Emergentes

As declarações de bens dos candidatos a cargos majoritários ilustra como a parte mais abastada da classe média está conseguindo se virar, apesar do aumento do custo de vida. Ao ficar com migalhas do que é destinado aos rentistas, essa pequena parcela da população consegue ver suas aplicações render cerca de 50% em quatro anos. Os candidatos de classe média mais baixa tiveram resultados bem mais modestos.

Briga do pão
“Não há nenhum setor produtivo neste país que tenha feito mais do que nós, da panificação, para o desenvolvimento do uso de derivados de mandioca. Nem mesmo eles próprios. Estamos dispostos a continuar trabalhando em conjunto para desenvolver novos usos para mandioca na indústria de panificação e confeitaria. Só não aceitamos a imposição da obrigatoriedade”. É com essa certa dose de exagero que o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), Marcos Salomão, reagiu ao projeto de lei do deputado Aldo Rebelo (PCdoB) que obriga a adição de farinha de mandioca à farinha de trigo na fabricação de pão francês.
Os panificadores duvidam da capacidade dos agricultores fornecerem fécula de mandioca na quantidade necessária. Além disso, dizem que o pão vai ficar menos nutritivo, já que o trigo teria mais de 10% de proteína, contra apenas 2% da mandioca. “Para compensar uma eventual perda protéica, a indústria terá que importar trigos mais fortes e, conseqüentemente mais caros, o que trará impacto direto no preço dos produtos ao consumidor”, diz a Abip.
Apresentado em 2001, o projeto visa a incentivar os pequenos produtores de mandioca, valorizar o produto nacional e diminuir os gastos com a importação de trigo.

Em baixa
Para o economista João Carlos Gomes, da Fecomércio-RJ, “a trajetória dos preços dos alimentos tem seguido um rumo bastante favorável. O clima e a boa safra têm ajudado na desaceleração dos preços dos alimentos, além, é claro, do impacto defasado da valorização cambial acumulada no primeiro trimestre”. O subgrupo combustíveis, mais uma vez, é o destaque de baixa dada a forte contribuição da queda do álcool. “Para o final do ano, seguimos na projeção entre 3,5% e 4%, com viés de baixa”, diz Gomes.

Seleção que funciona
A seleção brasileira foi eliminada da Copa do Mundo, mas o governo brasileiro não desiste da ofensiva na Alemanha. Dessa vez, o enfoque é comercial e não esportivo. Segundo a Guedes & Pinheiro Consultoria Internacional, a atuação da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) no país europeu já rendeu, este ano, negócios para 319 empresas, com rendimentos de US$ 230 milhões. Para o dia 16 deste mês, a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha está organizando um estande coletivo na Ispo Summer 2006, feira internacional de artigos esportivos e moda esportiva.

Culpados
Elevada tributação, burocracia, justiça lenta e impunidade são os fatores que mais estimulam a pirataria e a economia informal no país, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), Emerson Kapaz. Mas ele, seguindo uma antiga prática da elite brasileira, atira também no consumidor, que, na avaliação de Kapaz, não tem padrões de ética e de valores. Para o empresário, a sociedade brasileira tem cada vez mais uma sensação de que a ética não é importante. Ele e seus parceiros no Etco – instituto cujas fontes de financiamento não são reveladas de forma transparente – preferem se calar sobre a contribuição que o alto preço cobrado dos consumidores, aliada à pouca atenção dada pelas empresas no pós-venda, dão à informalidade. Com renda achatada e valores exorbitantes, a conta para se chegar à formalidade não fecha.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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