Em defesa de Furnas

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A imprensa noticiou, recentemente, em manchetes de primeira página, que Furnas Centrais Elétricas seria privatizada ainda este ano. São declarações de Amaury Bier, secretário executivo do Ministério da Fazenda, segundo os jornais, “braço direito do ministro Pedro Malan”. As declarações deste senhor são insensatas.
Diz o Sr. Bier que as privatizações “são um processo contínuo e importante por permitir a redução da dívida pública”. E afirma que vendida Furnas “depois chegaremos à Chesf e à Eletronorte”.
Como classificar este processo nefasto das privatizações de contínuo? Ele será interrompido quando nada mais houver para dilapidar do patrimônio público. E estamos perto disto. Já entregaram quase tudo para estrangeiros, a preços vis. Faltam apenas a Petrobras, os Correios, os bancos federais e parte do sistema elétrico.
Como falar em abatimento da dívida, se ela não pára de crescer? Estamos privatizando há dez anos!
Vendemos a siderurgia, a petroquímica, os fertilizantes, as telecomunicações, grande parte da geração e da distribuição de energia elétrica, a distribuição de gás, o metrô, as barcas, as ferrovias, os bancos estaduais. Foram mais de 120 grandes empresas, praticamente doadas, e a dívida pública saiu de R$ 20 bilhões para mais de R$ 600 bilhões, ou seja, multiplicou por 30.
As privatizações trouxeram mais de 540 mil desempregados, retrocessos sociais e tecnológicos, fechamento de empresas para consolidar posições monopolistas, queda na qualidade dos serviços, aumento brutal de preços e tarifas, desnacionalização da economia, para citar apenas alguns desacertos.
Furnas é uma empresa lucrativa – em 2000 lucrou R$ 600 milhões. Não depende de recursos do Tesouro. Suas usinas estão amortizadas. Geram energia a custo baixíssimo, em torno de US$ 40 por megawatt/hora. É uma empresa tecnologicamente atualizada, tem capacidade de investimento. Pergunta-se: por que vender uma empresa como esta? O governo federal não apenas quer vender, privatizar, como deseja também dividir Furnas, fazer uma cisão na companhia. Um absurdo! Vai quebrar a sua integração, vai dificultar o gerenciamento dos recursos hídricos.
A privatização de Furnas é uma afronta, um desrespeito ao povo fluminense, ao povo mineiro, às populações de todos os estados onde a empresa gera ou transmite energia elétrica.
Os governadores Garotinho e Itamar Franco já se manifestaram contra a operação.
Espero que não seja cometido mais este crime contra o Brasil.

Ricardo Maranhão
Engenheiro, ex-deputado federal, é vereador, líder do PSB na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

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