Estudo conduzido por Claudia Yoshinaga, da FGV Eaesp, em parceria com Leticia Bellato e Nathália Ruggiero Gil, investigou se a participação feminina em conselhos de administração e diretorias executivas influencia o desempenho financeiro das empresas. “Os resultados indicam que a presença de mulheres na liderança não gera impacto negativo nem positivo sobre o desempenho financeiro das companhias”.
O resultado foi publicado na revista acadêmica Gender, Work, and Organization, uma publicação bimestral em inglês, criada em 1994, que abrange o papel do gênero no local de trabalho. A John Wiley & Sons é a editora da publicação,
O levantamento avaliou empresas listadas na bolsa brasileira entre 2010 e 2020 e constatou que a participação feminina nesses espaços ainda é reduzida, representando cerca de 12% dos cargos analisados. “Em muitas empresas, especialmente nas diretorias executivas, ainda não há mulheres em posições estratégicas”.
Segundo as autoras, os dados ajudam a desconstruir a ideia de que a diversidade de gênero precisa ser justificada exclusivamente por ganhos financeiros. O estudo aponta que a baixa representatividade feminina está mais relacionada a barreiras históricas e estruturais do que a resultados corporativos.
Para as autoras, a análise reforça ainda que ampliar a presença de mulheres na liderança envolve questões de representatividade, equidade e alinhamento com demandas contemporâneas da sociedade e do mercado.
Serviço público federal
Divulgado em março deste ano, o estudo “Perfil das Lideranças no Governo Federal – Recorte de Gênero”, desenvolvido pela Diretoria de Governança e Inteligência de Dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), destaca que a presença de mulheres em cargos de na alta liderança do Executivo Federal cresceu de 29% para 38% em quatro anos.
De acordo com o levantamento, mulheres ocupam hoje cerca de 43% dos cargos de liderança na administração pública federal, considerando cargos comissionados e funções de confiança em órgãos da administração direta, autárquica e fundacional.
O crescimento é ainda mais significativo quando se observa os postos mais altos da estrutura administrativa. A participação feminina na alta liderança aumentou de 29% em fevereiro de 2022 para 38% em fevereiro de 2026, indicando ampliação expressiva da presença de mulheres em posições estratégicas de direção, chefia e assessoramento no governo do Brasil. No total dos cargos de liderança, a presença de mulheres era de 39% em 2022.
Os dados utilizados no estudo têm como base o Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE) e integram um esforço de análise do perfil das lideranças públicas sob a perspectiva de gênero
Para a diretora de Programa da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP/MGI), Regina Camargos, é um compromisso do governo federal ampliar cada vez mais a presença feminina no serviço público e nas posições de liderança. “As mulheres desempenham papel fundamental na sociedade e em todos os poderes da República e esferas de governo. Suaatuação qualificada e comprometida fortalece as políticas públicas e contribui diretamente para a construção de um Estado mais eficiente, inclusivo e representativo”, afirma a diretora.

















