Empresários do Brasil e Japão buscam ampliar fluxo comercial

Dois países debatem oportunidades de cooperação para a retomada da economia.

Negócios Internacionais / 16:58 - 5 de out de 2020

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Representantes do setor privado do Brasil e do Japão afirmaram na terça-feira (30) que os dois países precisam estreitar laços e se empenhar para que as duas economias retomem o crescimento econômico sustentável e ampliem o fluxo de comércio e investimentos no pós-crise da pandemia desencadeada pelo novo coronavírus. Durante reunião extraordinária do Conselho Empresarial Brasil-Japão (Cebraj), eles discutiram os efeitos da pandemia nas relações comerciais e as oportunidades de cooperação para a retomada da economia. O encontro foi virtual. Em função da pandemia, a reunião presencial em Tóquio que havia sido marcada para este ano foi postergada para 2021.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou que dados recentes apontam que a atividade industrial brasileira se aproxima das taxas verificadas no período pré-pandemia. Com isso, os empresários voltam a ter otimismo. “Essa recuperação vai nos permitir retomar as discussões sobre a agenda de reformas, em especial a tributária, a administrativa e a do marco legal do gás. Temos também algumas agendas relativas à regulação, à privatização e a concessões de serviços públicos na infraestrutura”, afirmou.

Andrade ressaltou que, no âmbito internacional, as relações bilaterais devem “se revestir de um caráter mais ousado com avanço de pontos pais relevantes para o restabelecimento do fluxo de comércio e investimentos”. “Precisamos avançar na remoção de barreiras comerciais impostas a produtos brasileiros e no apoio ao pedido de acessão do Brasil à OCDE”, disse.

Presidente da seção japonesa do Cebraj, Masami Iijima, afirmou que empresários estão trabalhando para evitar a disseminação do vírus e, ao mesmo tempo, equilibrar a atividade econômica. “Não podemos ver com pessimismo esta situação, que é crítica, mas como oportunidade para vermos um novo mundo após a crise”, disse.

O embaixador do Brasil em Tóquio, Eduardo Paes Saboia, destacou que os países têm os desafios de ampliar comércio e investimentos. Nessa direção, disse, é preciso eliminar barreiras aos produtos brasileiros. Ele citou entraves ao etanol e à carne bovina brasileira no mercado nipônico, por exemplo. “Quanto aos investimentos, reformas estruturais, concessões e privatizações abrirão novas oportunidades e aumentarão o grau de previsibilidade para investimentos no Brasil”, reforçou.

 

Cabo Frio quer investimento para polo sustentável

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, está em busca de investidores para seu projeto do Polo de Desenvolvimento Sustentável. O projeto visa diversificar a economia local, que é baseada no turismo e atualmente dependente dos royalties do petróleo explorado na região. “O turismo é, de fato, nossa vocação, mas queremos ir além disso para promover mais empregos e desenvolvimento para a cidade”, explicou à ANBA o superintendente de emprego e renda da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município, João Marcello Neves.

A previsão é que o projeto esteja formatado até o final do ano. A área onde o polo está sendo construído tem dois milhões de metros quadrados, fica ao lado do Aeroporto de Cabo Frio e próxima ao Porto do Forno, localizado na cidade vizinha de Arraial do Cabo.

Para concluir o projeto, a secretaria busca, agora, investimentos no exterior entre eles os dos árabes. A Prefeitura de Cabo Frio é associada da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. “Temos interesse nos países árabes porque aqui é uma região muito próxima ao Rio, o que tranquiliza em relação a escoamento de matérias e chegada de insumos. Estamos abertos a qualquer tipo de projeto, toda empresa que queira se instalar aqui, vamos ouvir. Temos preferência por economia sustentável, que não venham a denegrir o meio ambiente, por ser uma região de praias e reservas [ambientais]. É interessante utilizar energias renováveis, por exemplo”, definiu ele, lembrando que ainda está disponível 90% da área do polo.

Mais informações: anba.com.br

 

Agricultura familiar na feira Biofach da Alemanha

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com a Apex-Brasil e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), está organizando a Missão Comercial à Alemanha, por ocasião da feira Biofach 2021.

A Biofach é considerada a principal feira comercial de alimentos orgânicos do mundo. Em sua última edição, contou com 3.792 expositores e mais de 47.000 visitantes de 136 países, que tiveram a oportunidade de descobrir novidades, tendências e inovações do segmento de alimentos e bebidas orgânicos. Além da exposição de produtos, a feira promove o salão de inovação, rodadas de negócios, fóruns e seminários técnicos.

O evento será realizado de 17 a 20 de fevereiro em Nuremberg, Alemanha. Além das empresas selecionadas pela Apex-Brasil, o Mapa levará uma comitiva de 10 cooperativas e empreendimentos de agricultura familiar. O objetivo é oferecer aos participantes do oportunidades de contatos comerciais, negócios e inserção no mercado alemão e europeu.

As empresas, cooperativas e agroindústrias da agricultura familiar brasileira que forem selecionadas para integrar o Pavilhão Brasil na BioFach contarão com estrutura completa de estande, incluindo recepcionistas bilíngues, catálogo institucional, cozinha coletiva, mobiliário para preparação e exposição de produtos, e estrutura para reuniões com potenciais compradores, além do apoio técnico das equipes da Apex-Brasil e do Mapa.

A iniciativa conjunta faz parte do estreitamento da parceria entre Apex-Brasil e Mapa, que assinaram recentemente um acordo de cooperação para a promoção internacional do Agronegócio. As inscrições para empreendimentos e cooperativas da agricultura familiar, que produzam produtos orgânicos brasileiros, estão abertas até 2 de outubro.

Mais informações: portal.apexbrasil.com.br

 

Exportações do setor agropecuário para a China

Quase 40% do que o setor agropecuário brasileiro vendeu para o exterior até julho foi para a China. A soja é o principal produto, tanto em volume quanto em valores. A demanda continua subindo, mas as vendas de carne bovina deram um salto no último ano. De acordo com a superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra, o Brasil conseguiu aumentar a produção com investimento em tecnologia. “Como a gente vem investindo muito em tecnologia, aumentando a produtividade. A nossa capacidade de suprir outros mercados se ampliou. Mas é importante lembrar que a gente tem as vendas muito concentradas em poucos produtos. Então, o Brasil ainda tem espaço pra crescer, diversificando seus produtos para China”, afirmou.

A maior procura pelo mercado agropecuário brasileiro está compensando novos investimentos. Em Mato Grosso, por exemplo, criadores estão se qualificando para a exportação de suínos. Em uma granja que fica em Sorriso, na região norte do estado, existe até uma barreira sanitária. Um botão ativa os jatos d’água, misturados com um produto de limpeza. Esse procedimento serve para a desinfecção dos veículos de quem precisa ter acesso à unidade.

As granjas tipo exportação tem ambiente climatizado, com água filtrada e ração equilibrada. O esforço aumenta a chance de vender mais e com preços melhores. “O crescimento do PIB da China é forte, então vai haver muito mais chineses dispostos a comprar carne futuramente. Eu tenho certeza que ela não vai parar de comprar carne brasileira”, diz o presidente da Associação de Criadores de Suínos de Mato Grosso. De janeiro a julho deste ano, o volume de carne suína exportada para a China dobrou em relação ao ano passado.
 

Informações sobre economia: paineldenegocios.info

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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