Emprego zero

Na última sexta-feira, às vésperas de Natal, cerca de cem funcionários da central telefônica do Programa Fome Zero, no Rio de Janeiro, se juntaram aos 650 mil brasileiros que perderam o emprego no primeiro ano do governo Lula. O serviço é prestado pela Contax, do grupo Telemar e que trabalha para o programa. A ordem para a demissão veio do Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome (Mesa), que alegou necessidade de conter despesas.

Lula no divã
Embora, a exemplo dos biquínis, estatísticas também escondam o essencial, a contextualização dos números das pesquisas sobre o primeiro ano do PT no governo dão pistas importantes sobre o futuro da relação dos ocupantes do Planalto com a população. A primeira delas está indicada na dicotomia entre a esperança depositada no presidente Lula e a discrepância entre a agenda do governo e a da população.
O forte apoio a Lula repousa em duas vertentes principais: a consciência dos brasileiros sobre a política de terra arrasada que representou o tucanato no governo e a firme esperança de que o PT no poder represente uma guinada de 180 graus nos rumos do país.
Pouco afeita aos hermetismos macroeconômicos, a grande maioria dos brasileiros acompanha de forma difusa os debates entre os iniciados nesse estranho mundo, sem, por enquanto, perder a fé no governo que elegeu há pouco mais de um ano. Sua bússola nessas questões está ligada à materialização das conseqüências das decisões governamentais em itens particularmente sensíveis, como emprego, renda, saúde, educação e violência.
Para 2004 em diante, o governo faz dois tipos antagônicos de anúncios. Num, em linguagem restrita aos iniciados, promete manter os mesmos fundamentos que produziram o crescimento zero de 2003. Já para a platéia, sinaliza com um otimismo que o anúncio anterior desautoriza.
Resta saber quanto tempo a população levará para relacionar a política praticada com o continuísmo que repudiou nas urnas. Até lá, corre-se o risco de o governo insistir na esquizofrenia em prometer crescimento e entregar recessão. Se Freud não resolver essa dilema, as urnas podem fazê-lo. Neste caso, com bem menos sutileza.

Loteria
Não é apenas no Rio que receber o 13º salário – direito constitucional em vigor até o novo PT revogar, como pretende, direitos trabalhistas – foi transformado numa operação financeira. No Rio Grande do Sul, o governador Germano Rigotto (PMDB) ameaça financiar pelo Banrisul ou parcelar o 13º dos servidores públicos. O Cpers/Sindicato da categoria ingressou no Tribunal de Justiça do Estado, com mandado de segurança coletivo para garantir o pagamento integral do benefício.

Óleo à vista
O diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, disse que as licitações das plataformas P-55 e P-56 serão feitas em 2004, incluindo a construção dos cascos. O valor dos contratos deve girar em torno de US$ 2 bilhões. Cada licitação será feita em um semestre do próximo ano. Sobre a P-51, Duque disse que o grupo Fels Setal apresentou a melhor proposta, abaixo de US$ 700 milhões. Disse ainda que a Petrobras deve conversar com o governo do Estado do Rio de Janeiro sobre o ICMS no estado.

Agenda
O ano que vem será o da redenção do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), segundo promete o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Ele admiti que é preciso reformular, ampliar e capacitar o Inpi; para isso, o governo já tem um plano proposto, chamado “agenda século XXI”.

Grão em grão
No balanço de final de ano de sua pasta, o ministro Furlan destacou a presença do pequeno empresário no esforço de exportação: “Este ano tivemos participação de 8 mil empresários nos Encomex (Encontros de Comércio Exterior) e treinamos 1,8 mil agentes de comércio exterior”, afirmou.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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