência ressalta que a empresa portuguesa tem liquidez suficiente para o próximo ano e será capaz de se refinanciar para cumprir os reembolsos de dívida agendados para 2013. E o processo de privatização poderá ser um fator favorável para o acesso ao mercado por parte da EDP.

Chineses contra supernavios
A associação dos armadores da China pedirá ao governo que reavalie cuidadosamente a segurança dos supernavios da Vale antes de permitir o acesso aos portos nacionais, porta de entrada para o maior mercado da produtora brasileira de minério de ferro, pois os maiores cargueiros do mundo, não foram rigorosamente testados e podem ser uma ameaça à segurança.
Por enquanto, a China anda não permite que os supernavios cheguem aos seus portos. Os armadores chineses, no entanto, continuam com o lobby para o governo manter a proibição, alegando que se houver algum vazamento de combustível, a poluição será catastrófica.

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