Em casa onde falta pão…

Em períodos de crise, as fraudes em seguros aumentam? Pode ser que não, mas a percepção delas muda. Em 2003, 66% dos norte-americanos ouvidos em pesquisa da consultoria Accenture concordaram com a pergunta (11% fortemente, 19% concordaram e 36% parcialmente); em 2009, com os EUA mergulhados numa crise, o percentual dos que assentiram subiu para 76% (15%, 25% e 36%, respectivamente. Discordaram 26%, em 2003 (sendo que 5% não concordaram de forma veemente), e apenas 12%, em 2009 (apenas 2% discordaram fortemente). O percentual restante, em ambos os anos, foram de entrevistados que não quiseram opinar.

Golpe
Segundo o estudo da Accenture, a estimativa atual é de que 10% dos seguros nos EUA em ramos elementares são fraudulentos, com uma taxa de detecção de 20%. Ou seja, 8% dos seguros seriam alvo de fraude não descoberta.

Vem de longe
Quem ainda não compreende o motivo da ascensão de líderes como Evo Morales e Hugo Chávez pode ter uma didática explicação neste relato publicado pela coluna Empresa-Cidadã, neste MM. O texto lembrava a Guerra pela Água, em Cochabamba (Bolívia). Começou com empréstimo do Banco Mundial, em 1996, para este município expandir o serviço de água. Financiamento condicionado à privatização do fornecimento. Um ano depois, o serviço foi arrendado, por 40 anos, à Aguas del Tunari, testa-de-ferro da gigantesca corporação Bechtel, da Califórnia (EUA). Com uma cláusula: lucro assegurado de 16% ao ano.
Em janeiro de 2000, a Bechtel aplicou um tarifaço de 200% sobre o serviço. A população reagiu com uma greve geral de três dias e deixou de recolher a tarifa de água. O governo optou pelo uso violento de tropas. Um jovem foi assassinado.
O governo central acabou capitulando, cancelou o contrato e os executivos da Bechtel fugiram da Bolívia. Mas a multinacional não se deu por vencida. Em 2001, cobrou US$ 25 milhões da Bolívia, através do Banco Mundial, a mesma instituição que forçou a privatização. A pressão internacional fez com que até o Banco Mundial desistisse do processo.

Realidade local
O brasileiro pode estar consumindo muito mais gordura no leite do que afirmam os especialistas. A percentagem de gorduras saturadas e colesterol encontradas no produto brasileiro é muito superior ao da tabela normalmente adotada, que é norte-americana. A estimativa de consumo anual de gordura saturada em leite desnatado passaria de 120mg para 260mg. A estimativa anual de consumo de colesterol em leite integral passaria de 2.720mg para 5.600mg.
Em pesquisa divulgada pela agência Notisa, os médicos Carlos Scherr e Jorge Pinto Ribeiro dizem que é precário o conhecimento da composição química dos alimentos consumidos pelo brasileiro. “As tabelas disponíveis no Brasil são limitadas quanto ao conteúdo de gorduras e colesterol”, dizem.

Equiparação
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou que a Fazenda do Estado efetue a revisão da complementação de aposentadoria recebida pelos ex-servidores da Fepasa – Ferrovia Paulista S/A, garantindo a equiparação ao salário do servidor ativo da CPTM. Causa ganha pela advogada Gabriela Valêncio de Souza, do escritório Innocenti Advogados Associados.

“They loved”
Poucos dias depois da revelação de documentos oficiais dos Estados Unidos, demonstrando que, por expedientes variados, o governo deste país destinou US$ 40 bilhões a ONGs, jornalistas e políticos para ações contrárias ao governo Hugo Chávez, o presidente da ONG Inter-American Dialogue, Michael Shifter, comemorou a performance da oposição venezuelana nas eleições de domingo: “Isso vai mudar a dinâmica política da Venezuela. É um resultado respeitável em que a oposição pode basear-se para a corrida presidencial de 2012. Isso mostra que eles estão de volta no jogo e Chávez é vulnerável”, celebrou o presidente do Inter-American Dialogue, satisfeito apesar do placar de 98 x 67 pró-Chávez.

Aprenderam
Os grandes bancos obtêm “dinheiro grátis” no Federal Reserve (Fed), a juro zero, e emprestam de volta ao governo por meio de compras de títulos, “ganhando um retorno assegurado”, disse o governador da Reserva Federal de Kansas City, Thomas Hoenig, em conferência dia 13 passado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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