Ao mesmo tempo que o Brasil acumula mais de 8 milhões de desempregados, empresas dos mais diversos setores têm dificuldades em encontrar profissionais para preencher as vagas abertas.
O País atingiu a menor taxa média de desemprego desde fevereiro de 2015. No terceiro trimestre, a taxa de desocupação ficou em 7,7%, menor nível desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2015 (7,5%). Ainda assim, o número de desempregados é alto, chegando a 8,3 milhões de pessoas, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE.
Levantamento divulgado recentemente pelo Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo) mostra que uma em cada cinco (21%) empresas possui vagas aberta de emprego que não consegue preencher (31% das pequenas e 20% das micro).
A estimativa é que nos próximos meses, 34% das micro e pequenas indústrias brasileiras pretendem abrir novas vagas de trabalho, principalmente as pequenas (57%, ante 35% das micro).


De acordo com Joseph Couri, presidente do Simpi, a falta de qualificação é o principal entrave para as contratações. Segundo a pesquisa, entre as empresas que têm vagas abertas, 73% apontam a capacitação como principal obstáculo para contratar.
“Tem que investir cada vez mais em qualificação de alto nível porque a produção não é mais como no passado. Antes, quando eu precisava aumentar a produção chamava 10, 20, 50 pessoas. Agora, preciso do aumentar a eficiência dessa produtividade, e isso só é possível com qualificação dos profissionais”, considera Couri.
Ele cita como exemplo positivo o setor do agronegócio. “Hoje o Brasil diz que o agro é a locomotiva do país, mas só chegou lá depois de anos de apoio do governo, que investiu no setor, emprestando recursos com taxa baixa de juros. Não é uma crítica ao agro, mas também precisamos de políticas governamentais de apoio ao nosso setor”, comenta Couri.
Vagas abertas: mudança nos empregos
De acordo com o Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2023, cerca de 23% dos empregos deverão mudar nos próximos cinco anos. Ainda segundo o estudo, os empregadores estimam que 69 milhões de empregos sejam criados e 83 milhões eliminados no período.
“Há 3 anos o tema ESG (práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização) não era pauta em muitas empresas, mas hoje ele é essencial para a indústria”, diz o representante do setor. “O mundo vai mudando e as empresas têm que mudar junto”, complementa.
Essa mudança, no entanto, esbarra na falta de recursos. Conforme a pesquisa, 45% das micro e pequenas indústrias brasileiras trabalham com um planejamento de curto prazo, ou seja, tem caixa e pedidos para o dia a dia, foco em fechar as contas o final do mês e assim sucessivamente. “E isso acontece porque falta acesso a crédito e este é um processo que precisa mudar”, considera Couri.
Importante destacar que um terço das empresas (34%) trabalha com um planejamento de médio prazo, ou seja, tem caixa e pedidos para alguns meses, e foco em investir pensando nos resultados daqui a seis meses. Já o percentual de empresas que trabalham com planejamento de longo prazo, ou seja, tem caixa e pedidos que garantem estabilidade para focar em investir e pensar nos próximos anos, é de 17%.
Por Gilmara Santos, especial para o Monitor
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