O Brasil possui todas as condições de ser a potência do terceiro milênio. Um território de mais de 8.500.000 km², vastos recursos naturais, inclusive o ouro branco, a água, bem escasso, que provocará conflitos bélicos por sua posse proximamente, em paralelo a vastas riquezas minerais e florestas imensas. Tem um povo trabalhador, honesto e corajoso. Seu destino natural é este. Contudo, é necessário que seja razoavelmente administrado, por pessoas de bem, possuidoras de patriotismo, honestos, com um projeto nacional de desenvolvimento, contendo políticas e estratégias correlatas, ao longo do tempo.
Os nossos antepassados construíram uma boa base econômica, dotada de infra-estrutura, até o final da década de 70. Na década seguinte, começou o retrocesso, agravado nos anos 90. Praticamente toda nossa base está erodida. Na expressão econômica, os setores de energia, transportes e comunicações foram ou estão sendo entregues a empresas estrangeiras, inclusive algumas estatais. Na energia, que nos EUA continua em poder do Estado, até com a supervisão do exército americano, intenta-se cometer mais um crime, com a entrega de Furnas, Chesf e Eletronorte aos alienígenas. Querem esquartejar Furnas em duas empresas de geração e uma de transmissão, a qual ficaria ainda em poder do setor público. É mais um crime de lesa-pátria.
Os macro-setores da economia, primário, secundário e terciário, vão amargar, no corrente ano, uma recessão de, no mínimo, 1% do PIB. E também estão sendo progressivamente desnacionalizados ou falindo. A dívida interna ultrapassa R$ 400 bilhões e a dívida externa chega a US$ 250 bilhões. Só a título de juros da dívida interna o país deve pagar, em 99, mais de R$ 80 bilhões. Nossas contas externas continuam apresentando um déficit superior de quase 5% do PIB no balanço de pagamentos em transações correntes. O déficit nominal ultrapassa 10% do PIB. A inflação volta a crescer, atingindo taxa mensal bem superior a 1% no mês de julho, projetando uma taxa anual de cerca de 14%, no Índice Geral de Preços (IGP) e próxima a 10% ao ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). A perspectiva da desvalorização da moeda argentina ou da elevação da taxa de juros nos EUA pelo Fed, em paralelo à fragilidade política do governo FHC, demonstra o alto grau de vulnerabilidade da nossa economia, em função da adoção do atual modelo imposto pelo FMI .
Na expressão psicossocial, o governo FHC retoma a pressão sobre o Congresso, objetivando eliminar direitos duramente adquiridos ao longo de décadas. O ministro da Previdência chega ao desplante de afirmar que “os segurados não vão perder e sim deixar de ganhar”. Agora tentam também prejudicar as mulheres, em particular no que tange à idade de aposentadoria, depois de atingir os idosos. O desemprego continua elevado, em torno de 20% da população economicamente ativa (PEA), segundo o Dieese. Todas as famílias já possuem pelo menos um integrante desempregado. E quem trabalha está inseguro. Não sabe até quando vai conservar o trabalho. A angústia é crescente. Os “donos do mundo” exigiram e o atual governo cumpre fielmente aquilo que foi determinado. Os empregos são extintos inexoravelmente para não mais retornar. Os poucos postos de trabalho de boa qualidade são quase todos preenchidos por estrangeiros. O Banco do Brasil abre concurso para escriturário oferecendo um salário mensal pouco superior a R$ 700,00, enquanto persegue os funcionários mais antigos, por perceberem remunerações mais elevadas, para demiti-los e diminuir despesas, preparando o caminho para a privatização.
A saúde e educação públicas, a pesquisa científica carecem de recursos. A insegurança progride e a solução apresentada pelo governo, orientado pelo movimento Viva Rio, é desarmar o cidadão. As polícias são incapazes de conter os marginais. O tempo é pouco para multar no trânsito. A Sra. Elizabeth Sussekind (ex-coordenadora de projetos de segurança pública e direitos humanos do Viva Rio – braço local da Iansa- International Action Network for Small Arms) é nomeada secretária nacional de Justiça, pelo ministro José Carlos Dias. O novo ministro da Justiça , até tomar posse, era advogado, dentre outros, do Banco Marka (Sr. Salvatore Cacciola), da indústria Schering (acusada de fabricar pílulas anticoncepcionais de farinha) e do “Jorginho da Rua Cuba” (acusado de matar os pais, cujo crime caiu em prescrição).
Na expressão política, reina a discórdia entre os integrantes da base do governo. Para o governo, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem uma importância superior a de qualquer outro anteprojeto, inclusive o que trata da reforma tributária, para atender ao determinado pelo FMI, punindo todos os administradores públicos que não seguirem as determinações externas. A rejeição ao presidente ultrapassa a marca de 59%. Os caminhoneiros já mostraram a vulnerabilidade do atual governo. Agora, são os ruralistas. Hoje, o movimento das oposições. Amanhã, serão os petroleiros ou bancários. É o início da reação dos iludidos e miseráveis contra um sistema injusto, que os explora. É um movimento inevitável que prosseguirá até alcançar seu objetivo principal, o de garantir o desenvolvimento com a manutenção da soberania nacional.
Na expressão militar, a criação do ministério da Defesa afronta as Forças Armadas. Os militares da reserva, principalmente através do Clube Militar, que acaba de apresentar um estudo profundo da situação econômico-financeira do país, bastante realista, crítico e corajoso, assinado pelo seu presidente, general de brigada Hélio Ibiapina Lima, apresentam sua clara insatisfação, secundado pelo Clube da Aeronáutica. É apresentado um manifesto à Nação, endossado por proeminentes chefes militares da reserva, pregando a destituição do presidente. Os militares da ativa não podem realizar qualquer pronunciamento. Mas o sucateamento imposto às Forças Armadas, os baixos salários e a crescente perda de sua capacidade operacional, obviamente não os deixam satisfeitos.
A situação é grave. Apresentamos neste artigo uma análise técnica e imparcial dos fatos, com ênfase nos aspectos econômicos. Porém, somos brasileiros, damos valor aos juramentos realizados e não podemos assistir impassíveis ao processo de destruição da nossa pátria. É preciso lutar sem tréguas contra a ação entreguista do atual governo, para defender os Objetivos Nacionais Permanentes, em especial a integridade do patrimônio nacional.
Marcos Coimbra
Professor titular de Economia junto à Universidade Candido Mendes e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG). Correio eletrônico: [email protected]















