Em Paris, a primavera é cor-de-rosa

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O Rio de Janeiro anda chato, perigoso. As manchetes dos jornais são as mesmas de sempre: impeachment ou não do Crivella; Niemeyer fechada; alagamentos, deslizamentos; buracos nas ruas por toda a parte, de Ipanema a Santa Cruz; insegurança nas vias; falta de médicos e de leitos…

O Brasil continua na inércia. Crises e mais crises, políticas, sociais, econômicas! Bolsonaro falando coisas periféricas; reforma da Previdência na gangorra; ministros que não se entendem, e mais grave até os do STF; hackers clonando contas; desemprego em alta; estupros… Desesperança.

Que desânimo ser carioca e brasileiro, atualmente! Diante desse cenário tão desalentador, nada melhor do que pegar um voo noturno e amanhecer em Paris. Afinal, aqui, na Cidade Luz, a atmosfera nos propicia desfrutar de cenários belos, mágicos e sedutores, além de nos permitir também bons momentos para reflexões sobre o que somos, o que queremos ser e o que procuramos para as nossas vidas.

 

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Para esquecer o desânimo ser

carioca e brasileiro atualmente

 

Diante do pandemônio brasileiro pelo qual todos nós vivemos, passar alguns dias caminhando pela Champs Elysées, navegando pelo Sena, observando como ficou a Notre Dame, assistir a bons espetáculos, shows e teatros, e até mesmo revisitar Montmartre e o Sacre-Coeur e curtir a boemia no Quartier Latin empolgam. Fascinam. Revigora as nossas forças!

Paris é daquelas cidades para as quais podemos voltar cem vezes e sempre teremos algo novo a visitar, a desbravar. Sinto-me privilegiado por visitar essa metrópole, anualmente. O mais incrível é que, mesmo com toda essa frequência, se consegue descobrir algo novo por aqui ou nas cidades próximas. Um teatro, uma atração.

A efervescência da capital francesa seduz e encanta. A Ilê de lá Cité é uma opção de lazer. Paris surgiu ali. E começar o passeio pela Sainte-Chapelle, uma obra-prima da arquitetura gótica e um dos patrimônios mais visitados da cidade, admirando também a bela construção do Palais de la Justice, é formidável.

E já que se está por ali, revisitar o edifício da Conciergerie, construído como residência real e sede da monarquia e, posteriormente, transformado em uma das prisões mais duras da cidade, é uma dica. Ah, para tomar o famoso sorvete Berthillon, basta atravessar a pequenina ponte que ligas as duas ilhotas. Difícil será escolher, dentre tantos, o sabor a ser pedido. A Ilê de lá Cité é charme puro.

Pode ser até nostálgico, mas caminhar pelo Sena, seja pela margem direita ou pela esquerda, é aprazível. Navegar por ele, a bordo dos bateaux, cruzando as Pont Neuf, a Pont des Arts, famosa pelos cadeados pendurados pelos casais nas suas grades, e várias outras, é sublime. Ao entardecer, esse passeio fica ainda mais romântico, pois o barco passa por algumas das atrações mais famosas de Paris que, iluminadas pela noite, potencializam ainda mais a sua beleza ímpar.

Se optar pela rivière gauche, atravessando a Pont de la Tournelle, estará no Quartier Latin, uma região conhecida pelo seu movimento animado, com dezenas de bistrôs e a Universidade de Sorbonne. Por lá, aprecie a região e o entorno do Panthéon, com suas enormes pilastras e onde repousam os restos mortais dos grandes nomes da História da França, que são lindos.

Nas imediações estão os Jardins de Luxemburgo, uma área que é um verdadeiro museu a céu aberto e na qual são abrigadas diversas obras de arte. Caminhar pela Rue Mouffetard, que conta com um bom comércio de alimentação, é agradável. Na Place Saint Michel, o mais famoso ponto de encontro parisiense, relaxe, apreciando o vaivém das pessoas e curta a paisagem.

Os museus, em Paris, estão por toda a parte. O do Louvre, que abriga mais de 35 mil obras de arte, dentre tantas obras importantes, como a Vênus de Milo e a Monalisa, do lado do Arco do Triunfo do Carrossel, e o Quai D’Órsay são imperdíveis, assim como é pitoresco apreciar o Jardim de Tuileries – o primeiro jardim público de Paris.

Próximo a ele fica a Praça da Concórdia, uma das mais emblemáticas da cidade, e a imponente Champs Élysees, a avenida mais importante da capital francesa. Além de jardins e belos edifícios, a avenida é um ótimo local para compras que cabem em todos os bolsos. Logo em seguida, chega-se a um dos monumentos parisienses mais representativos, o Arco do Triunfo d’ Étoile. Subir ao seu topo e observar o entroncamento de tantos boulevards é magnífico. Cena de filme!

Andar até a Praça do Trocadero, um dos mais fantásticos pontos de observação da Torre Eiffel, é outra opção. Optar em Paris por ir aqui, lá ou acolá, se torna até difícil, devido à variedade de entretenimento. Comer um crepe por ali, às margens do Sena, acompanhado de uma boa taça de vinho tinto, cai muito bem e o cenário seduz.

Nas imediações de Paris, cerca de meia hora da capital, está o imponente Castelo de Versalhes. Essa majestosa construção simboliza a Monarquia Absoluta. Construído no século 17 por Luís XIV, o Rei Sol, é, hoje, um dos palácios mais belos e famosos do mundo. São numerosos salões e quartos para visitar em Versailles e todos os ambientes impressionam pelo luxo e ostentação da época. Além é claro, do belíssimo jardim concebido por André Le Nôtre, com diversos desenhos, cores e formas.

A noite parisiense, além dos restaurantes e dos bistrôs, dos queijos, frios e croissants, dos passeios pelas ruas e avenidas, com esse friozinho agradável, também oferece pomposos shows nos cabarés, como o icônico Moulin Rouge, é um programa para lá de divertido afinal, as francesas, les belles de jours, são sensualíssimas. A casa apresenta um espetáculo com dançarinas e números de cancan. Diversão pura. Musicais e peças de teatro são constantes.

Visitar a Cidade Luz, nesta época do ano, na estação mais florida, é curtir “La vie en rose”, já que a primavera em Paris é, literalmente, cor-de-rosa. As nuances e os tons rosados se devem, em boa parte, à flor de cerejeira, a característica árvore local, que pode ser vista em dezenas de ruas, praças e parques.

Além de ficar mais bonita do que nunca, as temperaturas amenas também fazem de Paris uma ótima pedida na primavera. Nessa chamada meia-estação, os passeios ao ar livre se tornam extremamente agradáveis.

 

 

Paulo Alonso

Jornalista e chanceler da Universidade Santa Úrsula.

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