Emitir dívidas ou dinheiro para impulsionar o desenvolvimento

Em um período de seis semanas, a rede Fox News mencionou a deputada norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez (Partido Democrata) ao menos 3.181 vezes, e nem um dia se passou sem que ela fosse citada. “Isso mostra como eles lutam duramente contra a saúde digna, salários e a justiça para todos, apontando seu poder de fogo na mais jovem congressista da história para fazê-lo”, comentou AOC – como é conhecida – no Twitter – plataforma onde desponta com quase 4 milhões de seguidores.

Suas posições progressistas (extrema-esquerda para os padrões dos EUA) explicam esse bombardeio. Semana passada, durante audiência na Câmara com CEOs de sete grandes bancos, Alexandria perguntou por que mais colegas deles não foram para a prisão durante a crise financeira de 2008.

AOC lançou a proposta do Green New Deal, pacote social e econômico destinado a mudar o modelo de crescimento norte-americano rumo a uma economia sustentável e socialmente justa. Em debate no Senado, a deputada deu destaque à Teoria Monetária Moderna (MMT, em inglês), que detona as ideias ortodoxas. A MMT, por exemplo, prega que um país com sua própria moeda pode emitir dívidas ou dinheiro para impulsionar o desenvolvimento.

Em entrevista ao jornal espanhol El País, Randall Wray, autor da Teoria Monetária Moderna, explica: “Muitos economistas e políticos insistem em equiparar o modo como uma economia é administrada com o que acontece com as famílias, quando não é esse o caso. Um governo soberano simplesmente não pode ficar sem dinheiro porque é o responsável pela emissão de moeda e pode endividar-se quando ela lhe faltar.”

Claro que isso soa como uma bomba nos ouvidos dos ortodoxos, defensores da austeridade… dos outros. Após a crise financeira de 2008, os bancos centrais expandiram a base monetária para ajudar instituições financeiras em dificuldades, sem críticas dos neoliberais.

A MMT tem de fazer parte de nossos debates”, defendeu a congressista democrata. Ainda que a Teoria sofra críticas também das esquerdas, apenas mencionar o assunto já mexe com interesses e dogmas da direita. “Quando foi necessário, os bancos centrais acudiram para resgatar o setor público em tempos de crise, como fez o Federal Reserve após a Segunda Guerra Mundial ao comprar dívida pública, ou o setor financeiro na última crise. Nesse sentido, nossa teoria não é nada revolucionária”, provoca Randall Wray.

 

Sede de poder

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro afirmou a um interlocutor que está cansado de pessoas que lhe dizem o tempo todo o que deve ou não fazer. Isso pode explicar as atitudes mais recentes do presidente, que parece ter terminado os primeiros cem dias de governo disposto a mostrar que não é tutelado por ninguém.

A análise é das jornalistas Helena Chagas e Lydia Medeiros, no boletim de análise política Tag Report. “A constatação geral é que, neste momento, quem parece estar dando as cartas no centro decisório do governo é o núcleo familiar-olavista, integrado pelos três filhos do presidente e pelos discípulos do guru Olavo de Carvalho.”

O boletim pode ser solicitado via o e-mail [email protected]

 

Dá de 10

A nova política envelhece rapidamente. Em Brasília, o comentário é que a votação da reforma da Previdência segue os trâmites da aprovação da reeleição no Governo FHC. Abastecendo o esquema, empresas que sonham com o Brasil pré 1888.

 

Rápidas

O CESAR, centro de inovação sediado em Recife (PE), abre nesta quarta-feira processo seletivo para uma nova turma do Programa Summer Job, que será realizado de 1º de julho a 9 de agosto, na sede e em Recife, Sorocaba (SP), Curitiba e Foz do Iguaçu (PR) e Manaus (AM). O Programa permite que os estudantes obtenham experiência prática na área de tecnologia. Para informações acesse summerjob.cesar.org.br *** O 28º Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, promovido pela Abeso, acontecerá entre quinta-feira e sábado, em São Paulo (SP) *** A Fiesp realiza nesta quarta-feira, a partir das 9h, o seminário Autoridade Nacional de Proteção de Dados, órgão, que será responsável por fiscalizar o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP). Steve Wood, comissário adjunto e diretor executivo do Information Commissioner’s Office (ICO), compartilhará a experiência britânica. À tarde, começa o seminário Os impactos da Lei Geral de Proteção de Dados na Saúde. Programação em bit.ly/2FOMrOR

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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