O “Estudo: Empregos Verdes 2025” dimensiona o tamanho desse setor e examina a qualidade das ocupações ligadas à sustentabilidade. A análise, divulgada no final de outubro, aponta que a expressão “empregos verdes” tem sido amplamente utilizada pelo setor empresarial como instrumento de marketing, muitas vezes dissociada de condições dignas de trabalho e de políticas voltadas à justiça social.
A pesquisa evidencia um quadro de precarização. A taxa de informalidade entre os trabalhadores de ocupações e setores “verdes” é de 73,7%, quase o dobro da média nacional (38%). Mesmo nos empregos formalizados, 48,9% não possuem vínculo regular.
Os rendimentos também estão abaixo da média. No primeiro trimestre de 2025, o salário médio nacional foi de R$ 3.318, valor 29% superior ao dos trabalhadores em empregos verdes. Nas ocupações de setores potencialmente “verdes”, a diferença chega a 62%.
O estudo é sobre empregos “verdes” é baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).
Quais são os empregos “verdes”
O levantamento mostra que, no primeiro trimestre de 2025, 2,9 milhões de pessoas atuam em trabalhos chamados “verdes” no país, o equivalente a 2,8% da população ocupada.
Essas ocupações concentram-se, em sua maioria, em atividades de economia circular, como manutenção e reparação de equipamentos. As seis mais comuns são:
- Mecânicos e reparadores de veículos a motor (1,24 milhão de pessoas)
- Condutores de ônibus e bondes (346 mil)
- Classificadores de resíduos (333 mil)
- Mecânicos e reparadores de máquinas agrícolas e industriais (198 mil)
- Trabalhadores florestais (136 mil)
- Instaladores e reparadores em tecnologias da informação e comunicação (134 mil).
O perfil revela desigualdade estrutural: 57,2% são homens negros e mais da metade (51,2%) não concluíram o ensino médio. A presença de mulheres e pessoas com ensino superior é reduzida, o que reforça a necessidade de políticas inclusivas.
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Trabalhadores e a COP30
O objetivo do estudo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em parceria com o Dieese, é “defender a criação dos chamados ‘bons empregos verdes’ — aqueles que conciliam preservação ambiental com direitos, proteção e qualidade de vida para trabalhadoras e trabalhadores”.
O estudo destaca que a transição para uma economia de baixo carbono precisa ser justa, democrática e inclusiva, com foco no trabalho decente e em políticas públicas voltadas ao bem-estar da população – uma discussão que ganha importância diante da COP30, no Brasil, que coloca o país no centro do debate global sobre clima e desenvolvimento sustentável.
Para a secretária do Meio Ambiente da CUT, Rosalina Amorim, a ideia de “verde” e “ecologia” na totalidade deve estar relacionada à justiça social. “Para nós, emprego só pode ser ‘verde’ se cumprir a agenda do trabalho decente. Quando se propõem a esforços na redução das emissões de gases de efeito estufa, isso significa que precisa aumentar a formalização dos empregos e criar uma política robusta de valorização do salário mínimo”, disse a secretária.
“O primeiro apontamento desse estudo traz essa sinalização que o ambiental e o social precisam andar juntos, então a qualidade desses empregos precisa melhorar. O segundo ponto é que isso não se faz sem estar atrelado e com o suporte de políticas públicas, de trabalho e renda para a geração de empregos verdes”, afirmou Nelson Karan, economista e coordenador de estudos e pesquisas sobre trabalho e meio ambiente do Dieese.

















