Em 2020, comércio Brasil-EUA teve a pior marca em 11 anos

Em 2020, o intercâmbio comercial entre Brasil e EUA registrou a pior marca em 11 anos – o menor resultado desde a crise financeira de 2009. O valor das trocas foi de US$ 45,6 bilhões, uma queda de 23,8% em relação a 2019.

Esses dados exclusivos do estudo da Amcham Brasil, intitulado “Monitor do Comércio Brasil-EUA”, divulgados nesta quinta-feira, pela Câmara Americana de Comércio. O relatório contém os dados consolidados do comércio bilateral para o ano de 2020, além de perspectivas para 2021.

Tanto as exportações quanto as importações sofreram grande impacto em 2020. As exportações brasileiras para os EUA caíram 27,8% em um ano e, em termos absolutos, os EUA foram o parceiro mais afetado entre todos os destinos de exportação do Brasil. Em relação às importações de produtos americanos para o Brasil, a soma foi de US$ 24,1 bilhões, queda de 19,8% em relação a 2019.

“O comércio entre Brasil e EUA é formado sobretudo por produtos de maior valor agregado, os mais afetados pela crise mundial. Os efeitos negativos provocados pela pandemia e a queda do preço internacional do petróleo ajudam a entender a contração das trocas bilaterais em 2020”, contextualiza Abrão Neto, vice-presidente-executivo da Amcham Brasil, entidade que representa cerca de cinco mil multinacionais brasileiras e americanas. Os EUA são hoje o segundo principal parceiro comercial brasileiro, com participação de 12,4%, atrás apenas da China (28,4%).

Segundo dados oficiais dos EUA até novembro de 2020, o Brasil foi o 17º principal parceiro comercial de bens. A taxa de queda do comércio com o Brasil foi a segunda maior para os americanos, com queda de 22,6%, ficando atrás apenas da França (-26,9%).

Apesar dos resultados, a Amcham acredita que há motivos para que 2021 seja um ano melhor. “O desempenho do comércio bilateral mostrou maior resiliência na crise atual que na anterior. Em 2009, as trocas bilaterais encolheram 55%, mais que o dobro de 2020. Além disso, o comércio já iniciou recuperação gradual, com desaceleração da contração nos últimos trimestres de 2020”, explica Neto. O último trimestre de 2020 registrou a menor taxa de queda das exportações brasileiras para os EUA no ano (-16,9%), apontando para uma trajetória de recuperação em 2021.

Com o avanço da vacinação e a retomada mais forte das atividades econômicas nos EUA, a Amcham acredita que as exportações brasileiras para os americanos devem ser impulsionadas ao longo de 2021. As projeções de órgãos internacionais também apontam para um ano mais próspero para a economia: segundo o FMI, a economia norte-americana deve crescer 3,1% neste ano. Para o comércio internacional, a Organização Mundial do Comércio (OMC) estima um crescimento de 7,2% para 2021.

Outra mudança importante em vista é o câmbio. No ano passado, o real foi a moeda que mais se desvalorizou entre os países emergentes (-22,4%). A projeção do BC é que a taxa média de câmbio seja em torno de R$ 5, mais apreciada do que a média de 2020 (R$ 5,15). A possível valorização do real, e expectativa do FMI de crescimento de 2,8% da economia brasileira devem levar a aumentos nos níveis de importação do País, inclusive originárias dos EUA.

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